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Ocorrências de melhor


Liga Inglesa : 1 ª jornada - Vitórias suadas de Chelsea, Arsenal e Liverpool . Campeão arranca com empate

Essien deu vitória a Mourinho

Está de regresso o mais excitante campeonato da europa de momento, a Liga Inglesa, que ano-após-ano fideliza cada vez mais portugueses junto da telinha ou aqui no Desportugal (pois é !), muito por culpa do fluxo dos melhores jogadores do nosso campeonato para a Premiership.

Logo nesta primeira jornada, uma surpresa, com o Manchester United a ceder um empate a zero em casa, frente ao modesto Reading e a deixar os seus grandes rivais. Chelsea, Arsenal e Liverpool fugir na tabela, fruto das suas vitórias sofridas.

Com Cristiano Ronaldo e Nani no banco de suplentes, o United dispôs das melhores oportunidades da etapa inicial. Aos 24 minutos, Ronaldo ultrapassou Stephen Hunt e cruzou para a área, onde apareceu Ryan Giggs a rematar ao poste, perdendo-se o lance pela linha final. Pouco depois, Wayne Rooney errou por pouco o alvo e seria obrigado a sair ao intervalo, em virtude de ter fracturado o pé esquerdo no final da primeira metade.

Alex Ferguson proporcionou então a estreia no campeonato ao jovem lusitano, o único homem com características marcadamente atacantes de que dispunha, mas não obstante o intenso domínio os “red devils” continuaram a não conseguir marcar. Com Louis Saha lesionado e ainda sem Carlos Tévez, o treinador do campeão substituiu Mikaël Silvestre, igualmente devido a lesão, por John O’Shea e deu ordens para o defesa irlandês jogar na área contrária.

Nani, que actuou na esquerda, tentou a sorte de longe, aos 68 minutos, mas o seu remate saiu ligeiramente ao lado, após mais uma boa combinação com o compatriota Ronaldo. Dave Kitson entrou aos 72 minutos na formação de Steve Coppell e 37 segundos depois fez falta dura sobre Patrice Evra e recebeu ordem de expulsão. O Reading pouco mais fez do que defender e apenas na parte final do encontro obrigou Edwin van der Sar a fazer a primeira intervenção da tarde, na sequência de um lance de bola parada. A um minuto do final, Nani foi derrubado perto da área, mas o guardião Marcus Hahnemann, a principal figura do jogo, defendeu o livre directo de Ronaldo, a jogar a ponta-de-lança após a saída de Rooney, e Paul Scholes não conseguiu a emenda.

O Chelsea com apenas um português na equipa, Ricardo Carvalho, derrotou a formação recém-promovida do Birmingham por 3-2, conseguindo um novo recorde de 64 jogos consecutivos sem perder em casa. A formação de Mourinho teve que dar a volta ao resultado de modo a bater a anterior marca de invencibilidade, pertencente ao Liverpool, conseguida entre Fevereiro de 1978 e Dezembro de 1980.

O Birmingham surpreendeu a Stamford Bridge ao marcar o primeiro tento da tarde, aos 14 minutos, quando Mikael Forssell, antigo ponta-de-lança do Chelsea, deu a melhor sequência ao cruzamento de Gary McSheffrey. Claudio Pizarro (17) e Florent Malouda (30) marcaram ambos na estreia no campeonato e viraram a contenda. No entanto, os forasteiros levaram a partida empata para o intervalo através de um espectacular golo de Olivier Kapo, aos 35 minutos. Mas a palavra final pertenceria aos “blues, pois cinco minutos após o reatamento Michael Essien fixou o resultado.

Já o Arsenal teve também que suar para vencer no Emirates Stadium, precisando de dois golos nos derradeiros seis minutos para impedir o Fulham de causar surpresa na primeira jornada. A formação da parte ocidental de Londres adiantou-se logo no minuto inicial, depois de um pontapé falhado por parte de Jens Lehmann ter colocado o esférico à mercê de David Healy que, perto da de baliza, não perdoou. No entanto, uma grande penalidade de Robin van Persie aos 84 minutos e um golo de Aleksandar Hleb nos últimos instantes proporcionaram uma vitória preciosa aos “gunners”, dando-lhes moral para o encontro de quarta-feira com o Sparta Praga, a contar para a Champions League .

O eterno candidato ao título, Liverpool, saiu de Villa Park com os três pontos da vitória, por 1-2, graças a um espectacular golo de Steven Gerrard, na marcação de um fantástico livre directo perto do fim.

Na jogado do prmeiro golo, o ponta-de-lança espanhol Fernando Torres, a mais cara contratação do clube neste defeso, disparou forte, mas o guarda-redes Stuart Taylor negou os intentos de "El Niño", desviando a bola. Kuyt não desistiu do lance e cruzou tenso da linha de fundo para o coração da área, onde o dinamarquês Martin Laursen se atrapalhou e atirou para a sua própria baliza.

O Liverpool dispôs de várias oportunidades e parecia ter o encontro controlado quando aos 84 minutos o árbitro considerou mão na bola de Jamie Carragher dentro da área, numa altura em que Torres, incansável a desgastar a defesa adversária na estreia oficial pela equipa, já não estava em campo. Chamado a converter o penalty, o capitão Gareth Barry não perdoou e empatou a partida. Mas duraram pouco os festejos dos homens da casa, pois imediatamente a seguir, a quatro minutos do fim, Gerrard desferiu um pontapé indefensável a 25 metros da baliza, em zona frontal, e deu à sua equipa três pontos preciosos.

Nos outros desafios destaque para a vitória do Manchester City em Londres frente ao West Ham por 0-2, no dia em que Sven-Göran Eriksson voltou a sentar-se num banco de um clube. O segundo golo do City foi apontado pelo nosso bem conhecido "Soneca" ou melhor Geovanni que passou pelo Benfica .

Pela negativa esteve o Tottenham que perdeu sensacionalmente frente ao Sunderland por 1-0, com o golo a surgir 3 minutos depois dos 90.
Susto foi o que aconteceu com Benni McCarthy (ex-FC Porto) que teve que ser levado para o Hospital depois de ter perdido os sentidos em pleno relvado. O drama do sul-africano serviu de catalisador para a reviravolta do Blackburn Rovers no reduto do Middlesbrough por 1-2, já que Roque Santa Cruz(reforço) marcou logo depois de ter entrado em campo, tendo Derbyshire apontado o tento do triunfo.

Resultados da 1ª jornada da Liga Inglesa - Premiership 2007/2008

Manchester United - Reading, 0-0
Sunderland - Tottenham, 1-0 (Chopra 90')
Bolton - Newcastle, 1-3 (Anelka 50'; N'Zogbia 11', Obafemi Martins 21', 27')
Derby County - Portsmouth, 2-2 (Oakley 5', Todd 84'; Benjani 27', Utaka 83')
Everton - Wigan, 2-1 (Osman 26', Anichebe 75'; Sibierski 80')
Middlesbrough - Blackburn, 1-2 (Downing 31'; Santa Cruz 62', Derbyshire 79')
West Ham - Manchester City, 0-2 (Bianchi 18', Geovanni 87')
Aston Villa - Liverpool, 1-2 (Barry 85' g.p.; Laursen 31' p.b., Gerrard 87')
Arsenal - Fulham, 2-1 (Van Persie 83' g.p., Hleb 90'; Healy 1')
Chelsea - Birmingham, 3-2 (Pizarro 18', Malouda 31', Essien 50'; Forssell 15', Kapo 36')

Classificação da Premiership

1 Chelsea 3 pontos
2 Manchester City 3 pontos
3 Newcastle 3 pontos
4 Liverpool 3 pontos
5 Everton 3 pontos
6 Sunderland 3 pontos
7 Blackburn 3 pontos
8 Arsenal 3 pontos
18 Tottenham 0 pontos
19 Aston Villa 0 pontos
20 Bolton 0 pontos

Vídeos (cada vez mais dificil em virtude das restrições)

Chelsea 3-2 Birmingham
Forssell 15'
Pizarro 18'
Malouda 31'
Kapo 36'
Essien 50'


Arsenal 2-1 Fulham
Healy 1'
Van Persie 83'
Hleb 90'


Aston Villa 1-2 Liverpool
Laursen 31'
Barry 85'
Gerrard 87'



West Ham 0-2 Manchester City
Bianchi 18'
Geovanni 87'



Sunderland 1-0 Tottenham
Chopra 90'


Vem fazer parte da equipa do Desportugal (saber mais neste link)


Foto: AP

Página Inicial


DIÁRIO DE GUERRA DO RAMBONE

Bom, não é novidade para ninguém que depois que abandonei minhas atividades na tropa G.I. Joe Chamyto, não consegui me adaptar muito bem a vida normal.
Passei anos na floresta combatendo o inimigo, depois mais um tanto de anos tentando encontrar o caminho de volta para a minha base militar.

Nem preciso falar que só um valente como eu, para sobreviver a tudo aquilo.

Mas não foi fácil me acostumar com a vida civil. O próprio exército obrigava os ex-combatentes a participar do programa de reabilitação social com acompanhamento psiquiatrico, mas eu achava um saco, só ia porque conseguia uns remédios, aqueles tarja preta bacanudos.

Então em uma dessas visitas ao doutor, ele me aconselhou a fazer tarefas cotidianas, coisas simplinhas que todo mundo faz, como ir ao mercado, pagar conta no banco, cinema, passear no shopping, pegar uma puta e broxar... Enfim, coisinhas normais.

Escolhi, então, ir ao cinema, mesmo porque eu achava as outras coisas cansativas e broxar também, já não era mais novidade para mim.

Resolvi que deveria ver um desses filmes leves, que todo mundo vê e gosta, as chamadas comédias. Sim, era a coisa mais correta a fazer, ver um desses filminhos conhecidos como "água com açucar" e depois tomar um bom lanche. As pessoas normais fazem isso.

Fui ao cinema e perguntei para o cara que vendia os ingressos, qual dos filmes em cartaz era bom e ele me recomendaria. Ele respondeu que não conhecia todos, mas tinha um em especial que era muito engraçado, era com um ator chamado Robin Williams.
Eu não conhecia esse artista, na base secreta dos Chamytos, não tinhamos televisão. Nossa diversão era apenas um cineminha super 8, com filminhos mudos dos palhaços Torresmo e Fimose, e uns cinco ou seis suecos de sacanagem.
Durante a semana assistiamos aos pornôs e de domingo, o dos palhaços, para não enjoar.

Então eu comprei meu ingresso e fui para a sala de espera, mas para evitar pegar fila, preferi entrar no meio do filme.

Sentei ao lado de um gordinho que ria sem parar, então comecei a rir também, mesmo sem ter visto a piada, afinal eu queria passar despercebido e iniciar uma vida normal.


Mas com o passar do filme, eu comecei a achar que aquilo era algum tipo de armadilha. Ainda me certifiquei se estava vendo o filme certo e perguntei para o gordinho, que hora que o tal do Robim Williams aparecia e contava a piada.
Ele disse que era aquele cara ali, vestido de mulher, que se passava por babá.
Daí perguntei se ele já tinha contado a piada que era engraçada, e o gordinho me respondeu que a babá era a piada.

Então aquilo começou a me irritar de verdade, as pessoas riam das coisas mas sem graça! Me pareceu algum tipo de emboscada! Na certa, ao final do filme, eu poderia ter alguma surpresa desagradável!

Resolvi pensar rápido em uma maneira de fugir dali. E graças aos meus anos de experiência como estrategista, olhei tudo ao redor e elaborei um plano eficaz em poucos segundos!


Notei um sujeito ao meu lado com um balde de pipoca, grande o suficiente para que eu colocasse na minha cabeça.
Chamei lhe a atenção e disse se aquele chinelo rosa no chão era dele. Quando ele olhou para baixo, apliquei um eficiente golpe na sua nuca que o fez desmaiar na hora.
Esvaziei o resto da pipoca dentro da sua calça e peguei o balde. Logicamente fiz dois furos precisos para eu poder enxergar, tudo graças ao meu apurado conhecimento de anatomia.

Coloquei o balde na cabeça e pronto, ninguém iria me reconhecer.

Imediatamente, criei uma rápida confusão para que eu pudesse confundir o inimigo e fugir.
Peguei o copo de refrigerante do gordinho e joguei no pessoal das fileiras de trás.

O pessoal começou a xingar, a querer brigar, então dei ínicio a segunda parte do plano, peguei o gordinho pelo pescoço e com a outra mão puxei lhe a cueca violentamente para fora da calça!
Logo, ele era meu refén e eu avisei; "Ninguém dê nenhum um passo ou eu puxo essa cueca até a cabeça do gordinho!!"
Um cara então tentou levantar, mas eu disse; "Não tente bancar o herói, cara!" . E foi assim uma frase de efeito que eu li em uma revistinha de quadrinhos e funcionou muito bem.

Então, fui saindo de lado com o gordinho e quando cheguei na saída da sala, larguei ele e comecei a correr.
Tinha que sumir dali rapidamente, imagina as consequências de ver aquele filme até o fim!!

Notei então um funcionário passando rodo no chão, aproveitei o piso molhado e apliquei um carrinho preciso nele. Quando ele caiu, ainda completei o golpe com um elegante "double nelson" mas na variação solo, devido, obviamente, a minha posição.
Levantei, ligeiro como um cisco, no momento que um segundo funcionário saia do banheiro.
Fechei a mão e lhe apliquei um potente croque na parte superior frontal da cabeça! Esse golpe todos conhecem, desnecessário dizer que usei a técnica conhecida como " Seu Madruga".


Finalmente ganhei o saguão principal e já estava próximo a saída. Pensei em passar na bilheteria e pegar meu dinheiro de volta ou até mesmo me vingar do cara que indicou o filme, mas esses minutos poderiam me ser fatais.
O melhor era fugir dali mesmo!

Mas então surge um segurança na porta! No momento que ele me olhou assustado, apontei para cima e gritei; "Olha o pombo morto!"
Ao olhar na direção que eu apontava, apertei seu nariz violentamente e o soltei.
Essa técnica, por causar apenas um dano temporário ao adversário e não lhe trazer nenhuma sequela permanente, é conhecida como "Gasparzinho, o fantasminha camarada".


Para finalizar, me livrei do balde e sai do cinema de costas. Isso é claro para atordoar alguém que viesse atrás de mim, obviamente, pelo ângulo de visão, iria parecer que eu estava vindo e não indo, confundindo o adversário. Completando ainda o total despistamento, tomei um ônibus errado. Técnicas ninja, é claro.

Bom, não deu muito certo minha ida ao cinema, mas ainda faltava verificar se realmente meu médico não estava envolvido em algum plano para me destruir...

Mas isso fica para outro post.



Vejam-se livres dele

Não interessa que ele seja o melhor jogador da equipa.

Manuel Fernandes não merece estar no Benfica.
Deram-lhe tudo e a resposta é esta.

É o Everton...

Estás a caminho de tera mesma carreira deste senhor:



E depois eu vou-me rir...


Internacional Mourinho vence | Nani e Ronaldo empatam

Sortes distintas para Chelsea e Manchester nos jogos de estreia na Premier League. O Chelsea venceu o Birmingham por três bolas a duas, e bateu o recorde de 64 jogos sem perder em casa, pertença do Liverpool. Em Manchester, o United não foi além de um empate sem golos, com Ronaldo a jogar os 90 minutos e Nani a entrar ao intervalo. O Arsenal venceu com muita dificuldade o Fulham por 2-1.

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Com Ricardo Carvalho a titular e Drogba no banco de suplentes, o Chelsea esteve a perder por 0-1, mas primeiro Pizarro e depois Malouda, duas contratações para a nova época, operaram a reviravolta no marcador. Ainda na primeira parte o Birmingham restabeleceu a igualdade, mas aos 5 minutos da etapa complementar Essien fez o resultado final.

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Em Old Trafford o United desiludiu na estreia, não conseguindo melhor que um empate sem golos frente ao Reading. Do jogo destaca-se a lesão de Rooney que ao intervalo deu o seu lugar a Nani, e a expulsão de Dave Kitson quando o inglês jogava o seu primeiro minuto na partida depois de ter entrado aos 71 minutos.

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Mais cedo e em Londres, o Arsenal sofreu para levar de vencida um rival da cidade, o Fulham. Os gunners estiveram a perder desde o primeiro minuto depois de uma falha de Lehmann, e só nos últimos minutos, primeiro na sequência de um pontapé da marca de grande penalidade apontado por van Persie, e depois já nos descontos pelo bielorusso Hleb, conseguiram virar o resultado.

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Um pensamento para amanhã

Boas.

Outro dia em conversas profundamente literárias e intelectuais sem óculos com Pedrão, referi que tinha comprado um livro de Manuel da Fonseca chamado "Pessoas na Paisagem". Quando reparei ele tinha tido uma ideia (ou memória, neste caso) brilhante e diz: pá, esse man foi o que escreveu um poema brutal que Mário Viegas disse... acho que se chama "Domingo" ou algo assim... não te lembras? "Mariazinha santos, a costureirinha..." - Foi aí que fiz clique e me recordei de que poema era... e, sem dúvida, é brutal.

Aqui fica a homenagem.


Domingo
Manuel da Fonseca

Quando chega domingo,
faço tenção de todas as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida.

Há quem vá para o pé das águas
deitar-se na areia e não pensar...
E há os que vão para o campo
cheios de grandes sentimentos bucólicos
porque leram, de véspera, no boletim do jornal:
«Bom tempo para amanhã»...
Mas uma maioria sai para as ruas pedindo,
pois nesse dia
aqueles que passeiam com a mulher e os filhos
são mais generosos.

Um rapaz que era pintor
não disse nada a ninguém
e escolheu o domingo para se matar.
Ainda hoje a família e os amigos
andam pensando porque seria.
Só não relacionam que se matou num domingo!

Mariazinha Santos
(aquela que um dia se quis entregar,
que era o que a família desejava,
para que o seu futuro ficasse resolvido),
Mariazinha Santos
quando chega domingo,
vai com uma amiga para o cinema.
Deixa que lhe apalpem as coxas
e abafa os suspiros mordendo um lencinho que sua mãe lhe bordou,
quando ela era ainda muito menina...

Para eu contar isto
é que conheço todas as horas que fazem um dia de domingo!
À hora negra das noites frias e longas
sei duma hora numa escada
onde uma velha põe sua neta
e vem sorrir aos homens que passam!
E a costureirinha mais honesta que eu namorei
vendeu a virgindade num domingo
— porque é o dia em que estão fechadas as casas de penhores!

Há mais amargura nisto
que em toda a História das Guerras.

Partindo deste principio,
que os economistas desconhecem ou fingem desconhecer,
eu podia destruir esta civilização capitalista, que inventou o domingo.
E esta era uma das coisas mais belas
que um homem podia fazer na vida!

Então,
todas as raparigas amariam no tempo próprio
e tudo seria natural
sem mendigos nas ruas nem casas de penhores...

Penso isto, e vou a grandes passadas...
E um domingo parei numa praça
e pus-me a gritar o que sentia.
mas todos acharam estranhos os meus modos
e estranha a minha voz...
Mariazinha Santos foi para o cinema
e outras menearam as ancas
— ao sol como num ritual consagrado a um deus! —
até chegar o homem bem-amado entre todos
com uma nota de cem na mão estendida...

Venha a miséria maior que todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu fique rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras;
venha a ânsia do peito para os braços!

E vou a grandes passadas
como um louco maior que a sua loucura...
O rapaz que era pintor
aconchegou-se sobre a linha-férrea
para que a morte o desfigurasse
e o seu corpo anónimo fosse uma bandeira trágica
de revolta contra o mundo.
Mas como o rosto lhe estava intacto
vai a família ao necrotério e ficou aterrada!
Conheci-o numa noite de bebedeira
e acho tudo aquilo natural.

A costureirinha que eu namorei
deixava-se ir para as ruas escuras
sem nenhum receio.
Uma vez que chovia até entrámos numa escada.
Somente sequer um beijo trocámos...
E isto porque no momento próprio
olhava para mim com um propósito tão sereno
que eu, que dela só desejava o corpo bem feito
me punha a observar o outro aspecto do seu rosto,
que era aquela serenidade
de pessoa que tem a vida cheia e inteira.
No entanto, ela nunca pôs obstáculo
que nesse instante as minhas mãos segurassem as suas.
Hoje encontramo-nos aí pelos cafés...
(ela está sempre com sujeitos decentes)
e quando nos fitamos nos olhos.
bem lá no fundo dos olhos,
eu que sou homem nascido
para fazer as coisas mais heróicas da vida
viro a cabeça para o lado e digo:
— rapaz, traz-me um café...

O meu amigo, que era pintor,
contou-me numa noite de bebedeira:
— Olha, quando chega domingo,
não há nada melhor que ir para o futebol...
E como os olhos se me enevoassem de água,
continuou com uma voz
que deve ser igual à que se ouve nos sonhos:
— .... no entanto, conheço um homem
que ia para a beira do rio
e passava um dia inteirinho de domingo
segurando uma cana donde caia um fio para a água...
... um dia pescou um peixe,
e nunca mais lá voltou...

O pior é pensar:
que hei-de fazer hoje, que toda a gente anda alegre
como se fosse uma festa?...
O rapaz que era pintor sabia uma ciência rara,
tão rara e certa e maravilhosa
que deslumbrado se matou.

Pago o café e saio a grandes passadas.
Hoje e depois e todos os dias que vierem,
amo a vida mais e mais
que aqueles que sabem que vão morrer amanhã!

Mariazinha Santos,
que vá para o cinema morder o lencinho que sua mãe lhe bordou...
E os senhores serenos, acompanhados da mulher e dos filhos,
que parem ao sol
e joguem um tostão na mão dos pedintes...
E a menina das horas longas e frias
continue pela mão de sua avó...
E tu, que só andas com cavalheiros decentes,
ó costureirinha honesta que eu namorei um dia,
fita-me bem no fundo dos olhos,
fita-me bem no fundo dos olhos!

Então,
virá a miséria maior que todas
secar o último restolho de moral que em mim resta;
e eu ficarei rude como o deserto
e agreste como o recorte das altas serras:
e virá a ânsia do peito para os braços!

Domingo que vem,
eu vou fazer as coisas mais belas
que um homem pode fazer na vida!


josé de arimateia, pensando no amanhã


Artigo de luxo

Pra iniciar esse blog nada melhor do que falar sobre informação, pois é com esse intuito que eu o criei publicar aqui o que realmente pensamos como profissionais do jornalismo.
Não é todo mundo que pode ter um terno Italiano do Armani, um vestido da Victoria Secret ou um carro da Ferrari, esses são considerados artigos de luxo e não são para qualquer pessoa. Alias muitas delas jamais chegaram perto de um artigo desses. A informação é também um artigo de luxo, muitas pessoas conseguem informações importantes e as usam em beneficio próprio, não compartilham, porque são gananciosos e acreditam ser donos do mundo. Até aqui em Lucas tem “donos do mundo” escondidos atrás de redomas intocáveis. Algumas pessoas já confessaram em publico que sabiam com antecipação da chegada da Sadia aqui, mas só pensaram no que iriam ganhar com isso. E ganharam, foram milhões pagos pela Sadia para estar aqui. Ganhar dinheiro com negócio não ilegal ou errado, mas ganhar dinheiro e ainda posar de mocinho sem ter se preocupado com a população que hoje paga caro por não ter se preparado, se qualificado para compartilhar também desse novo ciclo ai sim é no mínimo injusto. Ao acessar as agencias de emprego on-line fiquei estarrecido ao ver o numero de vagas de emprego abertas em Lucas e sei que muitas pessoas que moram aqui estão hoje desempregadas, outras já partiram por falta de oportunidade. Que progresso é esse que tráz riqueza par uns e dificuldade para outros?
Edgar Savaris - Jornalista TV Luverdense - Canal 5


Barcelona, Portugal, Salvia e outros delírios absolutos em semelhança



Bem, isto é parte de Barcelona vista do Parc Guïnardo. À esquerda temos a Torre Agbar, ao centro a Sagrada Família, à direita Mont Juïc e o MNAC. Lá longe, estendendo-se muito azul temos o Mediterrâneo. A bem ou a mal, acabei por guardar o nascer-do-sol sobre o Mediterrâneo para depois, para outra companhia.



Viajar é estranho. Entrei num avião e, passada uma hora, estou do outro lado, 1500 quilómetros mais longe: outro ar, outra gente, outra cidade infinitamente maior e mais urbana. Fez-me bem ver o avião a levantar, a sobrevoar a cidade em que vivo e a afastar-se deixando para trás problemas, traições – a falsidade com que me encheram os olhos durante tanto tempo. ZUUMMMMMMMM – lá ia eu a caminho de algo diferente. Movido pelo incessante egoísmo que fecha os olhos das pessoas omito da parte inicial deste relato Jesus Rodriguez, meu companheiro de viagem. Enfrentou muito melhor o pânico inicial do voo: eu agarrei-me firmemente à cadeira na esperança de que ela amparasse a minha queda. Jesus já aparece novamente um pouco mais longe neste relato.

No aeroporto tivemos o nosso primeiro desaire: uma máquina telefónica manhosa comeu-nos a pasta com que iríamos ligar para Jone… Digo-vos, as cabines de “lá” são ainda mais manhosas do que as de cá. Parecem blindadas e têm um insaciável apetite. Jesus e o seu magnífico telemóvel ligaram e recebemos as nossas coordenadas: Entrar no bus, ir sempre e sair em Urgell; ele estaria lá à nossa espera. Primeiras impressões: bem, essas foram tiradas do ar e aquilo que vi foi uma cidade enorme atravessada por avenidas e perpendiculares; mar, muito mar; carros formigas a mexerem-se pelas ruas; um sol enorme e brilhante. Boas vibrações. Em terra foi o atravessar o trânsito num veículo com ar condicionado: túneis, motas, carros, tráfego a meio da tarde; vias rápidas, sinais em catalão; paragem súbita numa via elevada; conversas em francês e inglês e línguas bizarras e impronunciáveis; dois portugueses a olhar para tudo e a estabelecer o plano de jogo. Lá fora a vida dos “nativos” decorre normalmente entre bicicletas e motas e um delírio apressado pós siesta. Bom!



Reencontro. A casa é perto e precisamos de comprar comida. A comida nem é assim muito cara. Deixamos as coisas em casa e vamos comprar… assim lá para os lados do MACBA. Passear pela cidade à tarde. Ramblas, turistas, nativos, estranhos e estrangeiros; um cota de cerca sessenta anos vestindo unicamente uma daquelas palas verdes que usaria um notário americanos nos anos ’20 e um piercing enorme e refulgente na ponta da gaita a passear, a aproveitar o sol de fim de tarde para escurecer mais a sua t-shirt e calção tatuados… Estranho, mas faz todo o sentido. Niña’ guapa’ que olham e fixam o olhar e sorriem porque é belo sorrir e está calor e respira-se sexualidade no ar. Bom! somos jovens, para quê recear o julgamento? Homens estátua e estátuas de homens, gatos gigantes, olho para trás para ver melhor a rapariga que acaba de passar (e não, não és tu; aquela que eu procuro e secretamente gostava de ter aqui para partilhar da minha loucura contida) e que olhou para mim como quem não me via, mas eu sei que ela me viu pela forma como desviou o olhar, pracinhas pequenas e arejadas… árvores e sombras providenciais. Na Plaza Reial uma fonte, frescura, turistas em delírios fotográficos e eu e Jesus (perdoe-se a piada, mas estava mesmo bem acompanhado!), fugimos do ajuntamento deixando para trás a homenagem a Garibaldi e as palmeiras e a frescura da fonte.


Há muita coisa de que eu não vou falar. Talvez tenha chegado a idade em que prefiro guardar dentro de mim o que vejo penso e faço porque é demasiado real para transmitir aos outros. Mas vou escrever aqui as únicas linhas que escrevi em Barcelona, apesar de toda a minha boa vontade. Vou só explicar o que tinha acontecido no dia anterior: tínhamos ido visitar a Gracia, eu, Jesus, Jone e sua senhora. Quando vínhamos embora encontramos uma loja que estava em liquidação do stock de líquidos; enquanto eles se apaixonaram por vinho e cava eu vi do lado direito de quem entrava na penumbra várias garrafas de rum branco que diziam “Don Sorel” a 3 euros. Um sorriso iluminou-me a face! Após uma noite em que o rum deu cabo de mim depois de eu lhe ter esvaziado o corpo foram poucas as memórias "concretas" que restaram. Lembro-me de um bar manhoso e livre e barato numa casa ocupada, lembro-me também de andar pelas ruas descalço, cheio de calor a dizer coisas - ou a gritar, as versões variam. Acima de tudo precisava de um duche frio para aclarar as ideias. Ganzas e ganzas na praça do MACBA, cerveza/bier gelada, o primeiro gole entornado no chão para os amigos que não estão, ou se calhar não foi lá… Quando voltamos a casa sentei-me no sofá. No dia seguinte, domingo, dei por mim aterrado na sala, sem saber onde estava quando abri os olhos. Só reconheci e me recordei do que se passava e onde tudo se passava por causa dos cheiros, dos ruídos. Tentei ir para o quarto onde era suposto dormir, mas o meu fígado mal-tratado tinha outras ideias. Ainda para mais a vizinha fritava peixe e alguém de casa fritava carne… Os cheiros deixavam-me completamente nauseado. Passei grande parte da manhã a correr da cama, a evitar calcar Jesus que dormia na paz dos santos no chão do quarto e a enfiar a cabeça dentro da sanita para tirar de mim o que quer que estivesse a mais. Alminhas! Apesar de tudo, continuo a dizer que devia ter comprado duas garrafas daquele álcool açucarado – era um bom preço.

Portanto, é domingo, 19h40 minutos hora de Barcelona e estamos no Parc da Ciutadela a descansar, a respirar, a fumar umas brocas e a ver o que se passa.

“Avenidas ordenadas de árvores de todas as espécies, turistas, turistas e nativos circenses, pessoal a fazer ganzas discretamente enquanto os Mossos passam, música de todos os lados, pássaros verdes vindos de um qualquer deliro sul-americano, uma roda de capoeira, mulheres lindíssimas. Uma ressaca de rum monstruosa a pesar-me na cabeça e 5 dias passados em Barcelona. La vida loca (perdoem a citação de Ricky Martin, mas estava muito ressacado). No aeroporto nada fazia crer que fosse assim. Eu e Jesus saímos do avião suados e atrasados uma hora. Milhares de turistas de todos os tipos: “bifes” com camisolas de futebol, nórdicos já vermelhos e mal saíram do avião, alemãs grandes com cara de quem te esmaga a cabeça se não lhes deres o prazer suficiente na altura do orgasmo… não interessa.”

Foi isto tudo o que escrevi. Não havia tempo: tinha tanto para ver, tanto para esquecer. Além do mais, para meter Barcelona dentro de palavras teria de fazer uma enumeração enorme que iria desde o Bairro Gótico a Barceloneta, passaria pela Plaza Tripi (ou Plaza George Orwell, calmamente videovigilada), daria uma volta pelas praias, Champanharia (ai, que grande paulada de Cava e tapas), Ramblas, Raval e Donnër Raval (reconhecido internacionalmente), noites compridas e rápidas, duas turistas inglesas, uma alta e cheia de pinta a outra uma porquinha pequenina, com medo de serem violadas por um Paquistanês mal-intencionado e de olhar homicida que as seguia – correm na tua direcção com as suas mini-saias e maquilhagem e recusam a tua ajuda por receio que sejas um português sádico que lhe vá levantar as saias no átrio do hotel para as possuir à força no elevador (não fui eu que disse isto), Bairro da Inês, cheiro a absinto e putas baratas que te agarram e tentam convencer à força de que tens força na verga apesar de todo o álcool, turistas, agressões entre gritos e garrafas partidas, transsexuais encostados perto dos hóteis fixes e ingleses bêbedos que se enganam até ao momento em que metem a mão e lhes gritam “SURPRESA!”… Chavalos e chavalas a ler o Harry Potter e a chorar com a morte do herói… JK Rowling, os meus parabéns por teres ascendido de escrava de um ressacas a escravizadora de imaginações. Brutal.



Morreria de falta de ar antes de conseguir acabar esta enumeração, o que por si não diria nada ou talvez tudo sobre a cidade…



(No meio de toda esta grandeza libertadora, no vórtice do anonimato e apesar de todas as palavras que me enchiam a boca de libido, eras tu quem eu via nos suaves corpos com que me cruzava. Eram as pistas que me reconduziram a ti que eu procurava. Porque "nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela despenhada de sua órbita viva. - Porém, tu sempre me incendeias".)

Ainda tive oportunidade de ver um ensaio de algo definido como chill-out psicadélico: cítara, guitarra e percussão… Catita! Jone tem sorte com a casa que encontrou. Agora só precisa de uma casa para dar largas ao desespero de quem quer viver tudo.

Ainda não compreendi muito bem o que me aconteceu por lá, mas algo aconteceu. Algo de importante. Isso só se tornou totalmente compreensível há bem pouco tempo, quando recebi uma mensagem para aparecer no Piolho. Rever um amigo, beber umas cucas, falar um coto na esplanada do 77. Nesta altura não fazia ideia de como a noite iria acabar: no Jardim de Soares dos Reis, com uma gigantesca paulada de salvia x20 e uma noite que arrefecia a cada momento que passava.

Quando se sente a pele aspirada do corpo e o mundo todo a fundir-se em sombras e luz que tomam forma num silêncio que sabes corrompido, compreendes a unidade de tudo; a beleza individual de cada partícula que compõe o universo visível e invisível que te rodeia e a necessidade de todas as partículas para a criação de algo tão belo como o mundo. É só saber aproveitar as coisas boas que este tem para oferecer.

Portugal parece-me mais pequeno e tacanho desde que voltei… mas não tem problema. Há sempre alguém a quem podemos ligar quando o mundo se aperta à nossa volta, right baby? E podemos sempre dar a fuga…

Gostaria de acrescentar aqui um abraço a Jesus porque me aturou vários dias e ninguém sabe como eu como isso é difícil; a Jone e a companheiros de casa pela hospitalidade; à sua senhora pelo jantar; à minha senhora pela confiança e por ter esperado; ao mundo por ser uma coisa bonita com a qual uma pessoa se consegue tornar mais sábia.

josé de arimateia, numa paz relativa muito, mas muito agradável

PS- agradeço ao meu alter ego "quase." a cedência de todas as fotos deste post


"Doh!" digo eu Em tudo o que é jornal ou blogue, ...

"Doh!" digo eu

Em tudo o que é jornal ou blogue, vejo comentários laudatórios ao “Simpsons – The Movie”. Ainda não vi o filme. Ou melhor, não vou ver o filme. Nunca percebi muito bem o fenómeno Simpsons. Sim, a série é bem escrita. Sim, os bonecos amarelos criticam a sociedade norte-americana contemporânea de uma maneira arejada. Sim, as referências culturais da série são por vezes bem esgalhadas. Mas nada do que foi feito até agora nos Simpsons se aproxima sequer àquela que, para mim, é e sempre será a melhor série de comédia de sempre: All In The Family. Aliás, todo o núcleo familiar dos Simpsons é claramente inspirados nas personagens da mítica sitcom na CBS. Se juntarem short minded atitude do Homer e o mau feitio do Bart, têm o Archie Bunker. Se juntarem os bons sentimentos da Glória e a inclinação liberal de Esquerda do Michael Stivic têm a Lisa Simpson. E mulher do Homer não passa de uma Edith Bunker um pouco menos lerda. Até o famoso sofá onde o Bart Simpson passa a vida é igual à mítica poltrona do Archie Bunker, que está exposta – como são diferentes os museus norte-americanos dos portugueses – no Smithsonian Institution (não estou a acusar os Simpsons de plágio, tudo isto é mais ou menos assumido pelo próprio Matt Groening, que fez mesmo, ao que sei, um episódio dos Simpsons dedicado ao All In The Family). Acontece que uma coisa é falar de homossexualidade, droga, álcool e preconceitos raciais em meados dos anos 80, quando começou os Simpsons, altura em que tudo era possível (se não acreditam, vejam o delirante Bachelor Party, de 1984, em que o Tom Hanks acaba enfiado numa orgia de sexo, álcool e drogas com um burro). Outra coisa é fazê-lo no início dos anos 70. Para mais, em termos de politicamente correcto, o Bart Simpson, comparado com o Archie Bunker, é o Daniel Sampaio (amarelos por amarelos, fico com o Duckman, esse pato detective que faria corar de vergonha o próprio Dave Chapelle, a única série de animação que adorei desde que deixei de ser criança). Querem perceber a diferença entre os Simpsons e o All In The Family. O Homer Simpson passa os episódios a dizer “doh!”. O Archie Bunker passa os episódios a dizer coisas como “the atheist religion don't believe in the bible” ou – preparem-se para Archie Bunker no seu melhor - “California is the home of where is gonna occur the world's worst cat-a-strofe… sittin' on a shelf out there… three states on that shelf, California, Oregon and Missouri. The day of the biggest earthquake… those three states are gonna be shoved right offa that shelf there. They call that the "Continental Divide. The Pope knew about this years ago. He said it was St. Andrew's fault”. Rest my briefcase, como diria o velho Archie.

PS: Para perceberem um pouco melhor a minha adoração por All In The Family, vejam, por exemplo, isto. Nem o Howard Hawks no Is Girl Friday faria melhor.


Era uma vez.... o consumo sem salários e sem estabilidade no emprego

O António decidiu imitar a concorrência e proceder a uma reestruturação na sua empresa, por forma a aumentar os lucros e a sua competitividade. A fórmula usada na reestruturação em pouco diferia das usadas nas restantes empresas. Consistia, basicamente, em reduzir os custos com o pessoal. Assim, este foi renovado, foram renegociados os contratos de trabalho (mais horas e menor salário) e os novos funcionários foram contratados com salários mais baixos. Os resultados foram espectaculares: menos funcionários, as mesmas horas de trabalho mensal, a mesma produção e uma redução de custos com salários de 20%.

Naquele dia o João chega a casa e dá a má notícia à mulher. O patrão tinha-lhe proposto o mesmo que o patrão dela há 2 meses: se quisesse ganhar o mesmo salário que até aí, teria agora que trabalhar mais horas diariamente. Mesmo assim tinha tido mais sorte que o vizinho, o Ricardo, que tinha sido dispensado e estava agora em maus lençóis. Logo agora, que tinha comprado uma casa tão cara, via-se na situação de não ter com que a pagar. Nada de grave, porque os bancos tinham criado uma solução para casos como o dele. Sempre ajudava a pagar a casita, embora a taxa de juro fosse mais alta (15%), era só por uns tempitos.

A Maria tinha umas poupanças. Farta de depósitos a prazo com taxas de juro desinteressantes, um dia vai ao banco e oferecem-lhe um produto novo com uma super taxa. Ela já tinha ouvido falar disso, parece que servia para financiar créditos de pessoas em má situação financeira. Desempregados e gentalha fracassada desse género. A Maria não hesita e aplica todas as suas poupanças nesse tal fundo. Afinal, sempre eram 7% ao ano.

Passa-se um ano. O Ricardo não consegue arranjar trabalho. A todas as empresas onde bate à porta tinha acontecido o mesmo que à empresa que o despedira. Ainda por cima a taxa de juro da habitação não parava de subir. O melhor era devolver a casa e acabar com o inferno. Era-lhe, de todo, impossível pagar o empréstimo, o período de subsídio de desemprego acabava naquele mês.

E foi então que, no mesmo dia, uma multidão de Ricardos se depara com a situação de não poder pagar os encargos com os seus empréstimos e devolve as suas casas. Nos dias seguintes, iguais a esse, outras multidões de Ricardos se seguiram à primeira. E outro dia se lhes seguiu, em que uma multidão de Marias soube pelos jornais que se quisesse levantar os seus fundos de investimentos, o banco lhe diria que não podia. No mesmo dia que uma multidão de Antónios viu a cotação das acções das suas empresas cair a pique.

“Coisa impossível!” – praguejou o nosso António – “Vá-se lá entender este mercado, os lucros até dispararam!” O nosso João ouve-o e responde-lhe que o consumo sem salários ainda não tinha sido inventado. O António, firme, irrita-se com tal arrufo - parecia sindicalista! - e fá-lo juntar-se à multidão de Ricardos. Tinha começado o novo plano de reestruturação da empresa do António, que faria disparar os lucros e recuperar o valor da cotação em bolsa.

« O banco francês BNP Paribas congelou três fundos que investem no mercado hipotecário, alegando que os activos estão, neste momento, subavaliados. Esta medida reavivou os receios nos mercados mundiais quanto à evolução do mercado hipotecário de alto risco ("subprime") e está a penalizar todas as bolsas europeias. (
continua


Supertaça Tudo pronto para o início da época!

Começa amanhã oficialmente a época 2007/08! Em Leiria, FC Porto, campeão nacional, e Sporting, vencedor da Taça de Portugal, defrontam-se para decidir o vencedor da Supertaça. Jesualdo Ferreira e João Moutinho anteciparam o jogo, e ficou claro que a esperança em fazer um bom jogo e em arrecadar o troféu é comum em ambas as equipas. Jesualdo diz que "ganhar no FC Porto é como escovar os dentes", enquanto que João Moutinho afirma que estão "prontos para jogar bem e conquistar o troféu".

Jesualdo Ferreira, com um toque de humor, afirmou que "ganhar é como escovar os dentes, é um hábito. Dá-me um gozo muito grande porque normalmente escovo os dentes três vezes por dia. Imaginem a pasta que gasto." A confiança é grande, mas quando confrontado com as 9 vitórias em 10 jogos nesta pré-época, o técnico portista referiu que "é evidente que fizemos bons jogos e bons resultados, por vezes melhores resultados do que exibições, mas foram dez treinos. Aquilo que conquistámos, jogando contra equipas europeias de diferentes estilos, foi bom, mas não acrescenta muito mais do que um treino de boa intensidade".

E quanto a reforços, prontos a jogar desde já? Jesualdo responde que sim, mas... "Os lugares numa equipa ganham-se e perdem-se a treinar e a jogar. A estratégia que traçámos passava por manter o maior número de jogadores que tinham sido campeões. Não fazia sentido que, tendo os mesmos métodos de jogo, não fosse a partir dessa base que trabalhássemos. Chegamos ao momento das decisões, que passam pela capacidade de responder às exigências do FC Porto. A equipa que jogar será aquela que entendo ser a melhor para ganhar a Supertaça."

Em Alcochete foi João Moutinho, recém eleito capitão de equipas aos 20 anos que falou aos jornalistas. Exactamente sobre o tema de capitanear, tão jovem, uma equipa da dimensão do Sporting, Moutinnho confessou que "para ser realista, não pensava ser capitão de um clube desta grandeza aos 20 anos, mas assumo essa responsabilidade. Não mudei muito, continuo a ser a mesma pessoa e a falar com os meus colegas como falava anteriormente".

Depois abriu o jogo sobre a Supertaça. "Estamos a trabalhar para estarmos entrosados, fortes fisicamente, e para ambientar os reforços da melhor forma. Vamos chegar ao primeiro jogo na máxima força." Questionado sobre o facto do Sporting ter sofrido bastantes golos de bola parada na pré-época, Moutinho respondeu que "vamos dar o máximo no jogo que temos pela frente, e os erros que cometemos noutros jogos, vamos tentar não cometê-los agora. Temos de estar concentrados durante o jogo todo, e as bolas paradas são momentos em que não podemos perder a orientação."

Quanto aos onzes que surgirão no Municipal Magalhães Pessoa, prevê-se que no FC Porto poucos ou nenhuns reforços subirão ao relvado para iniciar a partida. Talvez uma vaga do meio campo será de Leandro Lima ou Kaz, porque o restante onze deverá ser: Helton, Bosingwa, Bruno Alves, Pedro Emanuel e Fucile; Paulo Assunção, Raúl Meireles e o tal reforço; Quaresma, Adriano e Lisandro Lopez. Do lado leonino, o caso muda de figura, e alguns reforços deverão estrear-se oficialmente. Paulo Bento deverá escalar o seguinte onze: Stojkovic, Pedro Silva, Tonel, Polga e Ronny; Miguel Veloso, João Moutinho, Romagnoli e Izmailov; Derlei e Liedson.


Secantes e tangentes

  • Em Lisboa, a Praça do Comércio exibe pirâmide de gelo para alertar para questões climáticas. O responsável deste evento e quem o mandou organizar, pensaram bem no que fizeram? Alertar as pessoas para as alterações climáticas fazendo transportar de tão longe 6.000kg de gelo é, no mínimo, ridículo. Quando o meu pai ouvir falar desta, aposto que desabafará qualquer coisa como “Ide-vos encher de moscas!”. Quanto a mim, reservo-me, por pudor, o direito de dizer o que faria com tais idiotas.
  • Governo português congratula-se com posse de Xanana Gusmão. Bravo, especialmente para quem não teve a maioria dos votos e se fartou de dizer que não queria estar à frente de um país.


A qualidade das praias piorou



Espinho, Praia de Silvalde, 31 de Julho. A data dos resultados das análises à água do mar é de 13 de Julho. Quando tiro a fotografia, ao fim da tarde, um indivíduo com boné azul com pala onde se lia "Junta de Freguesia de Silvalde", grita-me de longe “Há problema? Olhe que tá tudo actualizado!” Não lhe respondo porque o homem não se apresenta, não me cumprimenta, nem se aproxima de frente, preferindo falar sempre de lado. Além disso, não sou nenhum fiscal.

 


Conhecer melhor...ELISEU RAIMUNDO "ZIG"


Hoje é a vez de dar a CONHECER MELHOR o Eliseu Raimundo. O Zig está connosco há apenas dois anos, mas já existe uma enorme empatia entre atleta e clube como se estivesse por cá há muito. Sabemos que ele está feliz na A.C.R. de Santa Cita e nós estamos igualmente felizes por privarmos diáriamente com um atleta e ser humano de excepção. Não é por acaso que com apenas 24 anos lhe foi dado oportunidade de comandar um dos escalões de formação do clube e que foi nomeado sub-capitão de equipa. Por favor tomem a devida atenção às suas escolhas.
BILHETE DE IDENTIDADE

1. Nome: Eliseu José Marques Raimundo
2. Idade: 25
3. Naturalidade: Entroncamento
4. Estado Civil: Solteiro
5. Filhos: Por mim tinha três, mas nem vejo jeitos de me casar.
6. Profissão: Professor 1º ciclo/Pescador de achigã :p
7. Altura: 1,66m
8. Nº Camisola preferido: 3 (Mas não me a dão…)
9. Clubes representados: União F. Entroncamento, S.C. Tomar, ACR Santa Cita
10. Nº de épocas em Santa Cita: Esta época será a 3ª.

10 ESCOLHAS

1. A viagem: Austrália
2. O livro: “O Alquimista” – Paulo Coelho
3. A música: Black – Pearl Jam
4. O Filme: São tantos, mas destaco o Crash (colisão)
5. A cidade: Veneza
6. O País: Portugal
7. O treinador: João Maria Vaz (o senhor ensinou-me a patinar, e muito mais!)
8. O ídolo: Sr. João Raimundo (meu pai)
9. O jogo mais: União F. Entroncamento vs S.C. Tomar. Na longínqua época de 1999/2000,era eu ainda jogador do União e disputava directamente com o Tomar o acesso ao campeonato nacional de juniores. O resultado foi de 4-3 favorável ao União e eu ajudei a minha equipa da melhor maneira, marcando os 4 golos. Assim, fomos uma vez mais campeões distritais!!
10. O jogo menos: Época 2006/2007 ACR Santa Cita 1 -3 F.C. Bom Sucesso. Um lance irreflectido levou-me a ver o único cartão vermelho da minha carreira desportiva.


As 7 Aberrações de Portugal

O blog "Portugal Pimba", lançou-me o desafio de escolher as sete maiores aberrações de Portugal. Podia aqui falar do litoral do Allgarve, que paulatinamente se estende para o futuro Allentejo, da torre do Isaltino e muitos outros abortos que crescem por este país. Mas, verdadeiras aberrações são aqueles que nos conduzem nesses tortuosos caminhos do lucro e da ganancia. Comecei por escolher duas que não podiam aqui faltar, o Sr. Silva, por ter sido durante o seu reinado como Primeiro-ministro, que se iniciou esta caminhada liberalista, o Engenheiro, representando-se a si e aos seus Sócretinos, por tudo aquilo que têm feito de mal e desfeito do pouco bom que ainda havia. Claro que também não podia faltar aqui o Fujão Barroso, o famoso Presidente da UE, o "Zé Manel", mais conhecido por "cara de Cherne". Está aqui por mérito próprio, por ter abandonado o país para se ir pavonear pelos corredores da Europa e, claro, pela sua triste figura (e culpa) quando da invasão do Iraque. Depois tinha que haver alguém que representasse o poder do dinheiro, a Banca e quem melhor que o bem pago Presidente do Banco de Portugal, Vítor Constâncio. Para dar a cara pela justiça, uma escolha de "asco" pessoal. Não gosto do Proença de Carvalho, faz-me lembrar um demónio, um ser "mau", tão mau como a nossa justiça, cada dia mais capaz de castigar os pequenos crimes e incapaz, mais por não querer que por não poder, de apanhar a grande corrupção. Faltava ainda um outro poder, a comunicação social, que cria factos, elege governos e presidentes, faz a opinião publica e que nos entra pela casa dentro todos os dias. Para isso, escolhi o Homem de Bilderberg de Portugal, o grande magnata da Comunicação Social, Pinto Balsemão. Já, a sétima aberração não podia deixar de ser o Zé Povinho, ou seja, eu, tu, todos nós que permitimos que as outras seis nos governem sem os mandarmos à merda com um pontapé no cu. Somos certamente a maior de todas.

Contribuição para o Echelon: Kwajalein, LHI


Évite l'avenir / Evita o futuro

Nova

Dans un monde au futur du temps où j'ai la vie
Qui ne s'est pas formé dans le ciel d'aujourd'hui,
Au plus nouvel espace où le vouloir dévie
Au plus nouveau moment de l'astre que je fuis
Tu vivras, ma splendeur, mon malheur, ma survie
Mon plus extrême cœur fait du sang que je suis,
Mon souffle, mon toucher, mon regard, mon envie,
Mon plus terrestre bien perdu pour l'infini.

Évite l'avenir, Image poursuivie !
Je suis morte de vous, ô mes actes chéris
Ne sois pas défais toi dissipe toi délie
Dénonce le désir que je n'ai pas choisi.

N'accomplis pas mon jour, âme de ma folie, —
Délaisse le destin que je n'ai pas fini.

Catherine Pozzi

Num mundo no futuro do tempo onde tenho a vida
Que não se formou no céu de hoje,
No mais novel espaço onde o querer deriva
No mais novo momento do astro que fui
Viverás tu, esplendor meu, minha desgraça, minha sobrevivência
O meu mais extremo coração feito do sangue que sou,
Meu sopro, meu tocar, meu olhar, minha energia
Meu melhor bem terrestre perdido para o infinito.

Evita o futuro, Imagem perseguida!
Estou morta de vós, ó meus actos queridos
Não sejas desfaz-te dissipa-te desata
Denuncia o desejo que não escolhi

Não cumpras o meu dia, alma da minha loucura, -
Abandona o destino que não acabei.

(trad: alberto augusto miranda)


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