Ocorrências de emprego
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Nova saúde ®CC | ![]() |
De resto, o texto já refere que o ministro da Saúde garantiu ontem que “ninguém terá o seu contrato cancelado” devido às alterações, ficando claro qual o universo dos profissionais de saúde que têm o seu emprego em risco, se a avaliação que vai ser feita durante este mês concluir que o trabalho destes agentes não é essencial.» in Diário Económico
Um projecto ambicioso, este, o de Correia de Campos. Melhorar os serviços públicos com menos pessoal. Afinal, não custa nada esperar mais um bocadinho para ser atendido por um médico ou por um enfermeiro. Em breve será o sector privado que estará com excesso de pessoal e nenhum português, no seu juízo perfeito, recorerá a unidades de saúde privada, tal a algazarra de médicos e enfermeiros em alegre confraternização.
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Os Inóticos, Parte 2 Capitulo 1 | ![]() |
Parte Dois
De novo, num dos bares mais comprometedores da cidade, duas personagens inevitavelmente suspeitas, estão sentadas numa mesa ao canto da sala a trocarem palavras de alto teor conspirativo.
— O imbecil que estava a estragar tudo teve o seu recadinho! — diz a personagem obscura.
— Sim, sim! — responde a silhueta com voz fanhosa a esfregar os olhos por trás dos grandes óculos de fundo de garrafa.
A personagem obscura abre um pacote de batatas fritas de presunto e começa imediatamente a comê-lo, enquanto fala com a boca cheia.
— Ouve lá, o primeiro carregamento está quase a chegar. Ai de ti se falhas logo na primeira vez! — ameaça a personagem obscura.
— Sim, sim! — responde a silhueta da voz fanhosa, enquanto faz um tique irritante.
— E olha, -CRUNCH- Ai, porra, o que é isto?- a personagem obscura cospe o conteúdo da boca para cima da silhueta com voz fanhosa. A silhueta fica cheia de bocados de batatas fritas de presunto e atrás dos óculos de fundo de garrafa encontra-se um boneco de plástico— Malditos brindes! Merda! Quase partia a placa! E dá cá isso pá! Não penses que te vou deixar ficar com isso!
— Bééé! — exclama a silhueta da voz fanhosa.
— Olha! É a primeira vez que falas! — diz a personagem obscura. — Até que enfim que dizes alguma coisa diferente!
— Sim, sim! — responde a silhueta a sacudir o cabelo e a lançar os bocados de batatas fritas de presunto pelo ar.
— Oh, Deus!
— Sim, sim!
A personagem obscura, já farta de aturar o seu cúmplice, levanta-se da cadeira que estoicamente a tem sustentado durante todo este tempo e descarrega ruidosamente um gás intestinal que tem acumulado nos intestinos.
— Vou embora. Mas já sabes! Ele vai-te levar pessoalmente o carregamento ao local combinado! Agora não te esqueças. Falta pouco tempo.
— Sim, sim!
*
Passou-se quase um mês desde aquele dia infeliz. Raul conseguiu sair da prisão, graças à generosa doação em dinheiro vivo que a menina Joana fez ao chefe da polícia. Este apenas tratou de esquecer o caso e destruiu uma fita em que Raul estava como protagonista a dar o alarme de bomba.
Raul trabalha agora, na editora Boa — Esperança. Trabalha como tutor de cursos por correspondência. É aquele emprego que ele tanto desprezava e dizia que era para atrasados mentais.
Mas, isto faz parte do plano de vingança que engendrou para se desforrar do parvo do Barracuda. Este, não pôde recusar o emprego ao Raul, porque pensava, que se o fizesse, Raul trataria de o eliminar.
A menina Joana conseguiu, finalmente, domar o Raul e convida-o para almoçar todos os dias. Ela está ao corrente do plano de vingança.
Raul, está sentado à mesa de um restaurante em frente da menina Joana.
— Então Raul, já decidiste? — pergunta a menina Joana mais uma vez, já farta de esperar que Raul escolha o prato.
— Não sei... — responde Raul.
A menina Joana vira-se para o fazfavor e diz:
— Traga o escabeche e o puré de cenoura do costume, se faz favor.
— Como é que sabes que eu ia pedir isso?
— Comes sempre o mesmo desde que cá vimos! É natural que comas as sardinhas de escabeche outra vez.
— É.
Os dois abstraem-se ao olhar pela janela para os carros a passar.
De repente, a menina Joana vira-se para Raul e pergunta-lhe uma coisa que tem vindo a tentar perceber desde que o conheceu.
— Raul, porque é que estás constantemente a mudar de penteado?
Raul pensa por uns momentos e responde:
— Ora bem. Isto segue algumas regras...
— Regras? — interrompe a menina Joana
— Sim, regras. Bastante simples. E também uma pequena tabela de penteados fixos.
A menina Joana ouve atentamente o discurso de Raul enquanto belisca um pão.
— ...está tudo relacionado com a minha disposição. Com a minha moral. Por vezes também utilizo o meu cabelo para atingir um objectivo, mas geralmente o meu cabelo é o espelho da minha alma.
O fazfavor chega e pousa as travessas de comida na mesa. Raul, todo babado com o escabeche esquece logo o assunto e começa a comer.
Enquanto comem, vêem o Barracuda a passar na rua com um grande embrulho.
— Olha! O parvo do Barracuda — diz a menina Joana — sabias que ele tem andado a sair mais cedo todos os dias e quase sempre com um embrulho enorme debaixo do braço!
— Ai, sim? — diz Raul entusiasmado — talvez esteja metido em algum negócio sujo! Conta-me mais.
A conversa continuou até ao final da refeição. A seguir foram dar uma volta pelas redondezas e por fim voltaram para a editora para acabar o dia de trabalho.
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Os Inóticos, Parte 1 Capitulo 6 | ![]() |
*
Rété chegou a casa para jantar. Chegou do seu novo emprego que o senhor Martins lhe arranjou e os seus pais ainda não sabem que ele trabalha lá. É que na hora do almoço, Rété comeu sozinho. Não estava ninguém em casa e então teve que improvisar o seu almoço com um magnifico prato de sardinhas fritas em azeite e tomate, misturadas com umas natas supremas acompanhadas de umas fenomenais couves cozidas em leite de cabra. Uma receita secreta, inventada por ele próprio e de que tem bastante orgulho!
À tarde no seu trabalho não houve nada significante, excepto, naquela vez em que o senhor Martins o mandou pegar na caixa das tachas e uma centopeia lhe subiu pelo braço acima. Deu um salto e entornou as tachas pela oficina toda. Teve que andar a catá-las a todas com um íman.
Agora Rété está cheio de medo com a reacção que o seu pai vai ter quando souber o que se passou na mercearia! De certezinha absoluta que alguém já veio de propósito a casa encher os ouvidos da família com mentiras idiotas como já é costume.
Rété respira fundo, aperta o nariz, passa a mão pelo cabelo e entra na sala de estar. Lá já estão os seus pais e irmãos sentados à mesa prontos para começar a comer o caldo de couves que fumega nas suas malgas.
— Ó-olá paisinho, olá mãezinha, olá manos, então como é que estão? — pergunta Rété a tentar fazer o ar de quem não quer nada.
Fez-se um silencio aterrador e sinistro. A sua mãe diz:
— Anda comer a sopa.
Rété, com muito jeitinho vai-se sentar à mesa e serve-se do caldo de couves que está numa panela no meio da mesa mesmo ao lado do arroz de bacalhau e da travessa de pataniscas.
— Já arranjei emprego paisinho! — diz o Rété de mansinho.
— Ouve lá. O que foi que eu ouvi dizer sobre ti na mercearia do Artur? — diz o senhor Rota num tom muito severo.
— Nada de importante papá! Aconteceu só um imprevisto com uma minhoca, mas nada de sério! Eu arranjei lá emprego, mas depois saí porque arranjei melhor na oficina do senhor Martins e...
— Mas tu pensas sou parvo ou quê? Tu não sabes o que o povo anda a dizer? Anda a dizer que tu violaste a senhora Raquel lá na mercearia à frente de toda a gente e a seguir ainda fizeste algo, que ainda não percebi bem, com o gelado da menina Petrolina! — diz o senhor Rota a bater com a colher na mesa.
— Mas não! Mas não! É tudo mentira! Tudo invenção do povo que não tem nada que fazer! — chia o Rété já a choramingar.
— Parem já com isso! — grita a dona Ilda já sem paciência — Parece que não conheces o povo. Basta uma coisinha para fazer logo um escândalo! O que eles querem é estragar a nossa imagem!
Os irmãos do Rété comem a sopa sem ligar a estas discussões porque já eram diárias e já fazem parte da refeição. Mas, o Luisinho, o irmão mais novo vira-se para o Rété e pergunta:
— Ó Quim, é verdade que te vais casar com a menina Petrolina?
— QUÊÊÊ? — guincha Rété virado para o seu irmãozinho.
— Eu ouvi dizer que vais ter que te casar com a menina Petrolina!
— NÃO! — grita Rété apavorado a arranhar as bochechas com as unhas e os olhos arregalados.
— Olha que até é uma boa ideia! — diz o senhor Rota — Era a maneira de limpar o nosso nome e de fazer esquecer o povo sobre o que quer que tenha acontecido na mercearia. Amanhã vou falar com o senhor Artur para esclarecer tudo e vou-lhe propor este assunto do casamento. Já está na hora de te casares filho! E a menina Petrolina é um bom partido para ti.
— UUUUUUUUUUUUUUUU ÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀ ÌÌÌÌÌÌÌÌ ÀÀÀÀ ÌÌÌÌÌÌÌÌ ÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀ HÌÌÌÀ ÀÀÀÀÀÀÀÀ HÀÀÀÀ HÌÌ ÀÀÀÀÀÀ ÈÈÈÈÈÈÈÈÈÈÈÈÈÈÈ ÌÌÌÌ ÀÀÀÀÀÀÀ ÀÀÀÀÀ ÀÀÀÀÀ UUU UUUUUUUU ÈÈÈÈÈÈÈÈ ÌÌÌÌÌ ÀÀÀÀÀ ÀÀÀÀÀÀ ÀÀÀÀÀÀÀÀ ÀÀÀÀÀ ÀÀ ÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀÀ! — grita Rété.
Rété sai da mesa apavorado e foi-se fechar no quarto. Tira a roupa, veste o pijama com o sapo Cocas e mete-se na cama com a almofada em cima da cabeça a chorar desalmadamente.
*
Já é de manhã e como de costume, o senhor Rota é sempre o primeiro a levantar-se lá em casa. Ele hoje tem que esclarecer um assunto importante com o senhor Artur. Ia ver se arranjava uma noiva para o filho. O seu maior medo é que o seu filho seja maricas, por isso, pretende vê-lo casado o mais depressa possível.
O senhor Rota sai de casa antes de tomar o pequeno almoço porque quer dar a boa nova, isto é, caso haja alguma boa nova, à sua família toda reunida.
Dirige-se à mercearia e encontra o senhor Artur a abrir o seu estabelecimento para receber mercadorias frescas como o pão ou o leite. Aproxima-se dele e dirige-lhe a palavra.
— Bons dias senhor Artur.
— Bom dia. — responde o merceeiro num tom seco.
— Eu precisava de falar consigo. Era necessário esclarecer uma coisinha...
— Ai sim? Eu acho que é preciso esclarecer muita coisinha! Se eu apanho o seu filho aqui outra vez não sei o que lhe faço! — responde o merceeiro com os dentes cerrados.
— Ora é disso mesmo que eu queria falar.
— Poooois. — Cala-se por uns momentos. — Entre então porra!
Entram os dois para dentro da mercearia. O senhor Rota senta-se num banco que serve para sustentar as caixas de fruta durante as horas de expediente e fica à espera do senhor Artur que foi levar uma vasilha de leite ao armazém.
Enquanto espera repara com algum assombro, que o candeeiro do tecto abana como se houvesse um terramoto. A isso junta-se um ruído estranho, um barulho abafado que vem do andar superior. Estranhou e até pensou que se tratava de um terramoto, mas por mais incrível que pareça, o chão não treme! Portanto não pode ser nenhum terramoto! Aquilo tinha que vir de cima.
Entretanto o senhor Artur regressa à mercearia e dirige-se ao pai do Rété.
— O que queria então? — pergunta ele como se estivesse a fazer um grande favor.
— Bem, eu queria que o senhor, ora bem, queria lhe pedir que desculpasse o meu filho. Eu soube que ele fez aqui asneiras ontem, mas o senhor sabe como é a canalhada destes dias! Só faz burricada! E depois quem fica mal é a família.
— Pois é, pois é. — diz o merceeiro com os olhos fixos no assoalho.
— Espero que não leve a mal, mas soube que a sua filha engraçou com o meu filho.
— É parece que sim!
— Pois! E se os comprometêssemos em casamento? Se eles ficassem noivos? Dava-se uma grande festa, comprava-mos umas cinco pipas de tintol e convidávamos o povo todo! Era uma maneira de fazer esquecer o que aconteceu na sua mercearia e a vergonha que passei!
O merceeiro pensa por uns momentos. Passa a mão pelo cachaço, coça a cabeça e pede ao senhor Rota que não se vá embora. Sobe as escadas para o segundo andar e entra no quarto da filha, acordando-a de sobressalto. Em baixo, na mercearia o estranho som abafado que se ouvia e o misterioso candeeiro dançarino cessaram imediatamente a sua actividade sobrenatural.
No quarto da Petrolina, o senhor Artur tenta despertar a filha que ainda está estremunhada.
— Acorda filha, acorda! — diz o pai da menina, a abaná-la e a provocar-lhe ondulações nas nádegas banhosas que estão escondidas por um corajoso lençol.
— O-o quê? Já não há mais batatas fritas de presunto? — disparata a filha do merceeiro ainda perdida com o sono.
— Não filha, não! Tu vais-te casar! Vais finalmente casar!
A rapariga não quer acreditar no que está a ouvir. Olha em sua volta e chega à conclusão de que está a sonhar. Mete a cabeça debaixo da almofada e enfia o polegar na boca.
— Acorda filha, acorda c´um catano! — berra o pai.
Não há maneira de acordar a moça. O senhor Artur beliscou-a, abanou-a e até lhe atirou à cara com um copo de água, que estava na mesinha de cabeceira. Chega até a pegar num alicate que ele tem guardado num armário do seu quarto e com ele beliscou as nádegas peludas da Petrolina. Ela apenas sorri e murmura algo que não se entende.
Então, o merceeiro tenta lembrar-se de como é que a sua esposa fazia para acordar a filha na altura em que ela tinha de ir para a escola. Puxou, puxou o mais que podia pela cabeça, mas não era capaz de se lembrar. Desloca-se então ao seu quarto e encontra a mulher ainda a dormir.
— Dá-lhe um encontrão e diz:
— Ouve lá! O que é que fazias para acordar a tua filha?
A esposa do merceeiro abre os olhos, olha para o marido e responde-lhe projectando milhares de perdigotos no ar.
— Afref um fafofe fe bafafas flifas fe flesunto e fega-lhe ao farif.
— METE A PUTA DA PLACA NA BOCA MULHER! — grita o marido.
A senhora pega na placa que está metida num copo de água, enfia-a na boca e repete que é preciso abrir um pacote de batatas fritas de presunto e chegá-lo ao nariz da Petrolina.
O senhor Artur assim fez e conseguiu despertar, finalmente a bela adormecida do seu sono profundo. Pôs a filha ao corrente da situação, mas esta mesmo assim não queria acreditar.
Enquanto devorava o pacote de batatas fritas, ouviu o senhor Rota a explicar-lhe o que pretendia. Convidou-a a ir tomar o pequeno almoço a casa dele, juntamente com o futuro noivo. Ela aceitou imediatamente e foi-se produzir para o acontecimento.
Mete-se no quarto e abre o guarda vestidos. Decide-se por pegar nuns calções de licra e num top. Acha que assim fica mais sexy. A seguir enche a cara de pó-de-arroz, para tentar esconder as espinhas e os furunculos, mas este só faz com que os pêlos da barba fiquem mais realçados. Pinta os lábios com um batom preto, olha para o espelho, faz uma pirueta e exclama:
— Úááuuu! Que brasa! Que mulher!
Por fim, já está pronta para ir tomar o pequeno almoço com o Rété, tal como a convidaram.
*
Rété ainda não sabe de nada. O que tinha acontecido na noite anterior já não passava de mais um pesadelo rotineiro que até já esqueceu. Levanta-se da cama, estica os braços e as pernas para poder pôr os ossos no sitio, coça a pila, já totalmente curada daquela enrascada que teve com aquela minhoca peçonhenta e pega na roupa.
Veste-se lentamente e lentamente segue para a cozinha para tomar o pequeno almoço.
Mal sabe ele o que o espera! O pobrezinho vai, de certeza, apanhar o maior susto da sua vida. Vai ter que passar uns maus bocados.
Entra na cozinha e sem reparar na visita, senta-se no lugar do costume. Como de costume cumprimenta a família.
— Rapaz! — diz o senhor Rota — então? — Não cumprimentas a tua noiva?
Rété tem um terrível arrepio na espinha. Afinal não tinha sido um pesadelo! O seu pai falou a sério na noite passada! O pobre rapaz, corajosamente, olha de esguelha e ao seu lado está a maravilhosa Cinderela Petrolina. Aquele top que traz vestido realçam aqueles seios peludos, horripilantes, pendurados e pendentes até ao umbigo cheio de cotão e bocados de comida. Os calções de licra deixam ver a massa impressionante de celulite que tem nas pernas, coisa que, quando estava completamente nua não se notava porque a camada de pelos distribuídos abundantemente ao longo do corpo escondiam certas particularidades. O batom preto sai-lhe dos lábios e contorna-os como um pneu por recauchutar. O cabelo todo empapado está cheio de bocados de pão e batatas fritas de presunto. Para rematar o conjunto, acrescente-se um cheiro terrível a sovaco, um hálito fétido a gordura de porco e um odor a urina rançosa, já fermentada vinda de algum lado impossível de localizar!
— ..., ... ,... — pensa Rété.
Perante semelhante coisa, Rété apenas tem tempo de olhar em frente com um olhar de puro terror na profundidade do seu olhar e de cair para o lado como uma árvore quando é abatida.
E fica estendido no chão. Completamente inerte. Imóvel.
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FDL 2002 - 2007 | ![]() |
Mal ou bem, cosi vinte e um emblemas em três horas.
Depois de muito tentar consegui o emprego que queria.
Mas não consegui convencer alguém a ir ao baile de finalistas.
Escrevi fitas sem conta e contei nelas tudo o que queria.
E as normas autolimitadas são normas de aplicação imediata.
Agarrei-me ao que podia e não fugi.
E ainda não acredito que já acabou.
Tive de comprar um novo traje.
Mas continuo sem saber como aqui cheguei.
E hoje consegui mesmo sair dali licenciada.
(Glosa ao post de 9 de Março de 2007)
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Os Inóticos Parte 1 Capitulo 4 | ![]() |
“Se chegas à noite sem teres arranjado emprego, expulso-te da família!”
Rété não sabia por onde começar, portanto foi dar uma volta pela aldeia, a ver se encontrava algo.
A aldeia é constituída por uma rua central feita em calceta portuguesa e revestida a bosta de boi misturada com mato. Ainda é bastante frequente passarem por lá vários carros de bois por dia. Os animais domésticos como galinhas, patos e porcos andam à solta pelas ruelas estreitas que existem entre as casas em pedra emparelhada com umas janelas minúsculas com a função de dar um pouco de luz à escuridão eterna do interior dessas casas. A população da aldeia é quase toda constituída por agricultores bastante modestos com a excepção do padre, da professora, do taberneiro, do ferreiro e do merceeiro. A escola da aldeia é um pequeno edifício branco que fica a uns cem metros da aldeia. Foi esta escola que Rété frequentou até à quarta classe e depois ao contrário dos seus colegas da aldeia, tirou o décimo segundo ano no liceu da cidade.
Existe também uma pequena igreja de estilo românico. Em seu redor existe um grande pátio onde decorrem as festas da aldeia. Esta, como qualquer outra, também conta com uma tasca. Fica num beco escuro e húmido. O estabelecimento nunca viu a luz do sol. O seu interior é dividido por duas paredes que divide duas partes. Uma em terra batida, toda enlameada de vinho tinto entornado pelos clientes. Este é o sitio predilecto para as reuniões do C.J.S.R. (coligação dos jogadores de sueca reformados). A outra parte já é em tijoleira. Aí já tem uma mesa de bilhar, um rádio dos anos vinte que é um autêntico ninho de ratos e uma mesa de matraquilhos. O ferreiro tem uma oficina ao lado do cemitério, o qual fica a uns cinquenta metros da igreja. Este artesão, um velhote resmungão membro de honra do C.J.S.R. é o responsável pelos trabalhos que envolvem a sua profissão na aldeia. A mercearia do senhor Artur fica junto à casa do Rété. É a partir deste estabelecimento que as pessoas se abastecem do que necessitam. Os seus stocks são pequenos mas variados e pode-se encontrar lá desde tecidos novos vindos da cidade, passando pela comida e acabando nas maravilhosas novidades da tecnologia.
Rété decide ir pedir emprego ao senhor Artur, já que ele é seu vizinho e a sua mãe é uma cliente habitual.
— Bom dia senhor Artur.
— Olá Joaquim. O que é que te traz por aqui?
— Bem, eu precisava de emprego sabe, e se eu chegar a casa à noite sem ter arranjado trabalho o meu paisinho expulsa-me da família!
Encostada no vão da porta que dá para o armazém está a Cinderela Petrolina, filha do senhor Artur, a empanturrar-se com uma sandwich de queijo. Nunca ninguém viu criatura tão medonha. Por vezes, quando ela dá uma volta pela aldeia e por azar do destino se cruza com um carro de bois, os animais mais sensíveis entram em pânico e desatam a correr. Diz a má língua que foi ela que matou de susto a S´ Maria da Ponte, esposa do Senhor Martins, uma idosa que sofria do coração. Quando esta estava a sair da igreja numa noite cerrada onde tinha ido fazer as suas orações, deparou com a Petrolina de vestido branco vinda lá das bandas do cemitério. A velha não resistiu a semelhante visão e caiu redondinha no chão a espumar pela boca e agarrada ao peito.
A Petrolina tem um cabelo empapado de suor, pó, fumo e comida entre outras coisas. É vesga, tem a cara coberta de espinhas e ainda por cima tem uma pêra maior do que a do visconde do sítio do pica pau amarelo. O seu corpo rivaliza com o de qualquer suíno lá da aldeia. Os seus seios dão-lhe até ao umbigo e ainda por cima são peludos. As suas pernas arcadas são tão felpudas que um dia durante a festa anual da aldeia, a saia caiu-lhe mas ninguém notou, porque toda a gente pensou que ela estava de calças. Com esta descrição, eu procurei dar uma ideia do aspecto desta pobre rapariga.
A Petrolina faz um sinal ao pai para que ele entre no armazém.
— O que queres minha princesa? — perguntou o autor de semelhante atrocidade.
— Papá, por favor, dá um trabalho ao Joaquim. Assim talvez eu me consiga aproximar dele. — pediu a menina com uma voz mimada.
— Ora, era capaz de ser uma boa ideia, assim podia ser que arranjasses marido! Ele é bom rapaz e de boas famílias. É só pena que seja um pouco medroso e há quem ache que ele é maricas.
— Oh, papá, eu tiro-lhe o medo e faço com que goste de mulheres!
— De certeza meu tesourinho, de certeza. — disse a suspirar.
O senhor Artur voltou a entrar na mercearia e disse ao Rété que estava empregado lá no seu estabelecimento.
— Obrigado senhor Artur! E quanto ganho? Sabe, é que o meu paisinho vai-me perguntar logo isso!
— Vais ganhar vinte contos. — diz o merceeiro num tom de quem não estava para regatear.
— Está bem senhor Artur. E por onde é que começo?
— Vais começar por trazer para dentro aquelas caixas de hortaliça que estão lá fora.
Rété obedece de imediato. Sai e vê as caixas de madeira com couves tronchudas e outros tipos de vegetais. Inspecciona as caixas em busca de algum bicho infame que o possa assustar. Não vê nada. Baixa-se e apanha uma das caixas de couves pelas asas e carrega-a junto ao peito. Sem ninguém reparar, por entre as couves está uma lagarta peçonhenta, que entra corajosamente para dentro da camisa de Rété por entre os botões. Rété entra e pousa a primeira caixa e vai buscar as outras. Quando tem a segunda caixa à altura do tórax sente algo de estranho a entrar-lhe nas cuecas. Entra para a mercearia e de repente sente um ardor e uma comichão imensa. Atira com a caixa de couves à cara da senhora Raquel, esposa do Chico das Tripas e desata a tirar a roupa.
— Mas o que vem a ser isto? — pergunta a senhora Raquel, aflita a tirar as couves que lhe tapam toda a cabeça.
— Áááááaáiiii, áááííííí! — responde Rété.
Petrolina, está na sala de estar a ver uma telenovela mexicana e a devorar um gelado de laranja. Ouve os gritos e vem a correr para a loja ver do que tratava tamanha algazarra. O senhor Artur que está no armazém à procura do que a senhora Raquel lhe havia pedido também ouve os gritos e vai ver o que se passa.
— Áááí, minha Nossa Senhora, está uma minhoca peçonhenta na minha linda pila! Ái, o que será de mim!
— Ííííííík, ele quer-me violar! — grita a senhora Raquel a tapar a cara com as couves.
— O quê? Mas o que se passa aqui? Que vem a ser isto? — pergunta o senhor Artur num tom desvairado com os olhos raiados de sangue e a morder a língua.
— Áíaíaí, a minhoca peçunhou-me a pila! Está toda inchada — diz Rété a chorar e a gritar.
Nesse instante entra a Petrolina na loja com o seu gelado de laranja na mão e vê o Rété de calças no chão e a segurar o seu sexo, que devido à alergia provocada pela minhoca, aumentou pelo menos cinco vezes mais de tamanho. A Petrolina arregala os olhos e sorri.
— Filha! Não olhes! — grita apavorado o senhor Artur virado para a filha.
— Úáái, acudam! Alguém me valha que ele quer-me violar! Ai minha Nossa Senhora dos Aflitos, ai, Jesus! Ajudai-me — berra a senhora Raquel apavorada.
Rété vê o gelado que a menina Petrolina tem. Precipita-se sobre ela e arranca-lho da mão. De seguida esfrega-o onde mais lhe arde.
— Ahhhhhhh! Ohhhh! Que maravilha! Que frescura! — diz Rété com um ar de alivio.
Nessa altura, por causa dos gritos da senhora Raquel, já toda a aldeia se encontra na mercearia para ver o que se passa. Toda a gente olha para Rété quando o Sr. Artur interveio.
— Seu badameco! Que pensas que estás a fazer com o gelado da minha filha?
A Petrolina olha fixamente para o gelado e assim ainda lha dá mais gana de o comer.
— Tapa os olhos filhinha, tapa os teus olhinhos! — grita o senhor Artur desesperadamente.
— Que nojice! — comentou a senhora Raquel, desiludida ao aperceber-se do que estava realmente a acontecer.
— Você está despedido, está a ouvir? DES-PE-DI-DO! — grita o Sr. Artur para toda a gente ouvir.
— Oh papá, não por favor, não o mandes embora! — suplica a menina Petrolina.
— Mando sim e é já!
Aos empurrões, o Sr. Artur expulsa Rété da sua mercearia, enquanto este, esfrega o gelado para lhe aliviar a dor.
Rété, já mais aliviado voltou a vestir as calças. A multidão que está à volta dele murmura e sussurram palavras obscenas entre eles, acerca de Rété.
Ele estava de novo sem emprego. Lembrou-se outra vez das palavras terríveis do seu pai e estremeceu. Por sorte o seu pai estava a trabalhar no campo, a mãe foi levar o Ruisinho e o Chiquinho ao dentista e o resto dos seus irmãos estão na escola. Se o seu pai tivesse presenciado o ocorrido expulsava-o da família logo na hora! E se não arranjar trabalho até ao fim do dia a situação será idêntica, portanto voltou logo à procura de um biscate qualquer. Atravessou a multidão que olhava para ele de boca aberta e seguiu caminho para a oficina do senhor Martins. Talvez o ferreiro da aldeia tenha algum trabalho para ele. Chegando lá, encontra o velhote a ferrar o burrico que pertence ao padre. Este é o meio de transporte do vigário para dar as suas voltinhas pela aldeia.
— Bom dia, senhor Martins — diz Rété timidamente.
— O que queres daqui rapaz? — pergunta o velho atarefado.
— Bem, eu estava a precisar de um trabalhinho, então lembrei-me de que o senhor era capaz de precisar de ajuda!
O padre que está a observar o trabalho do ferreiro interveio na conversa.
— Meu filho, é verdade, aquilo que eu ouvi dizer acerca de um certo ocorrido na mercearia? É verdade que tu querias violar a senhora Raquel? Oh, meu filho! Com quem tens andado? São essas companhias que estragam tão boa alma — diz o reverendo a olhar para o céu com uma mão sobre a cabeça de Rété e a outra erguida para as alturas.
— Mas, mas, isto é tudo uma mentira senhor padre! É tudo uma grande mentira! Eu nunca quis violar a senhora Raquel!
— Então meu filho, vais dizer que o povo mentiu?
— O que aconteceu foi um acidente! Entrou-me uma minhoca peçonhenta para as calças, pessunhou-me todo e não aguentei! Tive que tirar as calças para me poder aliviar! — responde Rété todo aflito.
— Ai, meu filho, eu bem sei o que isso é! Um dia entrou-me uma vespa pela batina acima...
— Então é sempre verdade que o senhor padre não usa cuecas! — afirma Rété instintivamente sem pensar.
QUE DIZES? — berra o padre.
O senhor Martins que não está a prestar atenção à conversa, acabou o serviço que estava a fazer com o animal do padre.
— Senhor padre, o seu animal está pronto.
O padre, que ainda está a admoestar Rété olha para o ferreiro e aproxima-se dele. Pergunta quanto é que deve, paga e leva o burro por uma corda amarrada ao pescoço. Antes de partir ainda deu mais uma reprimenda de meia hora ao Rété.
Rété retoma o assunto que o tinha levado lá.
— Então senhor Martins? O que diz?
— O que digo o quê? — pergunta distraidamente o ferrador, enquanto recolhe as ferramentas que estão espalhadas pelo chão.
— Pode dar-me emprego aqui?
— Tu queres emprego?
— Sim.
— Não sei.
— Oh, vá lá senhor Martins. É que se eu chego a casa logo à noite sem trabalho o meu pai expulsa-me da família!
— Ai sim?
— Sim!
— Então o que queres daqui?
Rété já está a ficar desesperado.
— Quero emprego senhor Martins, EMPREGO!
— Está bem.
— Óptimo, muito obrigado senhor Martins, muito obrigado. E quando é que posso começar?
— Começar o quê?
— A TRABALHAR! — grita Rété já quase a chorar.
— Que dia é hoje?
— Sexta-feira.
— Então aparece aqui logo ás duas horas da tarde.
— Está bem senhor Martins. Até logo.
Rété já está mais sossegado. Aquilo já é um emprego e como só começa ás duas horas , ele não sofre o risco de ser despedido antes da hora do almoço. Assim quando chegar a casa para comer já pode dizer ao pai que está empregado.
Já é quase meio-dia e Rété foi para casa almoçar.
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Flexiportugal | ![]() |
Região recebeu 111 mil dos 130 mil novos trabalhadores sem vínculo definitivo existentes desde o ano 2000. (…)
No ano 2000, 1,380 milhões de pessoas tinham um contrato a termo ou trabalhavam contra recibo verde, pelo que 27% dos trabalhadores estavam precários. Seis anos mais tarde, o número tinha subido para 1,511 milhões (29% do total do emprego). Já o Norte passou de 400 mil registados pelo Instituto de Estatística em 2000 para 511 mil, no final de 2006 - um aumento muito superior ao do resto do país. Note-se que este é o número total de pessoas com vínculos instáveis, que tanto podem ser novos trabalhadores como empregados fixos que perderam o vínculo e passaram a ser precários. A este ritmo, dentro de alguns anos, o Norte passará a ter o maior número de precários, lugar hoje ocupado pelo Centro, onde quatro em cada dez trabalhadores não tem um vínculo fixo.» in JN
Tradução para socratês: estamos atentos e implementaremos um novo código de trabalho que permita a todas as regiões do país atingirem o nível de competitividade da zona centro, a mais moderna do país no que diz respeito a flexibilidade laboral e, como tal, um exemplo de competitividade. Complemntaremos a medida com a flexiflexiflexiflexigurança, queremos ser o melhor aluno da União europeia e desde já apelamos à compreensão de todos os portugueses para mais este esforço reformista de modernização do nosso país, rumo aos desafios da globalização.
Estes números do Instituto de Informática do Ministério do Trabalho vêm contrariar as leituras apressadas de redução significativa do desemprego feitas a partir do número de inscritos nos centros de emprego.
E cruzando o conjunto das novas inscrições nos centros de emprego com o dos novos beneficiários do subsídio de desemprego, constata-se que apenas um terço dos que perderam o emprego acederam ao subsídio de desemprego. O cruzamento entre estes dois conjuntos de desempregados - que poderá pecar pelo pequeno hiato temporal que separa o momento da inscrição no centro de emprego e o da autorização do subsídio - vem, de resto, corroborar os dados do INE que revelam que dois terços dos desempregados não recebem nenhum apoio pecuniário da Segurança Social.» In emprego_disparam_2007.html"> DN
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Políticas activas de emprego e Segurança Social | ![]() |
«A proposta inicial de reformulação das PAE (políticas activas de emprego) tem como principal novidade a isenção ou bonificação da taxa social única para empresas que contratem desempregados com mais de 55 anos e a limitação da atribuição de incentivos ao emprego de jovens com menos de 23 anos se tiverem o nível secundário de qualificação completo.» in emprego_custam_mil.html"> Jornal de Notícias
A promoção do emprego, tão necessária, pode fazer-se de várias formas. Uma delas seria a comparticipação do salário dos trabalhadores admitidos, através de subsídios directos, outra através de bonificações fiscais em sede de IRC, outra ainda através da isenção ou redução no pagamento da taxa social única que cada empresa paga à Segurança social por cada trabalhador.
A opção por cada uma delas não é, no entanto, indiferente. A última opção, a que consta na proposta avançada pelo Governo, reduz as receitas de um sistema deficitário, com problemas de sustentabilidade no longo prazo e em nome do qual o executivo de José Sócrates aumentou a idade da reforma. Tal opção não é mais que sobrecarregar os contribuintes, no presente e no futuro, antecipando a ruptura do sistema.
A falta de visão política deste Governo fica bem retratada pelo antagonismo das consequências das duas medidas: por um lado, com o pretexto de necessidade de mais contribuições, aumenta-se a idade da reforma e, com isso, diminui o número de empregos disponíveis no mercado de trabalho, ocupados com pessoas contrariadas e, por outro lado, financia-se o emprego de pessoas mais jovens, com vontade de trabalhar, com as contribuições pagas por aqueles que, mais velhos, menos produtivos e menos motivados, são forçados a permanecer na vida activa.
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Ter nível superior é indispensável? | ![]() |
O consultor Ricardo Neves diz muito bem:
"Aos jovens, recomendo que desliguem a TV e leiam muito. Que usem a web 2.0 e falem inglês. Para quem já está no mercado, que não estacione em um emprego só porque ele lhe garante a sobrevivência."
Leia a matéria completa aqui
Disse tudo!!
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Quatro Estrelas | ![]() |
Após receber uma herança, uma professora de inglês larga o emprego e o namorado e fixa residência num hotel luxuoso da Rivièra francesa.
Vivendo
uma vida simples e chata em Paris, a professora de inglês Franssou
fica sem saber o que fazer quando uma parente distante lhe deixa
uma grande herança. Logo, ela decide seguir o conselho das amigas,
para gastar tudo de uma vez. Larga o namorado e o emprego e foge
para Cannes, onde se hospeda em um hotel Quatro
Estrelas. Já no primeiro dia ela tem uma desagradável
surpresa ao ter o apartamento invadido por Stéphane, um suposto
empresário de Elton John.
Esperta, Franssou logo percebe que o homem é um golpista. Além
disso, ele está com sérios problemas financeiros. Tem que pagar uma
dívida até o dia seguinte, ou sua vida pode estar em grande risco.
A herdeira topa ajudar o vigarista, emprestando parte de seu
dinheiro para a dívida, mas com a condição de ele não desgrudar
dela enquanto não pagar o dobro do que ela emprestou.
Quatro Estrelas é dirigido por Christian Vincent, de A Discreta
Intimidade de uma Mulher. A história apareceu para ele no final da
década de 90, quando um amigo produtor lhe deu o roteiro para que
ele lesse e fizesse alguns ajustes. A princípio, o diretor não
gostou do que viu e recusou o trabalho, porém, anos depois, ele
chamou Olivier Dazat para que os dois juntos pudessem reescrever o
roteiro e filmar.
IMAGENS DO
FILME







Elenco:
Isabelle Carré (France "Franssou" Dumanoir)
José Garcia (Stéphane Lachesnaye)
François Cluzet (René)
Jean-Paul Bonnaire (Jacky Morestel)
Michel Vuillermoz (Marc)
Mar Sodupe (Christina)
Guilaine Londez (Marianne)
Olivier Dazat (Casteldi)
Luis Rego (Robert)
Título Original: Quatre Étoiles
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 106 minutos
Ano de Lançamento: 2006
Estúdio: Studio Canal / TF1 Film Productions /
Canal+ / D Productions / TPS Star / Fidélité Productions
Distribuição: Europa Filmes
Direção: Christian Vincent
Roteiro: Olivier Dazat e Christian Vincent
Produção: Olivier Delbosc e Marc Missonnier
Música: André Manoulian
Fotografia: Hélène Louvart
Desenho de Produção: Patrick Durand
Figurino: Carine Sarfati
Edição: Yves Deschamps
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DEZ VEZES SEIS | ![]() |
Este é um pequenissímo preview de algo muito maior.
Ainda não o revi e provavelmente vai sofrer alterações.
O título também é provisório e portanto poderei alterá-lo.
Escolhi o "Dez Vezes Seis" como uma divisão de uma hora em blocos de dez minutos, recordando os antigos relógios de cabeceira que faziam um bip a cada dez minutos.
Qualquer semelhança com factos ou pessoas é pura coincidência.
E agora a ver se durmo que acabaram-se-me os Xanax e ando doida.
Volto Segunda-feira.
Fodei-vos.
DEZ VEZES SEIS
São quatro da manhã e ela sai apressada do duche.
A água sai gelada e arrepia-lhe os pêlos das pernas, foi o filho da puta do Jonas que não trocou a botija do gás.
Cagão, pensa ela, enquanto procura uma toalha minimamente lavada para se limpar.
Não encontra e usa o método do cheiro. Limpa-se à que cheira menos mal.
Sai da casa de banho de pêlo eriçado, e lembra-se que precisa de tirar a pelugem das pernas. O último cliente da noite tinha menos pêlos que ela.
Procura uma gilete. Estão todas gastas. Que se foda, amanhã atende às escuras.
Senta-se na cama e olha-se no espelho do armário. ‘Tou velha, foda-se, pensa para si.
Como todas as noites àquela hora, abre a carteira de pelúcia azul petróleo e tira o dinheiro para fora.
“Quarenta euros, caralhos ma fodam, a noite foi má.”
Aproxima-se do espelho e descobre duas rugas novas.
Promete, como todas as noites àquela hora, que vai cuidar melhor de si.
Carlota era uma mulher de 36 anos, porém, a vida de puta pusera-lhe mais dez em cima, ou assim o parecia fisicamente.
Hoje era o seu aniversário, mas ninguém se lembrava. Nem o Jonas, aquele tinhoso, lhe dera ainda os parabéns. Cagão.
Será que o Pedrinho ia telefonar? Tinha telefonado o ano passado? Achava que não.
Como estaria? Onde andaria? Pedrinho detestava essa designação, mais ainda agora que contava já 20 anos. Mas Carlota havia tomado o hábito de lhe chamar assim, pois para ela o Pedro seria sempre um “inho”, um bebé.
Fora há 12 anos que o tinha abandonado, entregando-o aos cuidados de uma irmã mais velha. Tinha conseguido manter uma relação próxima, até ao dia em que o Pedrinho dobrou a Esquina da Rua da Pedreira e deu com ela a engatar um cliente.
Nunca tocou no assunto, mas desde aí que raramente se falavam.
Esperava que telefonasse.
Abre a primeira gaveta da mesinha de cabeceira e conta os preservativos. Já só há quatro.
Puta que pariu, só despesas, pensa alto, e separa uma nota de dez euros para uma caixa.
Começa a vestir a camisa de noite quando sente que a abraçam por trás. É o cagão do Jonas, que lhe volta a despir a camisa e a encosta à parede.
Carlota nada diz, pode ser que o morcão afinal se lembre do meu aniversário, pensa, e sente-o a entrar nela enquanto pensa que no fim vai ter de se lavar outra vez com água gelada. Puta de vida.
Ele vem-se e fumam um cigarro a meias. Não lhe deu os parabéns. Também que interessa, pensa ela, é um dia como os outros.
Então hoje, correu bem, pergunta ele. O caralho é que correu, responde ela, e mata o cigarro num cinzeiro atulhado.
Quê, não houve nada, insiste o cagão, fiz dois e já foi sorte, responde ela de mau humor.
Tenho aí umas merdas para pagar, diz ele, afagando-lhe o pescoço, e quê que eu tenho a ver com isso, responde de forma ríspida e levanta-se da cama para ir despejar o cinzeiro.
Era sempre a mesma coisa. Há anos que o parvalhão tinha perdido o emprego na carpintaria, e nunca mais procurou um filha da puta de um trabalho. Mandrião, é o que é, pensava ela, mas tirou vinte euros da carteira e estendeu-lhos.
Quando é que arranjas a merda de um emprego, tou farta desta merda toda, declarou, num tom bruto e desanimado em simultâneo.
Era sobre isso mesmo que te ia falar, diz ele, e desta vez tira um cigarro para cada um, e acende.
Então diz lá, responde, e senta-se de joelhos cruzados à sua frente.
Jonas olha fixamente para ela, faz um esgar que ela não lhe conhecia até então, dá uma longa trava no Ventil, e diz
Arranjei um esquema que nos vai deixar podres de ricos.
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ABERTAS ATÉ 15 DE JULHO AS INSCRIÇÕES PARA O III CURTA CANOA | ![]() |
De 23 a 29 de setembro uma das praias mais belas do Ceará vai se transformar, pela terceira vez, em cinema ao ar livre para a exibição de filmes de curta-metragem. É o Festival Latino-Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada - CURTA CANOA, que este ano tem na preservação do meio-ambiente o tema de discussões. As inscrições para a terceira edição já estão abertas e podem ser feitas até o dia 15 de julho. O formulário está disponível no site www.curtacanoa.com.br.
Podem concorrer aos prêmios filmes e vídeos de realizadores brasileiros, com duração máxima de 20 minutos. Já a mostra latino-americana é de caráter não competitivo. Serão selecionados curtas-metragens de ficção, de animação, documentários ou trabalhos experimentais concluídos a partir de junho de 2005.
LUA ESTRELA E ZÉ MELANCIA
A história de Canoa Quebrada passa pelos prêmios que serão concedidos aos vencedores em Cinema Brasileiro, Vídeo Brasileiro e Vídeo da Região Jaguaribana. Será concedido troféu ao melhor filme, direção, roteiro, fotografia, trilha original e direção de arte nas categorias filme em película de 35mm e vídeo, e ao melhor ator e melhor atriz de filme em película.
Aos melhores das mostras de Cinema e Vídeo Brasileiro serão entregues o troféu LUA ESTRELA, símbolo do local presente em esculturas nas suas falésias e levado aos quatro cantos do mundo em souvenirs fabricados por artesãos locais. Já os realizadores vencedores na mostra regional serão agraciados com o troféu ZÉ MELANCIA, pescador, construtor de jangadas, cantador, poeta popular autor de inúmeros folhetos e líder comunitário de Canoa Quebrada, falecido em 1977 aos 67 anos.
CINEMA, PRAIA E LUA CHEIA
Boa parte da programação do CURTA CANOA acontece ao ar livre, em plena praça, proporcionando a moradores e visitantes o prazer de assistir aos filmes na brisa da praia, sob a luz da lua cheia. Seminários e oficinas também são realizados em Canoa Quebrada, assim como em Aracati, cidade sede, e municípios vizinhos. Apresentações teatrais e musicais e a Regata de Jangadas da Comunidade dos Estevãos também acontecem nos dias o festival.
Aos visitantes, o CURTA CANOA é uma oportunidade participar de um festival de latino-americano de curta-metragem, ao mesmo tempo em que conhecem uma das mais lindas praias do litoral cearense, com infra-estrutura ideal para o turismo, com pousadas, restaurantes, boate, bares de praia e possibilidade de passeios pela região. A participação massiva da comunidade, nas duas edições já realizadas do festival, mostra que para os moradores este é um momento ímpar. Além dos sete dias em contato com a produção audiovisual da América Latina, o crescimento do fluxo turístico ocasionado pelo evento gera emprego e renda para a população. Em 2006, circularam no local mais de 15 mil pessoas durante a realização do CURTA CANOA.
O CURTA CANOA é uma realização da J.A. Lima Produções, promoção da Associação dos Empreendedores de Canoa Quebrada (ASDECQ), SEBRAE-CE, Prefeitura Municipal de Aracati, SETUR, com apoio da Lei Rouanet e Lei Estadual de Cultura.
SERVIÇO
III Festival Latino-Americano de Curta-Metragem de Canoa Quebrada - CURTA CANOA – Inscrições abertas até 15 de julho de 2007 para o festival que acontece de 23 a 29 de setembro em Canoa Quebrada/CE. Informações: www.curtacanoa.com.br.
Tel: (85) 3251.1105 / 3231.1624 / 9181. 4551 / 9998. 1930.
Fonte: http://www.focojornalistico.com.br/
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Insonorizações | ![]() |
Mais do que as dimensões gigantescas da manifestação, e imaginando o chinfrim que podem fazer 25 mil pessoas numa marcha de protesto, fica um elogio insólito à qualidade da insonorização do pavilhão multiusos de Guimarães, sede da presidência portuguesa da União Europeia:
«Segundo o comissário europeu do Emprego, Vladimir Sipdla, os cidadãos percebem perfeitamente a necessidade de “adaptação à mudança” nas sociedades europeias.» (Público)
Resulta evidente que percebem, todos percebemos bastante bem até. Talvez pela fraca insonorização das habitações no espaço europeu. Mas até que a Comissão Europeia se aperceba que percebemos, há que fazer ruído suficiente para perfurar os seus sistemas quase impenetráveis de isolamento, que apenas deixam ouvir e ver o que os senhores comissários entendam conveniente.
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Confederação dos Sindicatos Europeus - A grande mentira | ![]() |
Ontem em Guimarães, no âmbito do encontro informal de ministros
do Emprego e Assuntos Sociais, as ONG’s afirmaram que, «Se
queremos uma UE confiante, e em crescimento, temos que pensar de
que forma poderemos contribuir para a coesão social»
Já o representante do sector empresarial europeu, frisou que as
questões sociais estão «intimamente ligadas ao
desenvolvimento económico» o modelo da
«flexigurança» deverá conduzir ao aumento da
produtividade da economia europeia. «Só assim conseguiremos
que a economia europeia seja competitiva, nomeadamente em relação à
economia dos EUA».
«Uma União Europeia mais atraente deverá ser o nosso
objectivo», reforçou também o secretário-geral da
Confederação dos Sindicatos Europeus (ETUC). Para este dirigente, é
necessário que o termo «flexigurança» não assuste os
trabalhadores, mas que, pelo contrário, sirva para demonstrar que a
Europa «está viva» e «está bem».
Cá fora decorria uma manifestação convocada pela CGTP contra as
politicas deste governo e da União Europeia.
Que conclusões podemos tirar daqui. Que as ONG’s são os únicos
preocupados com a defunta Europa Social enquanto os patrões clamam
por flexigurança. Já quanto à posição dos sindicatos também ficámos
bem esclarecidos. A Europa encontrou como forma de dar a volta aos
seus problemas laborais a mesma que foi seguida em Portugal. Criou
uma espécie de UGT europeia, gente predisposta a vender os nossos
direitos por “dez reis de mel coado”. Assim, sempre que tomarem as
medidas liberais que tão ansiosamente esperam implementar, terão os
seus sindicalistas para assinar o acordo.
Não sou defensor da CGTP por não concordar com sindicatos dirigidos
de dentro de cúpulas partidárias, mas neste momento tenho de
reconhecer que é a única organização que faz contestação real a
esta vergonha a que assistimos todos os dias. Infelizmente, se não
forem os cidadãos desta Europa a vir para a rua a gritarem não,
esta corja liberal vai continuar a lixar-nos a todos.
Contributo para o Echelon: spies, IWO,
eavesdropping
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O milagre chinês | ![]() |
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Grandes planos... | ![]() |
O reforço da política de aprendizagem ao longo da vida e o reforço da cooperação entre os Estados-membros no domínio da educação e da formação são as prioridades da presidência portuguesa da UE para a área da Educação.
Segundo um documento publicado no site do Ministério da Educação, Portugal vai promover, durante a presidência da União Europeia, que assumiu no passado domingo, «um reforço do papel da política de aprendizagem ao longo da vida, acentuando as suas articulações com a economia, o emprego e a cidadania», no novo ciclo da chamada Estratégia de Lisboa, cuja preparação se inicia nos próximos seis meses. (...)
A presidência portuguesa pretende abordar estes pontos na Reunião dos Directores-Gerais da Formação Profissional, em Setembro, e no seminário sobre «Políticas de educação baseadas no conhecimento», promovido pela Rede Europeia dos Conselhos Nacionais de Educação.
Neste seminário, a presidência portuguesa prevê promover também «a aprendizagem mútua entre os Estados-membros, resultante da análise recíproca das respectivas políticas» e «a monitorização do progresso e da equidade conseguidos por cada Estado-membro relativamente à prossecução dos objectivos comuns». A avaliação dos resultados a nível da educação é, aliás, outra das prioridades da presidência portuguesa, que quer aprofundar «a cooperação com instituições exteriores à União europeia que se têm distinguido na produção e organização do conhecimento na área da educação, em particular a OCDE».
Neste contexto, a presidência portuguesa vai promover, em Dezembro, uma reunião entre o Comité europeu da Educação e uma delegação da OCDE. (...)
O Ministério da Educação apresenta sexta-feira, em pormenor, as prioridades da presidência portuguesa para a área da Educação, num encontro em Lisboa em que estarão presentes a ministra Maria de Lurdes Rodrigues e o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Jorge Pedreira.
Diário Digital / Lusa (Texto com supressões)


