Ocorrências de vida
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DIÁRIO DE GUERRA DO RAMBONE | ![]() |
Passei anos na floresta combatendo o inimigo, depois mais um tanto de anos tentando encontrar o caminho de volta para a minha base militar.
Nem preciso falar que só um valente como eu, para sobreviver a tudo aquilo.
Mas não foi fácil me acostumar com a vida civil. O próprio exército obrigava os ex-combatentes a participar do programa de reabilitação social com acompanhamento psiquiatrico, mas eu achava um saco, só ia porque conseguia uns remédios, aqueles tarja preta bacanudos.
Então em uma dessas visitas ao doutor, ele me aconselhou a fazer tarefas cotidianas, coisas simplinhas que todo mundo faz, como ir ao mercado, pagar conta no banco, cinema, passear no shopping, pegar uma puta e broxar... Enfim, coisinhas normais.
Escolhi, então, ir ao cinema, mesmo porque eu achava as outras coisas cansativas e broxar também, já não era mais novidade para mim.
Resolvi que deveria ver um desses filmes leves, que todo mundo vê e gosta, as chamadas comédias. Sim, era a coisa mais correta a fazer, ver um desses filminhos conhecidos como "água com açucar" e depois tomar um bom lanche. As pessoas normais fazem isso.
Fui ao cinema e perguntei para o cara que vendia os ingressos, qual dos filmes em cartaz era bom e ele me recomendaria. Ele respondeu que não conhecia todos, mas tinha um em especial que era muito engraçado, era com um ator chamado Robin Williams.
Eu não conhecia esse artista, na base secreta dos Chamytos, não tinhamos televisão. Nossa diversão era apenas um cineminha super 8, com filminhos mudos dos palhaços Torresmo e Fimose, e uns cinco ou seis suecos de sacanagem.
Durante a semana assistiamos aos pornôs e de domingo, o dos palhaços, para não enjoar.
Então eu comprei meu ingresso e fui para a sala de espera, mas para evitar pegar fila, preferi entrar no meio do filme.
Sentei ao lado de um gordinho que ria sem parar, então comecei a rir também, mesmo sem ter visto a piada, afinal eu queria passar despercebido e iniciar uma vida normal.
Mas com o passar do filme, eu comecei a achar que aquilo era algum tipo de armadilha. Ainda me certifiquei se estava vendo o filme certo e perguntei para o gordinho, que hora que o tal do Robim Williams aparecia e contava a piada.
Ele disse que era aquele cara ali, vestido de mulher, que se passava por babá.
Daí perguntei se ele já tinha contado a piada que era engraçada, e o gordinho me respondeu que a babá era a piada.
Então aquilo começou a me irritar de verdade, as pessoas riam das coisas mas sem graça! Me pareceu algum tipo de emboscada! Na certa, ao final do filme, eu poderia ter alguma surpresa desagradável!
Resolvi pensar rápido em uma maneira de fugir dali. E graças aos meus anos de experiência como estrategista, olhei tudo ao redor e elaborei um plano eficaz em poucos segundos!
Notei um sujeito ao meu lado com um balde de pipoca, grande o suficiente para que eu colocasse na minha cabeça.
Chamei lhe a atenção e disse se aquele chinelo rosa no chão era dele. Quando ele olhou para baixo, apliquei um eficiente golpe na sua nuca que o fez desmaiar na hora.
Esvaziei o resto da pipoca dentro da sua calça e peguei o balde. Logicamente fiz dois furos precisos para eu poder enxergar, tudo graças ao meu apurado conhecimento de anatomia.
Coloquei o balde na cabeça e pronto, ninguém iria me reconhecer.
Imediatamente, criei uma rápida confusão para que eu pudesse confundir o inimigo e fugir.
Peguei o copo de refrigerante do gordinho e joguei no pessoal das fileiras de trás.
O pessoal começou a xingar, a querer brigar, então dei ínicio a segunda parte do plano, peguei o gordinho pelo pescoço e com a outra mão puxei lhe a cueca violentamente para fora da calça!
Logo, ele era meu refén e eu avisei; "Ninguém dê nenhum um passo ou eu puxo essa cueca até a cabeça do gordinho!!"
Um cara então tentou levantar, mas eu disse; "Não tente bancar o herói, cara!" . E foi assim uma frase de efeito que eu li em uma revistinha de quadrinhos e funcionou muito bem.
Então, fui saindo de lado com o gordinho e quando cheguei na saída da sala, larguei ele e comecei a correr.
Tinha que sumir dali rapidamente, imagina as consequências de ver aquele filme até o fim!!
Notei então um funcionário passando rodo no chão, aproveitei o piso molhado e apliquei um carrinho preciso nele. Quando ele caiu, ainda completei o golpe com um elegante "double nelson" mas na variação solo, devido, obviamente, a minha posição.
Levantei, ligeiro como um cisco, no momento que um segundo funcionário saia do banheiro.
Fechei a mão e lhe apliquei um potente croque na parte superior frontal da cabeça! Esse golpe todos conhecem, desnecessário dizer que usei a técnica conhecida como " Seu Madruga".
Finalmente ganhei o saguão principal e já estava próximo a saída. Pensei em passar na bilheteria e pegar meu dinheiro de volta ou até mesmo me vingar do cara que indicou o filme, mas esses minutos poderiam me ser fatais.
O melhor era fugir dali mesmo!
Mas então surge um segurança na porta! No momento que ele me olhou assustado, apontei para cima e gritei; "Olha o pombo morto!"
Ao olhar na direção que eu apontava, apertei seu nariz violentamente e o soltei.
Essa técnica, por causar apenas um dano temporário ao adversário e não lhe trazer nenhuma sequela permanente, é conhecida como "Gasparzinho, o fantasminha camarada".
Para finalizar, me livrei do balde e sai do cinema de costas. Isso é claro para atordoar alguém que viesse atrás de mim, obviamente, pelo ângulo de visão, iria parecer que eu estava vindo e não indo, confundindo o adversário. Completando ainda o total despistamento, tomei um ônibus errado. Técnicas ninja, é claro.
Bom, não deu muito certo minha ida ao cinema, mas ainda faltava verificar se realmente meu médico não estava envolvido em algum plano para me destruir...
Mas isso fica para outro post.
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Oh, não! | ![]() |
Pois não é que a Mídia Malvada caiu em cima da "musa" do
blog, a Denise de Abreu? Agora até gente do governo
desconfia dela, tadinha, petralha indicada pelo comissário Zé
Dirceu! Oh, quanta maldade, quanta calúnia, dizer que
ela favorecia grupinhos mafiosos na entidade conhecida como
Anac!Aliás, vocês já repararam que a gente só lembra dessa entidade, a Anac, quando há cadáveres em acidentes aéreos? Coisa freqüente, infelizmente.
E depois A Torre de Marfim (links), por vias oblíquas, parece ter insinuado que eu peguei no pé da tadinha porque ela fuma charuto. Alô, Torre (não de controle, cruz, credo!), nada contra charuto! Mas, reconheçamos, o cubano Cohiba não é hábito das nossas queridas meninas, a começar pelas inteligentes comentadoras deste blog. E, embora charutando, creio que nenhuma delas diria o que essa madame disse sobre o acidente, nem andaria por aí às baforadas como se a vida fosse uma festa 24 horas por dia (para os petralhas, sei que é).
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30 anos sem Elvis. Mas será mesmo? | ![]() |



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Nero | ![]() |

“Sentia-se cada vez pior. Agora nem a cabeça sustinha de pé. Por isso encostou-a ao chão, devagar. E assim ficou, estendido e bambo, à espera. Tinha-se despedido já de todos. Nada mais lhe restava sobre a terra senão morrer calmo e digno, como outros haviam feito a seu lado. É claro que escusava de sonhar com um enterro bonito, igual a muitos que vira, dentro dum caixão de galões amarelos, acompanhado pelo povo em peso… Isso era só para gente, rica ou pobre. Ele teria apenas uma triste cova no quintal, debaixo da figueira lampa, o cemitério dos cães e dos gatos da casa. E louvar a Deus apodrece.: a dois passos da cozinha! A burra nem sequer essa sorte tivera. Os seus ossos reluziam ainda na mata da Pedreira. Chuva, geada, sincelo em cima. Até um lebrão descarado se fora aninhar debaixo da arcada das costelas, de caçoada! Ah, sim, entre dois males… Já que não havia melhor, ficar ao menos ali. No tempo dos figos, pela fresca, a patroa viria consolar a barriga. Gostava de figos, a velhota. E sempre se sentiria acompanhado uma vez por outra. Não que fizesse grande finca-pé naquela amizade. Longe disso. A menina dos seus olhos era a morgada, a filha, que o acariciava como a uma criança. A velha toda a vida o pusera a distância. Dava-lhe o naco da broa (honra lhe seja), mas borrava a pintura logo a seguir: - Ala! E ele retirava-se cerimoniosamente para o ninho. Só a rapariga o aquecera ao colo quando pequeno, e, depois, pelos anos fora, o consentira ao lume, enroscado a seus pés, enquanto a neve, branca e fria, ia cobrindo o telhado. O velho também o apaparicava de tempos a tempos. Se a vida lhe corria e chegava dos bens de testa desenrugada, punha-lhe a manápula na cabeça, meigamente, e prometia-lhe a vinda do patrão novo. Porque o seu verdadeiro senhor era o filho, um doutor, que morava muito longe. Só aparecia na terra nas férias de Natal. Mas nessa altura pertencia-lhe inteiramente. Os outros apenas o tratavam, o sustentavam, para que o menino tivesse cão quando chegasse. Apesar disso, no íntimo, considerava-se propriedade dos três: da filha, do velho e da velha. Com eles compartilhara aqueles longos oito anos de existência. Com eles passara Invernos, Outonos e primaveras, numa paz de família unida. Também estimava o outro, o fidalgo da cidade, evidentemente, mas amizades cerimoniosas não se davam com o seu feitio. Gostava era da voz cristalina da dona nova, da índole daimosa da patroa velha e da mão calejada do velhote.
- Tens o teu patrão aí não tarda, Nero…
O nome fora-lhe posto quando chegou. Antes disso, lá onde nascera, não tinha chamadoiro. Nesse tempo não passava dum pobre lapuz sem apelido, muito gordo, muito maluco, sempre agarrado à mama da mãe, que lhe lambia o pêlo e o reconduzia à quentura do ninho, entre os dentes macios, mal o via afastar-se. Pouco mais. Com dois meses apenas, fez então aquela viagem longa, angustiosa, nos braços duros dum portador. Mas à chegada teve logo o amigo acolhimento da patroa nova. Festas no lombo, leite, sopas de café. De tal maneira, que quase se esqueceu da teta doce onde até ali encontrava a bem aventurança, e dois irmãos sôfregos e birrentos.
- Nero! Nero! Anda cá, meu palerma!
A princípio não percebeu. Mas foi reparando que o som vinha sempre acompanhado de broa, de caldo, ou de um migalho de toucinho. E acabou por entender. Era Nero. E ficou senhor do nome, do seu nome, como da sua coleira.
[…]
Lá dentro frigiam carne. Ouvia bem o chorriscar da gordura na sertã. Dantes, seria o bastante para lhe correr a baba pela barbelas abaixo. Agora, só a lembrança de torresmos dava-lhe volta ao estômago. Uma perfeita ruína! Estava podre por dentro e por fora… Raio de vida! E o malandro do galo a galar a galinha! Tivesse ele procedido doutra maneira, quando o parvo era frangote, e já então cheio de proa, e não estaria agora o demo a fazer-lhe macaquices. Mas era feio um navarro dar um apertão num frango. Saiba um homem respeitar-se. Que grande dor de cabeça!... Que peso medonho na arca do peito!... E o corpo mole, sem acção…
Aí vinha a patroa nova observar o andamento daquilo…
Fechou os olhos. Sempre gostava de ouvir o que diria quando o visse como morto…
Ela chegou-se e ficou silenciosa.
Por uma fresta das pestanas espreitou-lhe a cara. Chorava. Desceu novamente as pálpebras, feliz.
E à noite, quando o luar dava em cheio na telha vã da casa, e os montes de S. Domingos, lá longe, pareciam ter já saudade das suas patas seguras e delicadas, quando o cheiro da última perdiz se esvaiu dentro de si, quando o galo cantou a anunciar a manhã que vinha perto, quando a imagem do filho se lhe varreu do juízo, fechou duma vez os olhos e morreu.”
Miguel Torga
Nero de “Bichos”
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o corpo é tremor | ![]() |
O corpo é tremor
Atrelagem alada de postura condensada
sombra solar penetrante a cada circunvolução
o pé liberto do nódulo arrasta os chãos, querer obscuro
A beleza e o cheiro do gozo arrepiam o conflito do útero
Despreza-se o aqui-vital
A espada em jogo só ouve elogios
opaco, o silêncio ainda não perdura sem luz natural
tropismo fálico, desata e liga a vida em sangue nascente
Afonso Alves
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Sem tempo para esperar | ![]() |
Há doentes com cancro à espera mais de
um ano. Em Setúbal, uma cirurgia a um
cancro do cólon e recto é feita em oito meses e, no caso do cancro
da cabeça e pescoço, dispara para 13,1 meses.
“Diário
Digita”
Correia de Campos
satisfeito com redução das listas de espera. Duzentos
e oito mil doentes continuam a aguardar por uma cirurgia, mesmo
assim são menos 17 mil do que em Dezembro do ano passado. Correia
de Campos considera que estes valores já não envergonham Portugal.
“TSF”
Gostava de saber o que pensam aqueles que vêm os temores a
espalharem-se e o seu tempo de vida a escoar-se enquanto aguardam
por uma cirurgia. Também gostaria de saber o que pensaria e faria o
Sr. Ministro se o doente fosse ele ou alguém da sua família.
Certamente que não ficaria à espera que a morte chegasse e seria
rapidamente operado numa qualquer clínica de luxo cá ou lá por
fora. Se tivesse de utilizar os serviços que tutela talvez se
sentisse revoltado. Se fossem mas é à merda com as estatísticas
“que não nos envergonham” faziam muito melhor.
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Uma profissão de futuro | ![]() |
A simpatia
daqueles que visitam este espaço não para e recebemos mais um texto
sobre educação que considero merecer aqui divulgação. Como sempre,
assinei só com as iniciais dos autores, por não saber se gostariam
de ver o seu nome aqui colocado.Mas agora inventou-se uma saída gira , para o excesso de professores que agora, depois de uma vida dedicada ao ensino são chutados para o lixo, esquecendo-se quem manda que, sem professores, ninguém saberia escrever o seu próprio nome, e se calhar era melhor: criou-se uma coisa chamada de Professor Titular e depois há os que têm título e os que não têm. Mas os que conseguirem o tão almejado título, ficam na mesma, não têm qualquer remuneração acrescentada, mas passarão a ter muito mais trabalho pois só a eles é permitido o desempenho de certos cargos. Talvez os outros não tenham «enquadramento» – expressão oficial, ou será que quiseram dizer perfil? Mas até à data desempenharam com garra e mérito os cargos de que foram sucessivamente sendo encarregados. Agora, arbitrariamente só contam para esta « progressão» os últimos sete anos de carreira. Porquê os últimos sete, e não os dez, ou os sete do meio ou os primeiros sete? Já se viu alguma promoção não ser baseada no curriculum? Mas manda quem pode e a D. Lurdes é que sabe. Por isso, ficou um panorama docente curioso, nas escolas: professores com metade do tempo de serviço, com curriculum menor ficaram à frente de professores muito mais velhos na carreira, mas que nestes ditos sete anos, foram simplesmente professores ou desempenharam cargos de « não enquadramento» Como se actua num país sem Lei, onde os mais velhos e experientes correm o risco de ir parar ao cesto dos papéis, porque alguém concebeu uma forma de progressão aleatória, ignóbil, injusta. É este o nosso Estado de Direito? E se nesses sete anos, o professor tiver prestado serviço num sindicato, alto que é homem a abater. E então, não pode passar a professor titular, contra toda a legislação que considera esse trabalho equiparado a serviço docente. Assim vivam os actuais titulares que estiveram uma vida inteira numa biblioteca porque não gostavam de dar aulas, vivam! Vivam os que foram encarregados de serviços quase administrativo porque eram incapazes de manter a disciplina dentro da sala de aula, vivam. Vivam todos e viva a D. Lurdes que Deus lhe conserve a sagacidade política e o discernimento legal. Vivam que o povo é sereno !
Depois queixem-se que o ambiente é de cortar à faca! Se se incrementam desta forma as irregularidades e ilegalidades entre professores querem depois bom ambiente e interajuda? Querem melhorar assim a qualidade do ensino, promovendo a inépcia, a inexperiência quiçá a mediocridade?
Quem cá dera o mundo de Orson Wells, onde o Porco chefe organizava a quinta...
Parabéns, D. Lurdes, a senhora percebe disto, o ensino irá longe consigo. Vivam as telenovelas, e os Big Brothers deste país que distraem o povo e o mantêm sereno.
Puseram-nos lá...aturem-nos e amanhem-se que eu não percebo nada disto.
U.C.N.
Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17
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Um pensamento para amanhã | ![]() |
Boas.
Outro dia em conversas profundamente literárias e intelectuais
sem óculos com Pedrão, referi que tinha comprado um livro de
Manuel da
Fonseca chamado "Pessoas na Paisagem". Quando reparei ele tinha
tido uma ideia (ou memória, neste caso) brilhante e diz: pá, esse
man foi o que escreveu um poema brutal que Mário Viegas disse...
acho que se chama "Domingo" ou algo assim... não te lembras?
"Mariazinha santos, a costureirinha..." - Foi aí que fiz clique e
me recordei de que poema era... e, sem dúvida, é brutal.
Aqui fica a homenagem.
Domingo
Manuel da Fonseca
Quando chega domingo,
faço tenção de todas as coisas mais
belas
que um homem pode
fazer na vida.
Há quem vá para o pé das águas
deitar-se na areia e não pensar...
E há os que vão para o campo
cheios de grandes sentimentos bucólicos
porque leram, de véspera, no boletim do jornal:
«Bom tempo para amanhã»...
Mas uma maioria sai para as ruas pedindo,
pois nesse dia
aqueles que passeiam com a mulher e os filhos
são mais generosos.
Um rapaz que era pintor
não disse nada a ninguém
e escolheu o domingo para se matar.
Ainda hoje a família e os amigos
andam pensando porque seria.
Só não relacionam que se matou num domingo!
Mariazinha Santos
(aquela que um dia se quis entregar,
que era o que a família desejava,
para que o seu futuro ficasse resolvido),
Mariazinha Santos
quando chega domingo,
vai com uma amiga para o cinema.
Deixa que lhe apalpem as coxas
e abafa os suspiros mordendo um lencinho que sua mãe lhe
bordou,
quando ela era ainda muito menina...
Para eu contar isto
é que conheço todas as horas que fazem um dia de domingo!
À hora negra das noites frias e longas
sei duma hora numa escada
onde uma velha põe sua neta
e vem sorrir aos homens que passam!
E a costureirinha mais honesta que eu namorei
vendeu a virgindade num domingo
— porque é o dia em que estão fechadas as casas de penhores!
Há mais amargura nisto
que em toda a História das Guerras.
Partindo deste principio,
que os economistas desconhecem ou fingem desconhecer,
eu podia destruir esta civilização capitalista, que inventou o
domingo.
E esta era uma das coisas mais belas
que um homem podia fazer na vida!
Então,
todas as raparigas amariam no tempo próprio
e tudo seria natural
sem mendigos nas ruas nem casas de penhores...
Penso isto, e vou a grandes passadas...
E um domingo parei numa praça
e pus-me a gritar o que sentia.
mas todos acharam estranhos os meus modos
e estranha a minha voz...
Mariazinha Santos foi para o cinema
e outras menearam as ancas
— ao sol como num ritual consagrado a um deus! —
até chegar o homem bem-amado entre todos
com uma nota de cem na mão estendida...
Venha a miséria maior que todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu fique rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras;
venha a ânsia do peito para os braços!
E vou a grandes passadas
como um louco maior que a sua loucura...
O rapaz que era pintor
aconchegou-se sobre a linha-férrea
para que a morte o desfigurasse
e o seu corpo anónimo fosse uma bandeira trágica
de revolta contra o mundo.
Mas como o rosto lhe estava intacto
vai a família ao necrotério e ficou aterrada!
Conheci-o numa noite de bebedeira
e acho tudo aquilo natural.
A costureirinha que eu namorei
deixava-se ir para as ruas escuras
sem nenhum receio.
Uma vez que chovia até entrámos numa escada.
Somente sequer um beijo trocámos...
E isto porque no momento próprio
olhava para mim com um propósito tão sereno
que eu, que dela só desejava o corpo bem feito
me punha a observar o outro aspecto do seu rosto,
que era aquela serenidade
de pessoa que tem a vida cheia e inteira.
No entanto, ela nunca pôs obstáculo
que nesse instante as minhas mãos segurassem as suas.
Hoje encontramo-nos aí pelos cafés...
(ela está sempre com sujeitos decentes)
e quando nos fitamos nos olhos.
bem lá no fundo dos olhos,
eu que sou homem nascido
para fazer as coisas mais heróicas da vida
viro a cabeça para o lado e digo:
— rapaz, traz-me um café...
O meu amigo, que era pintor,
contou-me numa noite de bebedeira:
— Olha, quando chega domingo,
não há nada melhor que ir para o futebol...
E como os olhos se me enevoassem de água,
continuou com uma voz
que deve ser igual à que se ouve nos sonhos:
— .... no entanto, conheço um homem
que ia para a beira do rio
e passava um dia inteirinho de domingo
segurando uma cana donde caia um fio para a água...
... um dia pescou um peixe,
e nunca mais lá voltou...
O pior é pensar:
que hei-de fazer hoje, que toda a gente anda alegre
como se fosse uma festa?...
O rapaz que era pintor sabia uma ciência rara,
tão rara e certa e maravilhosa
que deslumbrado se matou.
Pago o café e saio a grandes passadas.
Hoje e depois e todos os dias que vierem,
amo a vida mais e mais
que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!
Mariazinha Santos,
que vá para o cinema morder o lencinho que sua mãe lhe
bordou...
E os senhores serenos, acompanhados da mulher e dos filhos,
que parem ao sol
e joguem um tostão na mão dos pedintes...
E a menina das horas longas e frias
continue pela mão de sua avó...
E tu, que só andas com cavalheiros decentes,
ó costureirinha honesta que eu namorei um dia,
fita-me bem no fundo dos olhos,
fita-me bem no fundo dos olhos!
Então,
virá a miséria maior que todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu ficarei rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras:
e virá a ânsia do peito para os braços!
Domingo que vem,
eu vou fazer as coisas mais
belas
que um homem pode
fazer na vida!
josé de arimateia, pensando no amanhã
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palavra light = 0% de assunto (9) | ![]() |
Mas o tempo é generoso porque se encaixa na nossa vida permitindo tê-la, porque se deixa passar ao mesmo tempo que nos vai oferecendo cada vez mais. O tempo passa mas deixa-se ficar visível na nossa cara e no nosso corpo, até à alma.
Mas o tempo abre asas para que possamos viajar na nossa nostalgia.
Espero sempre ter tempo de dar ao tempo o que o tempo já me deu.
Sanzalando
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Uma causa de todos | ![]() |
«Movimento de Trabalhadores Portadores de Deficiência em Defesa dos Benefícios Fiscais
Aquando da discussão do Orçamento de Estado para 2007, o Governo lançou um violento ataque contra 39 000( número do Governo) "deficientes privilegiados" que vão deixar de poder excluir da tributação do IRS 50% do rendimento anual (com o limite de 13 744 euros), para passar a deduzir à colecta unicamente um montante equivalente a 3 salários mínimos qualquer que seja o rendimento. Ainda que essa não fosse a intenção inicial do Governo, que pretendia que a medida entrasse em vigor pleno já em 2007, acabou por ser criado um periodo de transição para 2007 (isenção de 20% do rendimento ) e 2008 ( 10% ) ( no nosso site encontrará os cálculos detalhados com as implicações sobre os diferentes escalões de rendimento).
Invocando o argumento de que a poupança assim realizada pelo Estado seria usada em benefício de outras 135 000 ( número do Governo) pessoas com deficiência carenciadas, o Governo conseguiu, muito habilmente, bloquear a reacção dos atingidos, que se sentiram responsabilizados pelas pensões sociais miseráveis que são atribuidas às pessoas com deficiência dependentes e às que não puderam aceder ao mercado de trabalho.
O Governo optou, assim, por redistribuir os já escassos recursos de apoio às pessoas com deficiência exclusivamente entre as próprias, em vez de fazer incidir sobre, por exemplo, os contribuintes mais ricos esse esforço de solidariedade. Moralmente, não estamos muito longe das antigas leprosarias em que os próprios leprosos tinham de cuidar uns dos outros.
Nenhum trabalhador está livre de ter um acidente ou de contrair uma doença incapacitante. Se mesmo nessas circunstâncias continuar a trabalhar, vai constatar que o seu novo modo de vida se tornou muito mais dispendioso. Para além dos tratamentos e apoios técnicos, com custos mais ou menos elevados consoante o tipo e grau de deficiência – muitos deles nem sequer comparticipados pelo Estado – passará a dispender muito dinheiro com os transportes, com o apoio domiciliário para o desempenho de tarefas quotidianas, e com muitos outros pequenos "nadas" que somados são uma fortuna.
Ou seja, um trabalhador portador de deficiência a desempenhar uma determinada função, para comprar com o seu salário uma qualidade de vida e um bem estar "equiparável" a um não deficiente tem de ganhar significativamente mais. Por isso consideramos justo que o benefício fiscal em sede de IRS esteja relacionado com o vencimento auferido pelos demais trabalhadores a desempenhar as mesmas funções.
A nossa esperança média de vida é mais baixa do que a esperança de vida dos não deficientes. Mas descontamos o mesmo para a Segurança Social e CGA, pagando um horizonte de vida que não temos. Curiosamente, o Governo não se lembrou deste aspecto quando recentemente agravou as condições de reforma justamente por causa da maior longevidade dos trabalhadores.
Ao iniciarmos este movimento em defesa dos benefícios fiscais que auferimos desde 1988 – e para o qual vamos pedir o apoio das associações de pessoas com deficiência e dos sindicatos – fazemo-lo com a certeza de estarmos a lutar por um direito e não por uma benesse.Pedimos às pessoas com deficiência que o Governo fez passar por privilegiados, para sairem do seu mutismo e se juntarem a nós.
Vamos utilizar a Internet como meio para nos organizar e comunicar . Estamos a iniciar um site onde colocaremos toda a informação ( provisóriamente o site está localizado em http://xbarreiros.no.sapo.pt/mtpd-bfiscais/)e temos um email mtpd.bfiscais@gmail.com que devem usar para nos contactar.»
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À Conquista! | ![]() |
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Barcelona, Portugal, Salvia e outros delírios absolutos em semelhança | ![]() |


Viajar é estranho. Entrei num avião e, passada uma hora, estou do outro lado, 1500 quilómetros mais longe: outro ar, outra gente, outra cidade infinitamente maior e mais urbana. Fez-me bem ver o avião a levantar, a sobrevoar a cidade em que vivo e a afastar-se deixando para trás problemas, traições – a falsidade com que me encheram os olhos durante tanto tempo. ZUUMMMMMMMM – lá ia eu a caminho de algo diferente. Movido pelo incessante egoísmo que fecha os olhos das pessoas omito da parte inicial deste relato Jesus Rodriguez, meu companheiro de viagem. Enfrentou muito melhor o pânico inicial do voo: eu agarrei-me firmemente à cadeira na esperança de que ela amparasse a minha queda. Jesus já aparece novamente um pouco mais longe neste relato.
No aeroporto tivemos o nosso primeiro desaire: uma máquina telefónica manhosa comeu-nos a pasta com que iríamos ligar para Jone… Digo-vos, as cabines de “lá” são ainda mais manhosas do que as de cá. Parecem blindadas e têm um insaciável apetite. Jesus e o seu magnífico telemóvel ligaram e recebemos as nossas coordenadas: Entrar no bus, ir sempre e sair em Urgell; ele estaria lá à nossa espera. Primeiras impressões: bem, essas foram tiradas do ar e aquilo que vi foi uma cidade enorme atravessada por avenidas e perpendiculares; mar, muito mar; carros formigas a mexerem-se pelas ruas; um sol enorme e brilhante. Boas vibrações. Em terra foi o atravessar o trânsito num veículo com ar condicionado: túneis, motas, carros, tráfego a meio da tarde; vias rápidas, sinais em catalão; paragem súbita numa via elevada; conversas em francês e inglês e línguas bizarras e impronunciáveis; dois portugueses a olhar para tudo e a estabelecer o plano de jogo. Lá fora a vida dos “nativos” decorre normalmente entre bicicletas e motas e um delírio apressado pós siesta. Bom!

Reencontro. A casa é perto e precisamos de comprar comida. A comida nem é assim muito cara. Deixamos as coisas em casa e vamos comprar… assim lá para os lados do MACBA. Passear pela cidade à tarde. Ramblas, turistas, nativos, estranhos e estrangeiros; um cota de cerca sessenta anos vestindo unicamente uma daquelas palas verdes que usaria um notário americanos nos anos ’20 e um piercing enorme e refulgente na ponta da gaita a passear, a aproveitar o sol de fim de tarde para escurecer mais a sua t-shirt e calção tatuados… Estranho, mas faz todo o sentido. Niña’ guapa’ que olham e fixam o olhar e sorriem porque é belo sorrir e está calor e respira-se sexualidade no ar. Bom! somos jovens, para quê recear o julgamento? Homens estátua e estátuas de homens, gatos gigantes, olho para trás para ver melhor a rapariga que acaba de passar (e não, não és tu; aquela que eu procuro e secretamente gostava de ter aqui para partilhar da minha loucura contida) e que olhou para mim como quem não me via, mas eu sei que ela me viu pela forma como desviou o olhar, pracinhas pequenas e arejadas… árvores e sombras providenciais. Na Plaza Reial uma fonte, frescura, turistas em delírios fotográficos e eu e Jesus (perdoe-se a piada, mas estava mesmo bem acompanhado!), fugimos do ajuntamento deixando para trás a homenagem a Garibaldi e as palmeiras e a frescura da fonte.

Há muita coisa de que eu não vou falar. Talvez tenha chegado a
idade em que prefiro guardar dentro de mim o que vejo penso e faço
porque é demasiado real para transmitir aos outros. Mas vou
escrever aqui as únicas linhas que escrevi em Barcelona, apesar de
toda a minha boa vontade. Vou só explicar o que tinha acontecido no
dia anterior: tínhamos ido visitar a Gracia, eu, Jesus, Jone e sua
senhora. Quando vínhamos embora encontramos uma loja que estava em
liquidação do stock de líquidos; enquanto eles se apaixonaram por
vinho e cava eu vi do lado direito de quem entrava na penumbra
várias garrafas de rum branco que diziam “Don Sorel” a 3 euros. Um
sorriso iluminou-me a face! Após uma noite em que o rum deu cabo de
mim depois de eu lhe ter esvaziado o corpo foram poucas as memórias
"concretas" que restaram. Lembro-me de um bar manhoso e livre e
barato numa casa ocupada, lembro-me também de andar pelas ruas
descalço, cheio de calor a dizer coisas - ou a gritar, as versões
variam. Acima de tudo precisava de um duche frio para aclarar as
ideias. Ganzas e ganzas na praça do MACBA, cerveza/bier gelada, o
primeiro gole entornado no chão para os amigos que não estão, ou se
calhar não foi lá… Quando voltamos a casa sentei-me no sofá. No dia
seguinte, domingo, dei por mim aterrado na sala, sem saber onde
estava quando abri os olhos. Só reconheci e me recordei do que se
passava e onde tudo se passava por causa dos cheiros, dos ruídos.
Tentei ir para o quarto onde era suposto dormir, mas o meu fígado
mal-tratado tinha outras ideias. Ainda para mais a vizinha fritava
peixe e alguém de casa fritava carne… Os cheiros deixavam-me
completamente nauseado. Passei grande parte da manhã a correr da
cama, a evitar calcar Jesus que dormia na paz dos santos no chão do
quarto e a enfiar a cabeça dentro da sanita para tirar de mim o que
quer que estivesse a mais. Alminhas! Apesar de tudo, continuo a
dizer que devia ter comprado duas garrafas daquele álcool açucarado
– era um bom preço.
Portanto, é domingo, 19h40 minutos hora de Barcelona e estamos no
Parc da Ciutadela a descansar, a respirar, a fumar umas brocas e a
ver o que se passa.
“Avenidas ordenadas de árvores de todas as espécies, turistas,
turistas e nativos circenses, pessoal a fazer ganzas discretamente
enquanto os Mossos passam, música de todos os lados, pássaros
verdes vindos de um qualquer deliro sul-americano, uma roda de
capoeira, mulheres lindíssimas. Uma ressaca de rum monstruosa a
pesar-me na cabeça e 5 dias passados em Barcelona. La vida loca
(perdoem a citação de Ricky Martin, mas estava muito ressacado). No
aeroporto nada fazia crer que fosse assim. Eu e Jesus saímos do
avião suados e atrasados uma hora. Milhares de turistas de todos os
tipos: “bifes” com camisolas de futebol, nórdicos já vermelhos e
mal saíram do avião, alemãs grandes com cara de quem te esmaga a
cabeça se não lhes deres o prazer suficiente na altura do orgasmo…
não interessa.”
Foi isto tudo o que escrevi. Não havia tempo: tinha tanto para ver,
tanto para esquecer. Além do mais, para meter Barcelona dentro de
palavras teria de fazer uma enumeração enorme que iria desde o
Bairro Gótico a Barceloneta, passaria pela Plaza Tripi (ou Plaza
George Orwell, calmamente videovigilada), daria uma volta pelas
praias, Champanharia (ai, que grande paulada de Cava e tapas),
Ramblas, Raval e Donnër Raval (reconhecido internacionalmente),
noites compridas e rápidas, duas turistas inglesas, uma alta e
cheia de pinta a outra uma porquinha pequenina, com medo de serem
violadas por um Paquistanês mal-intencionado e de olhar homicida
que as seguia – correm na tua direcção com as suas mini-saias e
maquilhagem e recusam a tua ajuda por receio que sejas um português
sádico que lhe vá levantar as saias no átrio do hotel para as
possuir à força no elevador (não fui eu que disse isto), Bairro da
Inês, cheiro a absinto e putas baratas que te agarram e tentam
convencer à força de que tens força na verga apesar de todo o
álcool, turistas, agressões entre gritos e garrafas partidas,
transsexuais encostados perto dos hóteis fixes e ingleses bêbedos
que se enganam até ao momento em que metem a mão e lhes gritam
“SURPRESA!”… Chavalos e chavalas a ler o Harry Potter e a chorar
com a morte do herói… JK Rowling, os meus parabéns por teres
ascendido de escrava de um ressacas a escravizadora de imaginações.
Brutal.

Morreria de falta de ar antes de conseguir acabar esta enumeração,
o que por si não diria nada ou talvez tudo sobre a cidade…

(No meio de toda esta grandeza libertadora, no
vórtice do anonimato e apesar de todas as palavras que me enchiam a
boca de libido, eras tu quem eu via nos suaves corpos com que me
cruzava. Eram as pistas que me reconduziram a ti que eu procurava.
Porque "nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva. - Porém, tu sempre me
incendeias".)
Ainda tive oportunidade de ver um ensaio de algo definido como
chill-out psicadélico: cítara, guitarra e percussão… Catita! Jone
tem sorte com a casa que encontrou. Agora só precisa de uma casa
para dar largas ao desespero de quem quer viver tudo.
Ainda não compreendi muito bem o que me aconteceu por lá, mas algo
aconteceu. Algo de importante. Isso só se tornou totalmente
compreensível há bem pouco tempo, quando recebi uma mensagem para
aparecer no Piolho. Rever um amigo, beber umas cucas, falar um coto
na esplanada do 77. Nesta altura não fazia ideia de como a noite
iria acabar: no Jardim de Soares dos Reis, com uma gigantesca
paulada de salvia x20 e uma noite que arrefecia a cada momento que
passava.
Quando se sente a pele aspirada do corpo e o mundo todo a fundir-se
em sombras e luz que tomam forma num silêncio que sabes corrompido,
compreendes a unidade de tudo; a beleza individual de cada
partícula que compõe o universo visível e invisível que te rodeia e
a necessidade de todas as partículas para a criação de algo tão
belo como o mundo. É só saber aproveitar as coisas boas que este
tem para oferecer.
Portugal parece-me mais pequeno e tacanho desde que voltei… mas não
tem problema. Há sempre alguém a quem podemos ligar quando o mundo
se aperta à nossa volta, right baby? E podemos sempre dar a
fuga…
Gostaria de acrescentar aqui um abraço a Jesus porque me aturou
vários dias e ninguém sabe como eu como isso é difícil; a Jone e a
companheiros de casa pela hospitalidade; à sua senhora pelo jantar;
à minha senhora pela confiança e por ter esperado; ao mundo por ser
uma coisa bonita com a qual uma pessoa se consegue tornar mais
sábia.
josé de arimateia, numa paz relativa muito, mas muito agradável
PS- agradeço ao meu alter ego "quase." a cedência de todas as fotos deste post
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"Doh!" digo eu Em tudo o que é jornal ou blogue, ... | ![]() |
Em tudo o que é jornal
ou blogue, vejo comentários laudatórios ao “Simpsons – The Movie”.
Ainda não vi o filme. Ou melhor, não vou ver o filme. Nunca percebi
muito bem o fenómeno Simpsons. Sim, a série é bem escrita. Sim, os
bonecos amarelos criticam a sociedade norte-americana contemporânea
de uma maneira arejada. Sim, as referências culturais da série são
por vezes bem esgalhadas. Mas nada do que foi feito até agora nos
Simpsons se aproxima sequer àquela que, para mim, é e sempre será a
melhor série de comédia de sempre: All In The Family.
Aliás, todo o núcleo familiar dos Simpsons é claramente inspirados
nas personagens da mítica sitcom na CBS. Se juntarem short
minded atitude do Homer e o mau feitio do Bart, têm o Archie
Bunker. Se juntarem os bons sentimentos da Glória e a inclinação
liberal de Esquerda do Michael Stivic têm a Lisa Simpson. E mulher
do Homer não passa de uma Edith Bunker um pouco menos lerda. Até o
famoso sofá onde o Bart Simpson passa a vida é igual à mítica
poltrona do Archie Bunker, que está exposta – como são diferentes
os museus norte-americanos dos portugueses – no Smithsonian
Institution (não estou a acusar os Simpsons de plágio, tudo isto é
mais ou menos assumido pelo próprio Matt Groening, que fez mesmo,
ao que sei, um episódio dos Simpsons dedicado ao All In The
Family). Acontece que uma coisa é falar de homossexualidade,
droga, álcool e preconceitos raciais em meados dos anos 80, quando
começou os Simpsons, altura em que tudo era possível (se não
acreditam, vejam o delirante Bachelor Party, de 1984,
em que o Tom Hanks acaba enfiado numa orgia de sexo, álcool e
drogas com um burro). Outra coisa é fazê-lo no início dos anos 70.
Para mais, em termos de politicamente correcto, o Bart Simpson,
comparado com o Archie Bunker, é o Daniel Sampaio (amarelos por
amarelos, fico com o Duckman, esse pato detective que
faria corar de vergonha o próprio Dave Chapelle, a única série de
animação que adorei desde que deixei de ser criança). Querem
perceber a diferença entre os Simpsons e o All In The
Family. O Homer Simpson passa os episódios a dizer “doh!”. O
Archie Bunker passa os episódios a dizer coisas como “the atheist
religion don't believe in the bible” ou – preparem-se para Archie
Bunker no seu melhor - “California is the home of where is gonna
occur the world's worst cat-a-strofe… sittin' on a shelf out there…
three states on that shelf, California, Oregon and Missouri. The
day of the biggest earthquake… those three states are gonna be
shoved right offa that shelf there. They call that the "Continental
Divide. The Pope knew about this years ago. He said it was St.
Andrew's fault”. Rest my briefcase, como diria o velho Archie.PS: Para perceberem um pouco melhor a minha adoração por All In The Family, vejam, por exemplo, isto. Nem o Howard Hawks no Is Girl Friday faria melhor.
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Francamente | ![]() |
Andam muito zangados, passam a vida à porrada, mas quando se trata de coisas que lhes são queridas e importantes, são verdadeiros compinchas. O que me chateia mais é que liguem tão pouco a esses 300 milhões e se preocupem tanto em enviar-me cartas a avisar que tenho uma divida de 4 cêntimos de impostos. Não é tanto pelos 4 cêntimos mas, quem sabe se acabasse a mama franca, não me poderiam poupar o incomodo. Ou isso, ou, quem sabe, não voltarem a aumentar os impostos sobre a gasolina, ou baixarem-nos impostos, sei lá, qualquer parvoíce destas. Mas não, preferiram deixar a trabalhar a máquina de lavar da Madeira para alegria de todos...eles.
Contributo para o Echelon: 15kg, DUVDEVAN
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Vidro inteligente | ![]() |
- Em Madrid, investigadores da Escuela Técnica Superior de Ingenieros Aeronáuticos de la Universidad Politécnica desenvolveram um vidro especial (Inteliglass) que faz estabilizar a temperatura interior dos edifícios, reduzindo o consumo de ar condicionado.
- A Junta de Castilla-La Mancha diz que a situação das águas do Tejo é crítica e apela aos governos de Valencia e de Murcia para avancarem com um projecto de dessalinização porque está provado que o transvase do Tejo não tem futuro.
- Na China, o golfinho do rio Yangtze foi dado como extinto. Os cientistas dizem que a caça, a pesca e o intenso movinmento de navios foram os responsáveis.
- Na China, o presidente do Comité Olímpico Internacional, Jacques Rogge, admitiu que a poluição do ar de Beijing poderia fazer adiar eventos a céu aberto, como o ciclismo, durante os jogos olímpicos de 2008.
- Na China, os polícias de trânsito têm uma esperança de vida de 43 anos por causa da poluição, do ruído e do stress.
- Na Austrália, a Sydney Opera House poderá precisar de um dique para a proteger da constante subida do nível das águas.
- No Japão, a fuga radioactiva da central nuclear de Kashiwazaki-Kariwa provocada pelo terramoto de 16 de Julho, pode não ter tido efeitos sobre as pessoas, como as autoridades querem fazer crer, mas o comércio local está a ressentir-se.


