Ocorrências de anos
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DIÁRIO DE GUERRA DO RAMBONE | ![]() |
Passei anos na floresta combatendo o inimigo, depois mais um tanto de anos tentando encontrar o caminho de volta para a minha base militar.
Nem preciso falar que só um valente como eu, para sobreviver a tudo aquilo.
Mas não foi fácil me acostumar com a vida civil. O próprio exército obrigava os ex-combatentes a participar do programa de reabilitação social com acompanhamento psiquiatrico, mas eu achava um saco, só ia porque conseguia uns remédios, aqueles tarja preta bacanudos.
Então em uma dessas visitas ao doutor, ele me aconselhou a fazer tarefas cotidianas, coisas simplinhas que todo mundo faz, como ir ao mercado, pagar conta no banco, cinema, passear no shopping, pegar uma puta e broxar... Enfim, coisinhas normais.
Escolhi, então, ir ao cinema, mesmo porque eu achava as outras coisas cansativas e broxar também, já não era mais novidade para mim.
Resolvi que deveria ver um desses filmes leves, que todo mundo vê e gosta, as chamadas comédias. Sim, era a coisa mais correta a fazer, ver um desses filminhos conhecidos como "água com açucar" e depois tomar um bom lanche. As pessoas normais fazem isso.
Fui ao cinema e perguntei para o cara que vendia os ingressos, qual dos filmes em cartaz era bom e ele me recomendaria. Ele respondeu que não conhecia todos, mas tinha um em especial que era muito engraçado, era com um ator chamado Robin Williams.
Eu não conhecia esse artista, na base secreta dos Chamytos, não tinhamos televisão. Nossa diversão era apenas um cineminha super 8, com filminhos mudos dos palhaços Torresmo e Fimose, e uns cinco ou seis suecos de sacanagem.
Durante a semana assistiamos aos pornôs e de domingo, o dos palhaços, para não enjoar.
Então eu comprei meu ingresso e fui para a sala de espera, mas para evitar pegar fila, preferi entrar no meio do filme.
Sentei ao lado de um gordinho que ria sem parar, então comecei a rir também, mesmo sem ter visto a piada, afinal eu queria passar despercebido e iniciar uma vida normal.
Mas com o passar do filme, eu comecei a achar que aquilo era algum tipo de armadilha. Ainda me certifiquei se estava vendo o filme certo e perguntei para o gordinho, que hora que o tal do Robim Williams aparecia e contava a piada.
Ele disse que era aquele cara ali, vestido de mulher, que se passava por babá.
Daí perguntei se ele já tinha contado a piada que era engraçada, e o gordinho me respondeu que a babá era a piada.
Então aquilo começou a me irritar de verdade, as pessoas riam das coisas mas sem graça! Me pareceu algum tipo de emboscada! Na certa, ao final do filme, eu poderia ter alguma surpresa desagradável!
Resolvi pensar rápido em uma maneira de fugir dali. E graças aos meus anos de experiência como estrategista, olhei tudo ao redor e elaborei um plano eficaz em poucos segundos!
Notei um sujeito ao meu lado com um balde de pipoca, grande o suficiente para que eu colocasse na minha cabeça.
Chamei lhe a atenção e disse se aquele chinelo rosa no chão era dele. Quando ele olhou para baixo, apliquei um eficiente golpe na sua nuca que o fez desmaiar na hora.
Esvaziei o resto da pipoca dentro da sua calça e peguei o balde. Logicamente fiz dois furos precisos para eu poder enxergar, tudo graças ao meu apurado conhecimento de anatomia.
Coloquei o balde na cabeça e pronto, ninguém iria me reconhecer.
Imediatamente, criei uma rápida confusão para que eu pudesse confundir o inimigo e fugir.
Peguei o copo de refrigerante do gordinho e joguei no pessoal das fileiras de trás.
O pessoal começou a xingar, a querer brigar, então dei ínicio a segunda parte do plano, peguei o gordinho pelo pescoço e com a outra mão puxei lhe a cueca violentamente para fora da calça!
Logo, ele era meu refén e eu avisei; "Ninguém dê nenhum um passo ou eu puxo essa cueca até a cabeça do gordinho!!"
Um cara então tentou levantar, mas eu disse; "Não tente bancar o herói, cara!" . E foi assim uma frase de efeito que eu li em uma revistinha de quadrinhos e funcionou muito bem.
Então, fui saindo de lado com o gordinho e quando cheguei na saída da sala, larguei ele e comecei a correr.
Tinha que sumir dali rapidamente, imagina as consequências de ver aquele filme até o fim!!
Notei então um funcionário passando rodo no chão, aproveitei o piso molhado e apliquei um carrinho preciso nele. Quando ele caiu, ainda completei o golpe com um elegante "double nelson" mas na variação solo, devido, obviamente, a minha posição.
Levantei, ligeiro como um cisco, no momento que um segundo funcionário saia do banheiro.
Fechei a mão e lhe apliquei um potente croque na parte superior frontal da cabeça! Esse golpe todos conhecem, desnecessário dizer que usei a técnica conhecida como " Seu Madruga".
Finalmente ganhei o saguão principal e já estava próximo a saída. Pensei em passar na bilheteria e pegar meu dinheiro de volta ou até mesmo me vingar do cara que indicou o filme, mas esses minutos poderiam me ser fatais.
O melhor era fugir dali mesmo!
Mas então surge um segurança na porta! No momento que ele me olhou assustado, apontei para cima e gritei; "Olha o pombo morto!"
Ao olhar na direção que eu apontava, apertei seu nariz violentamente e o soltei.
Essa técnica, por causar apenas um dano temporário ao adversário e não lhe trazer nenhuma sequela permanente, é conhecida como "Gasparzinho, o fantasminha camarada".
Para finalizar, me livrei do balde e sai do cinema de costas. Isso é claro para atordoar alguém que viesse atrás de mim, obviamente, pelo ângulo de visão, iria parecer que eu estava vindo e não indo, confundindo o adversário. Completando ainda o total despistamento, tomei um ônibus errado. Técnicas ninja, é claro.
Bom, não deu muito certo minha ida ao cinema, mas ainda faltava verificar se realmente meu médico não estava envolvido em algum plano para me destruir...
Mas isso fica para outro post.
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Novidades MCA!! | ![]() |
Colégio Estatal ou Colégio da Barra?
Pelo contrário, outras revistas de imprensa dizem que o Colégio da Barra vai continuar a ser o cenário da série. Vamos esperar para ver!
Inês Jindrich com novo look

Inês Jindrich com o seu novo look
Moranguitos dão a sua voz a Ratatui
O filme de animação estreia na próxima Quarta-feira, dia 15 de Agosto, e conta entre outros com as vozes de Tiago Felizardo ('Manel'), Pedro Caeiro ('Rui'), Pedro Górgia ('Prof. Paulo') e Carlos Freixo ('Francisco'). A não perder, na versão dobrada claro!
O CD/DVD dos 4 Taste no Campo Pequeno já está à venda. Não podes perder este fantástico e bombástico DVD. O CD contém 14 faixas, com 3 inéditos: "Chiclete", "Sol da Caparica" e "Sorrir". O alinhamento do CD é este:
1. Desta vez eu não te vou perdoar
2. É um sonho tão real
3. Mas talvez…
4. És quem eu quero
5. Nunca mais dizer nunca
6. Sol da Caparica
7. Leva-me assim
8. A tua vez de brilhar
9. Só tu podes alcançar
10. Eu não quero Olhar (p’ra trás)
11. Sempre que te vejo (sinto um desejo)
12. P’ra te ter
13. Chiclete
14. We can start over
E ainda com o inédito "Sorrir", a música da campanha "Vencer Barreiras".
O DVD inclui o fantástico concerto dos 4 Taste no Campo Pequeno, do dia 2 de Fevereiro. Inclui ainda fotos, videos, extras e muito mais!! Não podes perder!!
Spot's publicitários do CD/DVD dos 4 Taste no Campo Pequeno
E os 4Taste ainda agradeceram ao site mais cool sobre os 4 Taste!! O http://www.4taste4ever.cjb.net/ . Que fazem um excelente trabalho! Uma pequena homenagem bem merecida :D
MorangosComAçúcar FreeFotolog
O nosso Free está em grande!! Tens mesmo de passar por lá!! Passa por lá, comenta, e se quiseres podes pedir para postar-mos uma foto do teu moranguito preferido!
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Em vias de extinção... | ![]() |
O burro
; os burros.![]() |
Cansa-me... | ![]() |
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Coco verde? | ![]() |

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30 anos sem Elvis. Mas será mesmo? | ![]() |



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Reflexão | ![]() |
Mentiras ignoradas: jornalismo como propaganda, por John Pilger. Argumentos do jornalista expostos em Junho, na Socialism 2007 Conference de Chicago:
(1) o jornalismo
profissional foi inventado há 80 anos e logo começou o mito do
equilíbrio, da objectividade e da imparcialidade para atrair
publicidade; (2) para garantir o seu profissionalismo,
os jornalistas tiveram e têm que garantir que as notícias e as
opiniões têm que ser controladas por fontes oficiais; por exemplo,
depois do lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima, e
contrariando as reportagens de Wilfred Burchett que, rompendo o
bloqueio informativo imposto pelo General Douglas MacArthur
descrevia a destruição total, W.H. Lawrence fez o frete de se
deslocar ao Japão para minimizar, numa série de artigos, os efeitos
catastróficos da bomba atómica, merecendo, por isso, a atribuição
do prémio Pulitzer; (3) os princípios da
imparcialidade e da objectividade como alicerces do
profissionalismo defendido pela BBC revelaram-se princípios a
suspender sempre que o sistema esteja ameaçado; (4) a
BBC foi, ironicamente, usada pela secreta MI6 para difundir falsas
informações acerca do potencial bélico de Saddam, porque os
próprios profissionais da BBC poderiam ter produzido o mesmo
resultado; (5) a linguagem dos media é usada para
normalizar o impensável; (6) o segredo para furar este
esquema contaminado é colocar as questões certas na hora certa,
como o fez o
editorialista do New York Times de 24 de Agosto de 2005;
(7) Pilger aprendeu a lição quando, nos anos 70,
entrevistou o escritor checo e este lhe disse: “Nas ditaduras temos
mais sorte do que vocês do Ocidente. Não acreditamos em nada do que
lemos nos jornais ou vemos na televisão porque sabemos que é tudo
propaganda e mentira. Ao contrário de vocês, já aprendemos a
ultrapassar a propaganda e a ler entre as linhas, e também sabemos
que a verdade real é sempre subversiva.” (8) o
jornalista “embedded” foi introduzido depois de se ter aceite a
teoria de que a reportagem crítica tinha provocado a derrota da
América no Vietname; (9) nenhum dos 649 repórteres
colocados no Vietname se referiram ao massacre de My-Lai
ocorrido no dia 16 de Março de 1968 e apenas Daniel Ellsberg
e Seymour
Hersh o fizeram, na América; (10) os filmes de
Hollywood sobre a guerra do Vietname foram uma extensão do
jornalismo: normalizaram o impensável; (11) Pilger fez
e ofereceu um documentário (Year
Zero: the Silent Death of Cambodia) à PBS, que se disse chocada
por ele dizer que a América tinha preparado o caminho para as
atrocidades de Pol Pot; (12) Tony Blair já empurrou o
Reino Unido para a guerra mais vezes do que qualquer outro
primeiro-ministro da era moderna; (13) os Talibans
foram parceiros secretos da gigante petrolífera Unocal na
construção do oleoduto que atravessa o Afghanisthan;
(14) os russos já compreenderam que o objectivo do
alegado escudo defensivo americano é subjugá-los e humilhá-los, mas
os media ocidentais acusam Putin de estar a começar uma nova Guerra
Fria e omitem o desenvolvimento do Reliable Weapons
Replacement (RRW), o sistema nuclear americano destinado a
disfarçar a diferença entre guerra convencional e guerra nuclear;
(15) nas universidades, nas escolas de jornalismo, nas
redacções, professores de jornalismo, jornalistas, precisam de
quebrar este silêncio imposto por um sistema que fala de uma
objectividade de treta.
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Nero | ![]() |

“Sentia-se cada vez pior. Agora nem a cabeça sustinha de pé. Por isso encostou-a ao chão, devagar. E assim ficou, estendido e bambo, à espera. Tinha-se despedido já de todos. Nada mais lhe restava sobre a terra senão morrer calmo e digno, como outros haviam feito a seu lado. É claro que escusava de sonhar com um enterro bonito, igual a muitos que vira, dentro dum caixão de galões amarelos, acompanhado pelo povo em peso… Isso era só para gente, rica ou pobre. Ele teria apenas uma triste cova no quintal, debaixo da figueira lampa, o cemitério dos cães e dos gatos da casa. E louvar a Deus apodrece.: a dois passos da cozinha! A burra nem sequer essa sorte tivera. Os seus ossos reluziam ainda na mata da Pedreira. Chuva, geada, sincelo em cima. Até um lebrão descarado se fora aninhar debaixo da arcada das costelas, de caçoada! Ah, sim, entre dois males… Já que não havia melhor, ficar ao menos ali. No tempo dos figos, pela fresca, a patroa viria consolar a barriga. Gostava de figos, a velhota. E sempre se sentiria acompanhado uma vez por outra. Não que fizesse grande finca-pé naquela amizade. Longe disso. A menina dos seus olhos era a morgada, a filha, que o acariciava como a uma criança. A velha toda a vida o pusera a distância. Dava-lhe o naco da broa (honra lhe seja), mas borrava a pintura logo a seguir: - Ala! E ele retirava-se cerimoniosamente para o ninho. Só a rapariga o aquecera ao colo quando pequeno, e, depois, pelos anos fora, o consentira ao lume, enroscado a seus pés, enquanto a neve, branca e fria, ia cobrindo o telhado. O velho também o apaparicava de tempos a tempos. Se a vida lhe corria e chegava dos bens de testa desenrugada, punha-lhe a manápula na cabeça, meigamente, e prometia-lhe a vinda do patrão novo. Porque o seu verdadeiro senhor era o filho, um doutor, que morava muito longe. Só aparecia na terra nas férias de Natal. Mas nessa altura pertencia-lhe inteiramente. Os outros apenas o tratavam, o sustentavam, para que o menino tivesse cão quando chegasse. Apesar disso, no íntimo, considerava-se propriedade dos três: da filha, do velho e da velha. Com eles compartilhara aqueles longos oito anos de existência. Com eles passara Invernos, Outonos e primaveras, numa paz de família unida. Também estimava o outro, o fidalgo da cidade, evidentemente, mas amizades cerimoniosas não se davam com o seu feitio. Gostava era da voz cristalina da dona nova, da índole daimosa da patroa velha e da mão calejada do velhote.
- Tens o teu patrão aí não tarda, Nero…
O nome fora-lhe posto quando chegou. Antes disso, lá onde nascera, não tinha chamadoiro. Nesse tempo não passava dum pobre lapuz sem apelido, muito gordo, muito maluco, sempre agarrado à mama da mãe, que lhe lambia o pêlo e o reconduzia à quentura do ninho, entre os dentes macios, mal o via afastar-se. Pouco mais. Com dois meses apenas, fez então aquela viagem longa, angustiosa, nos braços duros dum portador. Mas à chegada teve logo o amigo acolhimento da patroa nova. Festas no lombo, leite, sopas de café. De tal maneira, que quase se esqueceu da teta doce onde até ali encontrava a bem aventurança, e dois irmãos sôfregos e birrentos.
- Nero! Nero! Anda cá, meu palerma!
A princípio não percebeu. Mas foi reparando que o som vinha sempre acompanhado de broa, de caldo, ou de um migalho de toucinho. E acabou por entender. Era Nero. E ficou senhor do nome, do seu nome, como da sua coleira.
[…]
Lá dentro frigiam carne. Ouvia bem o chorriscar da gordura na sertã. Dantes, seria o bastante para lhe correr a baba pela barbelas abaixo. Agora, só a lembrança de torresmos dava-lhe volta ao estômago. Uma perfeita ruína! Estava podre por dentro e por fora… Raio de vida! E o malandro do galo a galar a galinha! Tivesse ele procedido doutra maneira, quando o parvo era frangote, e já então cheio de proa, e não estaria agora o demo a fazer-lhe macaquices. Mas era feio um navarro dar um apertão num frango. Saiba um homem respeitar-se. Que grande dor de cabeça!... Que peso medonho na arca do peito!... E o corpo mole, sem acção…
Aí vinha a patroa nova observar o andamento daquilo…
Fechou os olhos. Sempre gostava de ouvir o que diria quando o visse como morto…
Ela chegou-se e ficou silenciosa.
Por uma fresta das pestanas espreitou-lhe a cara. Chorava. Desceu novamente as pálpebras, feliz.
E à noite, quando o luar dava em cheio na telha vã da casa, e os montes de S. Domingos, lá longe, pareciam ter já saudade das suas patas seguras e delicadas, quando o cheiro da última perdiz se esvaiu dentro de si, quando o galo cantou a anunciar a manhã que vinha perto, quando a imagem do filho se lhe varreu do juízo, fechou duma vez os olhos e morreu.”
Miguel Torga
Nero de “Bichos”
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Feudos do carimbo | ![]() |
É
que a Constituição de 88 estabeleceu concurso público para
preenchimento de vagas nessas lucrativas arapucas do carimbo. Antes
da Constituição, os governadores nomeavam quem quisessem e a mina
de ouro passava de pai para filho.![]() |
Refinaria da Petrogal faz duas descargas anuais poluentes | ![]() |
Espinho, fim da tarde de Sábado. Um carrinho de compras do Lidl está abandonado na esquina da rua 7 com a avenida 8. O Lidl mais próximo fica cerca de 2km a norte, em S. Félix da Marinha, Vila Nova de Gaia.
- A refinaria da Petrogal, em Leça da Palmeira, Matosinhos, faz, pelo menos, duas descargas anuais poluentes para o mar. Este ano, pelo menos oficialmente, já foram registados três casos. Apesar das cíclicas promessas feitas pela Petrogal de que todos os problemas ambientais estão resolvidos, o certo é que todos os anos acontecem derrames e descargas de hidrocarbonetos ou seus derivados. O biólogo Paulo Talhadas dos Santos considera este tipo de descargas contínuas e localizadas muito mais perniciosas para o ambiente do que as grandes catástrofes.
- Foram excluídos todos os concorrentes ao concurso público para o tratamento das 140 mil toneladas de lamas oleosas de Sines que estão depositadas num aterro em Santiago do Cacém, não se sabendo agora quando é que esses resíduos vão ser tratados. A situação é de tal modo grave que a Quercus está a estudar juridicamente este caso e pondera avançar para os tribunais caso se confirmem as fortes suspeitas existentes sobre a forma irregular como este processo decorreu. Este concurso público apenas surgiu depois da Quercus ter feito ver ao Governo que não poderia enviar aqueles resíduos para co-incineração sem que antes lançasse um concurso público, uma vez que o tratamento teria de ser pago pelo Orçamento Geral do Estado. Este concurso revelou que a solução defendida pelo Governo, - a co-incineração nas cimenteiras da Secil e da Cimpor -, custaria ao Estado mais 7 milhões de euros do que as outras propostas, pelo que numa análise correcta dificilmente aquelas cimenteiras seriam escolhidas. As outras três propostas presentes a concurso foram excluídas sem ser por base em critérios técnicos e económicos, mas apenas com base em argumentos meramente administrativos muito mal justificados, diz a Quercus.
- A associação Áqua-Mondego diz que vai mover um processo por crime ambiental à Estradas de Portugal alegando que as obras de ampliação da Ponte dos Arcos são responsáveis pela morte de toneladas de peixes de pisciculturas. Tudo porque as toneladas de sedimentos colocadas para suster as águas e permitir o andamento dos trabalhos de ampliação da Ponte dos Arcos, foram libertados e com a corrente, estão a ser arrastado para dentro dos tanques dos piscicultores, matando os peixes.
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Uma profissão de futuro | ![]() |
A simpatia
daqueles que visitam este espaço não para e recebemos mais um texto
sobre educação que considero merecer aqui divulgação. Como sempre,
assinei só com as iniciais dos autores, por não saber se gostariam
de ver o seu nome aqui colocado.Mas agora inventou-se uma saída gira , para o excesso de professores que agora, depois de uma vida dedicada ao ensino são chutados para o lixo, esquecendo-se quem manda que, sem professores, ninguém saberia escrever o seu próprio nome, e se calhar era melhor: criou-se uma coisa chamada de Professor Titular e depois há os que têm título e os que não têm. Mas os que conseguirem o tão almejado título, ficam na mesma, não têm qualquer remuneração acrescentada, mas passarão a ter muito mais trabalho pois só a eles é permitido o desempenho de certos cargos. Talvez os outros não tenham «enquadramento» – expressão oficial, ou será que quiseram dizer perfil? Mas até à data desempenharam com garra e mérito os cargos de que foram sucessivamente sendo encarregados. Agora, arbitrariamente só contam para esta « progressão» os últimos sete anos de carreira. Porquê os últimos sete, e não os dez, ou os sete do meio ou os primeiros sete? Já se viu alguma promoção não ser baseada no curriculum? Mas manda quem pode e a D. Lurdes é que sabe. Por isso, ficou um panorama docente curioso, nas escolas: professores com metade do tempo de serviço, com curriculum menor ficaram à frente de professores muito mais velhos na carreira, mas que nestes ditos sete anos, foram simplesmente professores ou desempenharam cargos de « não enquadramento» Como se actua num país sem Lei, onde os mais velhos e experientes correm o risco de ir parar ao cesto dos papéis, porque alguém concebeu uma forma de progressão aleatória, ignóbil, injusta. É este o nosso Estado de Direito? E se nesses sete anos, o professor tiver prestado serviço num sindicato, alto que é homem a abater. E então, não pode passar a professor titular, contra toda a legislação que considera esse trabalho equiparado a serviço docente. Assim vivam os actuais titulares que estiveram uma vida inteira numa biblioteca porque não gostavam de dar aulas, vivam! Vivam os que foram encarregados de serviços quase administrativo porque eram incapazes de manter a disciplina dentro da sala de aula, vivam. Vivam todos e viva a D. Lurdes que Deus lhe conserve a sagacidade política e o discernimento legal. Vivam que o povo é sereno !
Depois queixem-se que o ambiente é de cortar à faca! Se se incrementam desta forma as irregularidades e ilegalidades entre professores querem depois bom ambiente e interajuda? Querem melhorar assim a qualidade do ensino, promovendo a inépcia, a inexperiência quiçá a mediocridade?
Quem cá dera o mundo de Orson Wells, onde o Porco chefe organizava a quinta...
Parabéns, D. Lurdes, a senhora percebe disto, o ensino irá longe consigo. Vivam as telenovelas, e os Big Brothers deste país que distraem o povo e o mantêm sereno.
Puseram-nos lá...aturem-nos e amanhem-se que eu não percebo nada disto.
U.C.N.
Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17
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Evolução ou evoluções?... | ![]() |

Os fósseis encontrados a leste do lago Turkana no Quénia colocaram dúvidas sobre teoria da evolução do homem. A conclusão está num artigo na revista científica " Nature " desta semana.
Os cientistas da equipa liderada por Fred Spoor , da University College de Londres consideram que a descoberta de uma mandíbula do Homo habilis , com 1,44 milhões de anos, e de um crânio do Homo erectus, curiosamente mais antigo, com 1,55 milhões de anos, afastam a possibilidade do habilis ser ‘pai’ do erectus, por estes terem vivido em simultâneo durante 500 mil anos.
O cenário evolutivo mais aceite até agora costumava ver uma sucessão clara entre o H. habilis e o H . erectus. O primeiro teria surgido por volta de 2,3 milhões de anos atrás, no leste da África, e usado pela primeira vez ferramentas de pedra fabricadas por ele mesmo (daí o nome latino de "hábil"). Era um hominídeo pequeno, pouco maior que um chimpanzé moderno.
Já o H. erectus, suposto descendente direto e substituto do H. habilis, teria surgido por volta de 1,9 milhão de anos atrás e desenvolvido um cérebro com dois terços do volume do nosso, assim como tamanho e proporções do corpo praticamente iguais ao do homem moderno.
“O fóssil da mandíbula indicia que o H. habilis não era a espécie-mãe do H . erectus. Eram sim espécies irmãs que viveram ao mesmo tempo”, sustentam os investigadores na revista Nature. A ideia do trabalho exclui totalmente é a ideia de uma única linhagem da evolução, sem 'galhos', na qual um se transforma no outro.
A posição dos cientistas no
Quénia surge uma semana após uma equipa espanhola de paleontologia
defender que os nossos antepassados serão originários não apenas de
África mas também da Ásia.
O uso do DNA abalou a Evolução do homem e contrariou as teorias
dominantes de há 30 anos ao afastar o Homem de Neandertal, como um
nosso antepassado. A ligação entre o australopiteco e o Homo
erectus também é polémica.
Parece que mais um dogma cientifico poderá cair por terra... E esta descoberta poderá ter diversas implicações no próprio "tecido" da evolução. Evoluções paralelas e plurais poderão demonstrar que existe, de facto, um caminho convergente na evolução das espécies, o que alarga o horizonte até agora restrito da própria evolução.
Sobre algo relacionado, também poderá encontrar um interessante no blog Quintus.
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Blogosfera | ![]() |
- Construções na Albufeira de Montargil: O Ponte de Sor reproduz artigo de João Pedro Amante, publicado na edição de Agosto do Jornal A Ponte. Aí se esclarece melhor alguns pontos despoletados pela reportagem do Semanário Económico de 18 de Julho. Com muitas fotos elucidativas.
- Ecologistas de bolso, segundo Demétrio Alves: “ (…) A maior parte (...) até são cultos e cientificamente credenciados. Mas, de facto, eles não pretendem questionar as verdadeiras razões políticas e económicas que estão na base dos graves problemas que asfixiam os povos, porque, no essencial, estes ecologistas fazem parte do sistema. É por isso que os governos os utilizam como e quando querem, tirando-os do bolso sempre que necessário." Faço minhas as palavras do A-Sul quando se interroga se o Partido Os Verdes não será uma mão cheia de ecologistas de bolso da CDU no parlamento?
- Após 11 anos de processo judicial, os construtores automóveis japoneses aceitaram pagar 7,5 milhões de euros a asmáticos, que alegadamente contraíram a doença devido à poluição atmosférica.
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Peru devolve lixo nuclear à Escócia | ![]() |
- Lixo radioactivo exportado pela Escócia para o Peru há dez anos foi devolvido à central nuclear de Dounreay em Caithness. Parece anedota. Um pipa de massa gasta para nada, e os britânicos já sabiam que os peruanos não tinham condições para reciclar aquele tipo de lixo.
- A cotação do carbono europeu pode voltar a baixar, avisa a Open Europe. O seu relatório levanta o espectro de um excesso de oferta de créditos que, o ano passado, fez cair abruptamente os preços do carbono .
- No Brasil, a Embrapa e a Basf anunciaram um contrato para o desenvolvimento comercial de uma variedade de soja transgénica, tolerante a herbicidas. A nova soja contém um gene da planta Arabidopsis thaliana (uma planta modelo de laboratório, muito utilizada em pesquisas no mundo todo) que confere resistência a uma classe de herbicidas chamada imidazolinonas. Dessa forma, o herbicida pode ser aplicado para o controle de ervas daninhas sobre toda a lavoura, sem prejuízo para a soja.
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Barcelona, Portugal, Salvia e outros delírios absolutos em semelhança | ![]() |


Viajar é estranho. Entrei num avião e, passada uma hora, estou do outro lado, 1500 quilómetros mais longe: outro ar, outra gente, outra cidade infinitamente maior e mais urbana. Fez-me bem ver o avião a levantar, a sobrevoar a cidade em que vivo e a afastar-se deixando para trás problemas, traições – a falsidade com que me encheram os olhos durante tanto tempo. ZUUMMMMMMMM – lá ia eu a caminho de algo diferente. Movido pelo incessante egoísmo que fecha os olhos das pessoas omito da parte inicial deste relato Jesus Rodriguez, meu companheiro de viagem. Enfrentou muito melhor o pânico inicial do voo: eu agarrei-me firmemente à cadeira na esperança de que ela amparasse a minha queda. Jesus já aparece novamente um pouco mais longe neste relato.
No aeroporto tivemos o nosso primeiro desaire: uma máquina telefónica manhosa comeu-nos a pasta com que iríamos ligar para Jone… Digo-vos, as cabines de “lá” são ainda mais manhosas do que as de cá. Parecem blindadas e têm um insaciável apetite. Jesus e o seu magnífico telemóvel ligaram e recebemos as nossas coordenadas: Entrar no bus, ir sempre e sair em Urgell; ele estaria lá à nossa espera. Primeiras impressões: bem, essas foram tiradas do ar e aquilo que vi foi uma cidade enorme atravessada por avenidas e perpendiculares; mar, muito mar; carros formigas a mexerem-se pelas ruas; um sol enorme e brilhante. Boas vibrações. Em terra foi o atravessar o trânsito num veículo com ar condicionado: túneis, motas, carros, tráfego a meio da tarde; vias rápidas, sinais em catalão; paragem súbita numa via elevada; conversas em francês e inglês e línguas bizarras e impronunciáveis; dois portugueses a olhar para tudo e a estabelecer o plano de jogo. Lá fora a vida dos “nativos” decorre normalmente entre bicicletas e motas e um delírio apressado pós siesta. Bom!

Reencontro. A casa é perto e precisamos de comprar comida. A comida nem é assim muito cara. Deixamos as coisas em casa e vamos comprar… assim lá para os lados do MACBA. Passear pela cidade à tarde. Ramblas, turistas, nativos, estranhos e estrangeiros; um cota de cerca sessenta anos vestindo unicamente uma daquelas palas verdes que usaria um notário americanos nos anos ’20 e um piercing enorme e refulgente na ponta da gaita a passear, a aproveitar o sol de fim de tarde para escurecer mais a sua t-shirt e calção tatuados… Estranho, mas faz todo o sentido. Niña’ guapa’ que olham e fixam o olhar e sorriem porque é belo sorrir e está calor e respira-se sexualidade no ar. Bom! somos jovens, para quê recear o julgamento? Homens estátua e estátuas de homens, gatos gigantes, olho para trás para ver melhor a rapariga que acaba de passar (e não, não és tu; aquela que eu procuro e secretamente gostava de ter aqui para partilhar da minha loucura contida) e que olhou para mim como quem não me via, mas eu sei que ela me viu pela forma como desviou o olhar, pracinhas pequenas e arejadas… árvores e sombras providenciais. Na Plaza Reial uma fonte, frescura, turistas em delírios fotográficos e eu e Jesus (perdoe-se a piada, mas estava mesmo bem acompanhado!), fugimos do ajuntamento deixando para trás a homenagem a Garibaldi e as palmeiras e a frescura da fonte.

Há muita coisa de que eu não vou falar. Talvez tenha chegado a
idade em que prefiro guardar dentro de mim o que vejo penso e faço
porque é demasiado real para transmitir aos outros. Mas vou
escrever aqui as únicas linhas que escrevi em Barcelona, apesar de
toda a minha boa vontade. Vou só explicar o que tinha acontecido no
dia anterior: tínhamos ido visitar a Gracia, eu, Jesus, Jone e sua
senhora. Quando vínhamos embora encontramos uma loja que estava em
liquidação do stock de líquidos; enquanto eles se apaixonaram por
vinho e cava eu vi do lado direito de quem entrava na penumbra
várias garrafas de rum branco que diziam “Don Sorel” a 3 euros. Um
sorriso iluminou-me a face! Após uma noite em que o rum deu cabo de
mim depois de eu lhe ter esvaziado o corpo foram poucas as memórias
"concretas" que restaram. Lembro-me de um bar manhoso e livre e
barato numa casa ocupada, lembro-me também de andar pelas ruas
descalço, cheio de calor a dizer coisas - ou a gritar, as versões
variam. Acima de tudo precisava de um duche frio para aclarar as
ideias. Ganzas e ganzas na praça do MACBA, cerveza/bier gelada, o
primeiro gole entornado no chão para os amigos que não estão, ou se
calhar não foi lá… Quando voltamos a casa sentei-me no sofá. No dia
seguinte, domingo, dei por mim aterrado na sala, sem saber onde
estava quando abri os olhos. Só reconheci e me recordei do que se
passava e onde tudo se passava por causa dos cheiros, dos ruídos.
Tentei ir para o quarto onde era suposto dormir, mas o meu fígado
mal-tratado tinha outras ideias. Ainda para mais a vizinha fritava
peixe e alguém de casa fritava carne… Os cheiros deixavam-me
completamente nauseado. Passei grande parte da manhã a correr da
cama, a evitar calcar Jesus que dormia na paz dos santos no chão do
quarto e a enfiar a cabeça dentro da sanita para tirar de mim o que
quer que estivesse a mais. Alminhas! Apesar de tudo, continuo a
dizer que devia ter comprado duas garrafas daquele álcool açucarado
– era um bom preço.
Portanto, é domingo, 19h40 minutos hora de Barcelona e estamos no
Parc da Ciutadela a descansar, a respirar, a fumar umas brocas e a
ver o que se passa.
“Avenidas ordenadas de árvores de todas as espécies, turistas,
turistas e nativos circenses, pessoal a fazer ganzas discretamente
enquanto os Mossos passam, música de todos os lados, pássaros
verdes vindos de um qualquer deliro sul-americano, uma roda de
capoeira, mulheres lindíssimas. Uma ressaca de rum monstruosa a
pesar-me na cabeça e 5 dias passados em Barcelona. La vida loca
(perdoem a citação de Ricky Martin, mas estava muito ressacado). No
aeroporto nada fazia crer que fosse assim. Eu e Jesus saímos do
avião suados e atrasados uma hora. Milhares de turistas de todos os
tipos: “bifes” com camisolas de futebol, nórdicos já vermelhos e
mal saíram do avião, alemãs grandes com cara de quem te esmaga a
cabeça se não lhes deres o prazer suficiente na altura do orgasmo…
não interessa.”
Foi isto tudo o que escrevi. Não havia tempo: tinha tanto para ver,
tanto para esquecer. Além do mais, para meter Barcelona dentro de
palavras teria de fazer uma enumeração enorme que iria desde o
Bairro Gótico a Barceloneta, passaria pela Plaza Tripi (ou Plaza
George Orwell, calmamente videovigilada), daria uma volta pelas
praias, Champanharia (ai, que grande paulada de Cava e tapas),
Ramblas, Raval e Donnër Raval (reconhecido internacionalmente),
noites compridas e rápidas, duas turistas inglesas, uma alta e
cheia de pinta a outra uma porquinha pequenina, com medo de serem
violadas por um Paquistanês mal-intencionado e de olhar homicida
que as seguia – correm na tua direcção com as suas mini-saias e
maquilhagem e recusam a tua ajuda por receio que sejas um português
sádico que lhe vá levantar as saias no átrio do hotel para as
possuir à força no elevador (não fui eu que disse isto), Bairro da
Inês, cheiro a absinto e putas baratas que te agarram e tentam
convencer à força de que tens força na verga apesar de todo o
álcool, turistas, agressões entre gritos e garrafas partidas,
transsexuais encostados perto dos hóteis fixes e ingleses bêbedos
que se enganam até ao momento em que metem a mão e lhes gritam
“SURPRESA!”… Chavalos e chavalas a ler o Harry Potter e a chorar
com a morte do herói… JK Rowling, os meus parabéns por teres
ascendido de escrava de um ressacas a escravizadora de imaginações.
Brutal.

Morreria de falta de ar antes de conseguir acabar esta enumeração,
o que por si não diria nada ou talvez tudo sobre a cidade…

(No meio de toda esta grandeza libertadora, no
vórtice do anonimato e apesar de todas as palavras que me enchiam a
boca de libido, eras tu quem eu via nos suaves corpos com que me
cruzava. Eram as pistas que me reconduziram a ti que eu procurava.
Porque "nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela
despenhada de sua órbita viva. - Porém, tu sempre me
incendeias".)
Ainda tive oportunidade de ver um ensaio de algo definido como
chill-out psicadélico: cítara, guitarra e percussão… Catita! Jone
tem sorte com a casa que encontrou. Agora só precisa de uma casa
para dar largas ao desespero de quem quer viver tudo.
Ainda não compreendi muito bem o que me aconteceu por lá, mas algo
aconteceu. Algo de importante. Isso só se tornou totalmente
compreensível há bem pouco tempo, quando recebi uma mensagem para
aparecer no Piolho. Rever um amigo, beber umas cucas, falar um coto
na esplanada do 77. Nesta altura não fazia ideia de como a noite
iria acabar: no Jardim de Soares dos Reis, com uma gigantesca
paulada de salvia x20 e uma noite que arrefecia a cada momento que
passava.
Quando se sente a pele aspirada do corpo e o mundo todo a fundir-se
em sombras e luz que tomam forma num silêncio que sabes corrompido,
compreendes a unidade de tudo; a beleza individual de cada
partícula que compõe o universo visível e invisível que te rodeia e
a necessidade de todas as partículas para a criação de algo tão
belo como o mundo. É só saber aproveitar as coisas boas que este
tem para oferecer.
Portugal parece-me mais pequeno e tacanho desde que voltei… mas não
tem problema. Há sempre alguém a quem podemos ligar quando o mundo
se aperta à nossa volta, right baby? E podemos sempre dar a
fuga…
Gostaria de acrescentar aqui um abraço a Jesus porque me aturou
vários dias e ninguém sabe como eu como isso é difícil; a Jone e a
companheiros de casa pela hospitalidade; à sua senhora pelo jantar;
à minha senhora pela confiança e por ter esperado; ao mundo por ser
uma coisa bonita com a qual uma pessoa se consegue tornar mais
sábia.
josé de arimateia, numa paz relativa muito, mas muito agradável
PS- agradeço ao meu alter ego "quase." a cedência de todas as fotos deste post






