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Ocorrências de anos


DIÁRIO DE GUERRA DO RAMBONE

Bom, não é novidade para ninguém que depois que abandonei minhas atividades na tropa G.I. Joe Chamyto, não consegui me adaptar muito bem a vida normal.
Passei anos na floresta combatendo o inimigo, depois mais um tanto de anos tentando encontrar o caminho de volta para a minha base militar.

Nem preciso falar que só um valente como eu, para sobreviver a tudo aquilo.

Mas não foi fácil me acostumar com a vida civil. O próprio exército obrigava os ex-combatentes a participar do programa de reabilitação social com acompanhamento psiquiatrico, mas eu achava um saco, só ia porque conseguia uns remédios, aqueles tarja preta bacanudos.

Então em uma dessas visitas ao doutor, ele me aconselhou a fazer tarefas cotidianas, coisas simplinhas que todo mundo faz, como ir ao mercado, pagar conta no banco, cinema, passear no shopping, pegar uma puta e broxar... Enfim, coisinhas normais.

Escolhi, então, ir ao cinema, mesmo porque eu achava as outras coisas cansativas e broxar também, já não era mais novidade para mim.

Resolvi que deveria ver um desses filmes leves, que todo mundo vê e gosta, as chamadas comédias. Sim, era a coisa mais correta a fazer, ver um desses filminhos conhecidos como "água com açucar" e depois tomar um bom lanche. As pessoas normais fazem isso.

Fui ao cinema e perguntei para o cara que vendia os ingressos, qual dos filmes em cartaz era bom e ele me recomendaria. Ele respondeu que não conhecia todos, mas tinha um em especial que era muito engraçado, era com um ator chamado Robin Williams.
Eu não conhecia esse artista, na base secreta dos Chamytos, não tinhamos televisão. Nossa diversão era apenas um cineminha super 8, com filminhos mudos dos palhaços Torresmo e Fimose, e uns cinco ou seis suecos de sacanagem.
Durante a semana assistiamos aos pornôs e de domingo, o dos palhaços, para não enjoar.

Então eu comprei meu ingresso e fui para a sala de espera, mas para evitar pegar fila, preferi entrar no meio do filme.

Sentei ao lado de um gordinho que ria sem parar, então comecei a rir também, mesmo sem ter visto a piada, afinal eu queria passar despercebido e iniciar uma vida normal.


Mas com o passar do filme, eu comecei a achar que aquilo era algum tipo de armadilha. Ainda me certifiquei se estava vendo o filme certo e perguntei para o gordinho, que hora que o tal do Robim Williams aparecia e contava a piada.
Ele disse que era aquele cara ali, vestido de mulher, que se passava por babá.
Daí perguntei se ele já tinha contado a piada que era engraçada, e o gordinho me respondeu que a babá era a piada.

Então aquilo começou a me irritar de verdade, as pessoas riam das coisas mas sem graça! Me pareceu algum tipo de emboscada! Na certa, ao final do filme, eu poderia ter alguma surpresa desagradável!

Resolvi pensar rápido em uma maneira de fugir dali. E graças aos meus anos de experiência como estrategista, olhei tudo ao redor e elaborei um plano eficaz em poucos segundos!


Notei um sujeito ao meu lado com um balde de pipoca, grande o suficiente para que eu colocasse na minha cabeça.
Chamei lhe a atenção e disse se aquele chinelo rosa no chão era dele. Quando ele olhou para baixo, apliquei um eficiente golpe na sua nuca que o fez desmaiar na hora.
Esvaziei o resto da pipoca dentro da sua calça e peguei o balde. Logicamente fiz dois furos precisos para eu poder enxergar, tudo graças ao meu apurado conhecimento de anatomia.

Coloquei o balde na cabeça e pronto, ninguém iria me reconhecer.

Imediatamente, criei uma rápida confusão para que eu pudesse confundir o inimigo e fugir.
Peguei o copo de refrigerante do gordinho e joguei no pessoal das fileiras de trás.

O pessoal começou a xingar, a querer brigar, então dei ínicio a segunda parte do plano, peguei o gordinho pelo pescoço e com a outra mão puxei lhe a cueca violentamente para fora da calça!
Logo, ele era meu refén e eu avisei; "Ninguém dê nenhum um passo ou eu puxo essa cueca até a cabeça do gordinho!!"
Um cara então tentou levantar, mas eu disse; "Não tente bancar o herói, cara!" . E foi assim uma frase de efeito que eu li em uma revistinha de quadrinhos e funcionou muito bem.

Então, fui saindo de lado com o gordinho e quando cheguei na saída da sala, larguei ele e comecei a correr.
Tinha que sumir dali rapidamente, imagina as consequências de ver aquele filme até o fim!!

Notei então um funcionário passando rodo no chão, aproveitei o piso molhado e apliquei um carrinho preciso nele. Quando ele caiu, ainda completei o golpe com um elegante "double nelson" mas na variação solo, devido, obviamente, a minha posição.
Levantei, ligeiro como um cisco, no momento que um segundo funcionário saia do banheiro.
Fechei a mão e lhe apliquei um potente croque na parte superior frontal da cabeça! Esse golpe todos conhecem, desnecessário dizer que usei a técnica conhecida como " Seu Madruga".


Finalmente ganhei o saguão principal e já estava próximo a saída. Pensei em passar na bilheteria e pegar meu dinheiro de volta ou até mesmo me vingar do cara que indicou o filme, mas esses minutos poderiam me ser fatais.
O melhor era fugir dali mesmo!

Mas então surge um segurança na porta! No momento que ele me olhou assustado, apontei para cima e gritei; "Olha o pombo morto!"
Ao olhar na direção que eu apontava, apertei seu nariz violentamente e o soltei.
Essa técnica, por causar apenas um dano temporário ao adversário e não lhe trazer nenhuma sequela permanente, é conhecida como "Gasparzinho, o fantasminha camarada".


Para finalizar, me livrei do balde e sai do cinema de costas. Isso é claro para atordoar alguém que viesse atrás de mim, obviamente, pelo ângulo de visão, iria parecer que eu estava vindo e não indo, confundindo o adversário. Completando ainda o total despistamento, tomei um ônibus errado. Técnicas ninja, é claro.

Bom, não deu muito certo minha ida ao cinema, mas ainda faltava verificar se realmente meu médico não estava envolvido em algum plano para me destruir...

Mas isso fica para outro post.



Novidades MCA!!

Ana Ferreira já foi figurante dos Morangos, mas...


Segundo a TVGuia, na altura em que a menina fazia de figurante (série 2), ficou magoada com a produção dos MCA porque não estava à espera de ser dispensada tão cedo da série, e disse mal do elenco, da produção e da qualidade da série! Dois anos depois, volta à série, com a personagem Camila, a falsa nadadora-salvadora da praia.

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Ana Ferreira
(Clica na imagem para ampliar)


Colégio Estatal ou Colégio da Barra?


Algumas revistas de imprensa dizem que o Colégio da Barra não vai ser o cenário da nova série, por causa da explosão que lá ouve, etc. etc. Dizem agora ser um novo colégio, chamado por Colégio Estatal.
Pelo contrário, outras revistas de imprensa dizem que o Colégio da Barra vai continuar a ser o cenário da série. Vamos esperar para ver!


Inês Jindrich com novo look


A actriz certamente já está novamente morena. Nas fotos novas do seu book, a "Natacha" já exibe a sua nova tonalidade do cabelo. Eis a foto:



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Inês Jindrich com o seu novo look


Moranguitos dão a sua voz a Ratatui


O filme de animação estreia na próxima Quarta-feira, dia 15 de Agosto, e conta entre outros com as vozes de Tiago Felizardo ('Manel'), Pedro Caeiro ('Rui'), Pedro Górgia ('Prof. Paulo') e Carlos Freixo ('Francisco'). A não perder, na versão dobrada claro!

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Tiago Felizardo
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Pedro Caeiro
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CD/DVD, 4 Taste no Campo Pequeno

O CD/DVD dos 4 Taste no Campo Pequeno já está à venda. Não podes perder este fantástico e bombástico DVD. O CD contém 14 faixas, com 3 inéditos: "Chiclete", "Sol da Caparica" e "Sorrir". O alinhamento do CD é este:

1. Desta vez eu não te vou perdoar
2. É um sonho tão real
3. Mas talvez…
4. És quem eu quero
5. Nunca mais dizer nunca
6. Sol da Caparica
7. Leva-me assim
8. A tua vez de brilhar
9. Só tu podes alcançar
10. Eu não quero Olhar (p’ra trás)
11. Sempre que te vejo (sinto um desejo)
12. P’ra te ter
13. Chiclete
14. We can start over

E ainda com o inédito "Sorrir", a música da campanha "Vencer Barreiras".
O DVD inclui o fantástico concerto dos 4 Taste no Campo Pequeno, do dia 2 de Fevereiro. Inclui ainda fotos, videos, extras e muito mais!! Não podes perder!!




Spot's publicitários do CD/DVD dos 4 Taste no Campo Pequeno


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Capa do CD/DVD dos 4 Taste no Campo Pequeno
(Clica na imagem para ampliar)

E os 4Taste ainda agradeceram ao site mais cool sobre os 4 Taste!! O http://www.4taste4ever.cjb.net/ . Que fazem um excelente trabalho! Uma pequena homenagem bem merecida :D


MorangosComAçúcar FreeFotolog


O nosso Free está em grande!! Tens mesmo de passar por lá!! Passa por lá, comenta, e se quiseres podes pedir para postar-mos uma foto do teu moranguito preferido!


Em vias de extinção...

O burro ; os burros.
Uma espécie em vias de extinção...os "cotas" como eu lembram a "quantidade" de burros que existia há 30 anos,hoje nem por isso ; por isso mesmo,todos somos poucos para ajudar a que a espécie não se extingua.Aquela espécie animal assim o merece.
No entanto e passe a ironia,de há 30 anos a esta parte,a classe política tem andado a tentar criar um nova espécie de burros...
Nós,os "novos burros",resultado de uma metamorfose que a classe política criou,desenvolveu e a quam vem procurado injectar,primeiro sistemáticamente,agora todos os dias...
Quem nos ajuda a nós...?
[ ouvindo mp3...Pink Floyd - "Animals" ]


Cansa-me...

Cansa-me.A cada dia que passa fico mais cansado do senhor Ministro da Saúde e das suas intervenções para os "media" em tons de pessoa erudita e dona de todo o saber,da sua forma directa de chamar burros a todos os Portugueses,até mesmo aqueles que votaram nele ( ...ainda bem que não tenho problemas de consciência,pois não votei nele...nem nele nem em nenhum dos outros...em ninguém... ) e o elegeram para,em conluio com os restantes fazer a me### que está a fazer...
Discursos demagógicos,anúncios de fecho de urgências e centros de saúde,depois é o anúncio da renegociação desses mesmos "fechos" com o "amén" de "alguns eleitos locais",depois é o despedimento de médicos e sobretudo de enfermeiros,depois é o acabar do vínculo a "três" anos que nas suas doutas palavras de ministro,não é assim,o "pessoal" não entendeu,era "três mais três" até...que vai passar a "seis mais seis" até um ano o que é bem melhor...quando na verdade é três meses e ponto final ; ele é taxas moderadoras e etc e tal...enfim,um manancial de coisas boas para os Portugueses ( ...no douto entender,do iluminado ministro... ) ;
Cansa-me.A cada dia que passa fico mais cansado deste ministro da Saúde nos "passar",uns atrás dos outros,atestados de "burrice".Somos todos burros e enfileiramos que nem carneiros,não é senhor ministro...?
Isso é o que o senhor e os outros todos julgam.Lá virá o dia...
Porventura o senhor ministro percebe o alcance do que é mandar para o desemprego profissionais da saúde,com três anos de contrato...com família constítuida,com obrigações a cumprir em casa e carro e por aí adiante e sobretudo com impostos pagos...?
Pois,mas tem que ser,dirá o iluminado ministro "...e as outras profissões,os operários que vão para o desemprego,o despedimento nas multinacionais,os reformados..." ; pois sim,senhor ministro,mas isso é assunto para outra "matéria",não pertence a esta "matéria" como é tão políticamente correcto dizer-se hoje em dia..."matérias".
Precaridade...trabalho precário é o que isto é e,não é de agora.Agora é só o colocor da "cereja no topo do bolo".
Por acaso o senhor ministro sabe que há Hospitais estatais que não têm verba para comprar "uniforme" para enfermeiros e demais...? ...os profissionais têm que comprar e levar ou pedir emprestado,sabia? ...ah mas isso faz parte da globalização.Só que há uns mais globalizados que outros...
Que tal,começar por poupar nas reformas chorudas que os senhores ministros e assessores conseguem no fim de nos "depenarem" ainda mais...?
Que tal,começar por poupar na aquisição de carros topo de gama para os...para os...para vocês,ministros...pois...
Por tudo isto,o senhor cansa-me e faz parte de um lote de "políticos",para os quais mudo de imediato de canal quando aparece ou uma vez por outra fico "alidassim" a olhar e a ouvir um "chorrilho" de...inverdades.É assim que se diz,não é? É assim que está na moda...? Inverdades.
Cansa-me...cansa-me imenso a mim e á esmagadora maioria dos Portugueses...
[ ouvindo mp3...Zeca Afonso - "Grândola,vila morena" ]


Coco verde?


Beber água de coco é um hábito cada vez mais comum e saudável das cidades e capitais do litoral brasileiro, como Rio de Janeiro, Salvador, Recife e Fortaleza.


Mas existem incovenientes nesse consumo cada vez maior de cocos: montes de lixo formados só pela casca do coco verde.


Estima-se hoje que 70% do lixo no litoral brasileiro seja proveniente do coco que só se aproveitou a água. E esse material, que corresponde a 80% do peso bruto do fruto, leva 10 anos para se degradar.


Mas soluções estão sendo pensadas: os moradores da comunidade de Morro Pintado, em Fortaleza, criaram a primeira unidade de beneficiamento de casca de coco verde do Nordeste.


O projeto "Uso da casca de coco verde como forma de conservação da biodiversidade", apresentado no programa de competição global Development Marketplace do Banco Mundial pela Embrapa Agroindústria Tropical.


A inauguração da unidade foi em julho de 2005 na estação de triagem e transbordo de resíduos sólidos, numa área de três mil metros quadrados.


O desenvolvimento das máquinas para processar a casca de coco verde foi desenvolvido por uma equipe de pesquisadores da Embrapa, em parceira com a iniciativa privada. A estrutura básica consiste de uma máquina trituradora da casca do coco; uma prensa rotativa e uma máquina classificadora.


A unidade produz o pó do substrato para uso agrícola e a fibra utilizada para fabricar vasos, cordas, forros de carros, estofamentos, placas, artesanato, além de ser isolador térmico e acústico.


Para saber mais: Coco verde reciclado



Fonte: O Povo



30 anos sem Elvis. Mas será mesmo?






No dia 16 de agosto de 1977 morreu Elvis Presley. Elvis morreu de um colapso fulminante provocado por disfunção cardíaca.


São 30 anos sem Elvis. Mas será mesmo?



Acesse esse info-gráfico interessante e reveja alguns dos fatos mais famosos e marcantes de sua vida e carreira:






Fonte: O Globo


Reflexão

Mentiras ignoradas: jornalismo como propaganda, por John Pilger. Argumentos do jornalista expostos em Junho, na Socialism 2007 Conference de Chicago:

(1) o jornalismo profissional foi inventado há 80 anos e logo começou o mito do equilíbrio, da objectividade e da imparcialidade para atrair publicidade; (2) para garantir o seu profissionalismo, os jornalistas tiveram e têm que garantir que as notícias e as opiniões têm que ser controladas por fontes oficiais; por exemplo, depois do lançamento da bomba atómica sobre Hiroshima, e contrariando as reportagens de Wilfred Burchett que, rompendo o bloqueio informativo imposto pelo General Douglas MacArthur descrevia a destruição total, W.H. Lawrence fez o frete de se deslocar ao Japão para minimizar, numa série de artigos, os efeitos catastróficos da bomba atómica, merecendo, por isso, a atribuição do prémio Pulitzer; (3) os princípios da imparcialidade e da objectividade como alicerces do profissionalismo defendido pela BBC revelaram-se princípios a suspender sempre que o sistema esteja ameaçado; (4) a BBC foi, ironicamente, usada pela secreta MI6 para difundir falsas informações acerca do potencial bélico de Saddam, porque os próprios profissionais da BBC poderiam ter produzido o mesmo resultado; (5) a linguagem dos media é usada para normalizar o impensável; (6) o segredo para furar este esquema contaminado é colocar as questões certas na hora certa, como o fez o editorialista do New York Times de 24 de Agosto de 2005; (7) Pilger aprendeu a lição quando, nos anos 70, entrevistou o escritor checo e este lhe disse: “Nas ditaduras temos mais sorte do que vocês do Ocidente. Não acreditamos em nada do que lemos nos jornais ou vemos na televisão porque sabemos que é tudo propaganda e mentira. Ao contrário de vocês, já aprendemos a ultrapassar a propaganda e a ler entre as linhas, e também sabemos que a verdade real é sempre subversiva.” (8) o jornalista “embedded” foi introduzido depois de se ter aceite a teoria de que a reportagem crítica tinha provocado a derrota da América no Vietname; (9) nenhum dos 649 repórteres colocados no Vietname se referiram ao massacre de My-Lai ocorrido no dia 16 de Março de 1968 e apenas Daniel Ellsberg e Seymour Hersh o fizeram, na América; (10) os filmes de Hollywood sobre a guerra do Vietname foram uma extensão do jornalismo: normalizaram o impensável; (11) Pilger fez e ofereceu um documentário (Year Zero: the Silent Death of Cambodia) à PBS, que se disse chocada por ele dizer que a América tinha preparado o caminho para as atrocidades de Pol Pot; (12) Tony Blair já empurrou o Reino Unido para a guerra mais vezes do que qualquer outro primeiro-ministro da era moderna; (13) os Talibans foram parceiros secretos da gigante petrolífera Unocal na construção do oleoduto que atravessa o Afghanisthan; (14) os russos já compreenderam que o objectivo do alegado escudo defensivo americano é subjugá-los e humilhá-los, mas os media ocidentais acusam Putin de estar a começar uma nova Guerra Fria e omitem o desenvolvimento do Reliable Weapons Replacement (RRW), o sistema nuclear americano destinado a disfarçar a diferença entre guerra convencional e guerra nuclear; (15) nas universidades, nas escolas de jornalismo, nas redacções, professores de jornalismo, jornalistas, precisam de quebrar este silêncio imposto por um sistema que fala de uma objectividade de treta.


Nero

Adolfo Correia da Rocha nasceu a 12 de Agosto de 1907, faz hoje cem anos, em São Martinho da Anta, Trás-os-Montes. Literariamente adoptou o pseudónimo Miguel Torga. Faleceu a 17 de Janeiro de 1995 e deixou-nos textos tão belos quanto este:




“Sentia-se cada vez pior. Agora nem a cabeça sustinha de pé. Por isso encostou-a ao chão, devagar. E assim ficou, estendido e bambo, à espera. Tinha-se despedido já de todos. Nada mais lhe restava sobre a terra senão morrer calmo e digno, como outros haviam feito a seu lado. É claro que escusava de sonhar com um enterro bonito, igual a muitos que vira, dentro dum caixão de galões amarelos, acompanhado pelo povo em peso… Isso era só para gente, rica ou pobre. Ele teria apenas uma triste cova no quintal, debaixo da figueira lampa, o cemitério dos cães e dos gatos da casa. E louvar a Deus apodrece.: a dois passos da cozinha! A burra nem sequer essa sorte tivera. Os seus ossos reluziam ainda na mata da Pedreira. Chuva, geada, sincelo em cima. Até um lebrão descarado se fora aninhar debaixo da arcada das costelas, de caçoada! Ah, sim, entre dois males… Já que não havia melhor, ficar ao menos ali. No tempo dos figos, pela fresca, a patroa viria consolar a barriga. Gostava de figos, a velhota. E sempre se sentiria acompanhado uma vez por outra. Não que fizesse grande finca-pé naquela amizade. Longe disso. A menina dos seus olhos era a morgada, a filha, que o acariciava como a uma criança. A velha toda a vida o pusera a distância. Dava-lhe o naco da broa (honra lhe seja), mas borrava a pintura logo a seguir: - Ala! E ele retirava-se cerimoniosamente para o ninho. Só a rapariga o aquecera ao colo quando pequeno, e, depois, pelos anos fora, o consentira ao lume, enroscado a seus pés, enquanto a neve, branca e fria, ia cobrindo o telhado. O velho também o apaparicava de tempos a tempos. Se a vida lhe corria e chegava dos bens de testa desenrugada, punha-lhe a manápula na cabeça, meigamente, e prometia-lhe a vinda do patrão novo. Porque o seu verdadeiro senhor era o filho, um doutor, que morava muito longe. Só aparecia na terra nas férias de Natal. Mas nessa altura pertencia-lhe inteiramente. Os outros apenas o tratavam, o sustentavam, para que o menino tivesse cão quando chegasse. Apesar disso, no íntimo, considerava-se propriedade dos três: da filha, do velho e da velha. Com eles compartilhara aqueles longos oito anos de existência. Com eles passara Invernos, Outonos e primaveras, numa paz de família unida. Também estimava o outro, o fidalgo da cidade, evidentemente, mas amizades cerimoniosas não se davam com o seu feitio. Gostava era da voz cristalina da dona nova, da índole daimosa da patroa velha e da mão calejada do velhote.

- Tens o teu patrão aí não tarda, Nero…

O nome fora-lhe posto quando chegou. Antes disso, lá onde nascera, não tinha chamadoiro. Nesse tempo não passava dum pobre lapuz sem apelido, muito gordo, muito maluco, sempre agarrado à mama da mãe, que lhe lambia o pêlo e o reconduzia à quentura do ninho, entre os dentes macios, mal o via afastar-se. Pouco mais. Com dois meses apenas, fez então aquela viagem longa, angustiosa, nos braços duros dum portador. Mas à chegada teve logo o amigo acolhimento da patroa nova. Festas no lombo, leite, sopas de café. De tal maneira, que quase se esqueceu da teta doce onde até ali encontrava a bem aventurança, e dois irmãos sôfregos e birrentos.

- Nero! Nero! Anda cá, meu palerma!

A princípio não percebeu. Mas foi reparando que o som vinha sempre acompanhado de broa, de caldo, ou de um migalho de toucinho. E acabou por entender. Era Nero. E ficou senhor do nome, do seu nome, como da sua coleira.

[…]

Lá dentro frigiam carne. Ouvia bem o chorriscar da gordura na sertã. Dantes, seria o bastante para lhe correr a baba pela barbelas abaixo. Agora, só a lembrança de torresmos dava-lhe volta ao estômago. Uma perfeita ruína! Estava podre por dentro e por fora… Raio de vida! E o malandro do galo a galar a galinha! Tivesse ele procedido doutra maneira, quando o parvo era frangote, e já então cheio de proa, e não estaria agora o demo a fazer-lhe macaquices. Mas era feio um navarro dar um apertão num frango. Saiba um homem respeitar-se. Que grande dor de cabeça!... Que peso medonho na arca do peito!... E o corpo mole, sem acção…

Aí vinha a patroa nova observar o andamento daquilo…

Fechou os olhos. Sempre gostava de ouvir o que diria quando o visse como morto…

Ela chegou-se e ficou silenciosa.

Por uma fresta das pestanas espreitou-lhe a cara. Chorava. Desceu novamente as pálpebras, feliz.

E à noite, quando o luar dava em cheio na telha vã da casa, e os montes de S. Domingos, lá longe, pareciam ter já saudade das suas patas seguras e delicadas, quando o cheiro da última perdiz se esvaiu dentro de si, quando o galo cantou a anunciar a manhã que vinha perto, quando a imagem do filho se lhe varreu do juízo, fechou duma vez os olhos e morreu.”

Miguel Torga
Nero de “Bichos”


Feudos do carimbo

E uma manobra para mantê-los

O repórter Upiara Boschi publica no jornal A Notícia, de Joinville, uma interessante matéria sobre o feudo familiar dos cartórios (Civil, Notas, Imóveis etc.). Ficamos sabendo que os nobres deputados catarinenses aprovaram no vapt-vupt uma lei enviada pelo governador que tenta salvar os "proprietários" de cartórios que estão na ilegalidade.

É que a Constituição de 88 estabeleceu concurso público para preenchimento de vagas nessas lucrativas arapucas do carimbo. Antes da Constituição, os governadores nomeavam quem quisessem e a mina de ouro passava de pai para filho.

Pois bem, a pretexto de que não havia lei federal regulamentando a questão, só aprovada em 1994, os felizes cartorários nomeados nesse período querem manter seus feudos. E nossos representantes acham que tudo está muito bem.

Eis aí o que herdamos de pior da tradição lusitana. Você paga para o dono do feudo atestar que você nasceu, que você casou e que sua assinatura e sua casa são suas (mesmo assim, cometem erros graves, como se sabe). Um plac! desse instrumento abusivo pode valer milhares de reais.

O cartorialismo dá muito dinheiro. Lembro que, aqui em Florianópolis, nos anos 70, uma das famílias mais ricas era dona de cartório - e a única da cidade a possuir iate.

Vou pedir um saquinho em honra ao governador e aos deputados. Eles se merecem. Minha carimbada virá nas próximas eleições.


Refinaria da Petrogal faz duas descargas anuais poluentes




Espinho, fim da tarde de Sábado. Um carrinho de compras do Lidl está abandonado na esquina da rua 7 com a avenida 8. O Lidl mais próximo fica cerca de 2km a norte, em S. Félix da Marinha, Vila Nova de Gaia.

 

  • Foram excluídos todos os concorrentes ao concurso público para o tratamento das 140 mil toneladas de lamas oleosas de Sines que estão depositadas num aterro em Santiago do Cacém, não se sabendo agora quando é que esses resíduos vão ser tratados. A situação é de tal modo grave que a Quercus está a estudar juridicamente este caso e pondera avançar para os tribunais caso se confirmem as fortes suspeitas existentes sobre a forma irregular como este processo decorreu. Este concurso público apenas surgiu depois da Quercus ter feito ver ao Governo que não poderia enviar aqueles resíduos para co-incineração sem que antes lançasse um concurso público, uma vez que o tratamento teria de ser pago pelo Orçamento Geral do Estado. Este concurso revelou que a solução defendida pelo Governo, - a co-incineração nas cimenteiras da Secil e da Cimpor -, custaria ao Estado mais 7 milhões de euros do que as outras propostas, pelo que numa análise correcta dificilmente aquelas cimenteiras seriam escolhidas. As outras três propostas presentes a concurso foram excluídas sem ser por base em critérios técnicos e económicos, mas apenas com base em argumentos meramente administrativos muito mal justificados, diz a Quercus.


Uma profissão de futuro

A simpatia daqueles que visitam este espaço não para e recebemos mais um texto sobre educação que considero merecer aqui divulgação. Como sempre, assinei só com as iniciais dos autores, por não saber se gostariam de ver o seu nome aqui colocado.

As escolas têm cada vez menos alunos porque, ninguém quer nascer em Portugal, porque nascer aqui só por degredo ou por missão, e os professores, cansados de muitos anos dados ao ensino, são obrigados a permanecer na escola até à morte, sem direito à reforma merecida que vêem cada vez mais longe. Assinaram um contrato, alguns ainda no governo de Marcelo Caetano, que lhes garantia a reforma aos 36 anos de serviço. Afinal não valeu a pena começarem a trabalhar aos 20 anos! O Estado não honra os seus compromissos nem as suas Leis!
Mas agora inventou-se uma saída gira , para o excesso de professores que agora, depois de uma vida dedicada ao ensino são chutados para o lixo, esquecendo-se quem manda que, sem professores, ninguém saberia escrever o seu próprio nome, e se calhar era melhor: criou-se uma coisa chamada de Professor Titular e depois há os que têm título e os que não têm. Mas os que conseguirem o tão almejado título, ficam na mesma, não têm qualquer remuneração acrescentada, mas passarão a ter muito mais trabalho pois só a eles é permitido o desempenho de certos cargos. Talvez os outros não tenham «enquadramento» – expressão oficial, ou será que quiseram dizer perfil? Mas até à data desempenharam com garra e mérito os cargos de que foram sucessivamente sendo encarregados. Agora, arbitrariamente só contam para esta « progressão» os últimos sete anos de carreira. Porquê os últimos sete, e não os dez, ou os sete do meio ou os primeiros sete? Já se viu alguma promoção não ser baseada no curriculum? Mas manda quem pode e a D. Lurdes é que sabe. Por isso, ficou um panorama docente curioso, nas escolas: professores com metade do tempo de serviço, com curriculum menor ficaram à frente de professores muito mais velhos na carreira, mas que nestes ditos sete anos, foram simplesmente professores ou desempenharam cargos de « não enquadramento» Como se actua num país sem Lei, onde os mais velhos e experientes correm o risco de ir parar ao cesto dos papéis, porque alguém concebeu uma forma de progressão aleatória, ignóbil, injusta. É este o nosso Estado de Direito? E se nesses sete anos, o professor tiver prestado serviço num sindicato, alto que é homem a abater. E então, não pode passar a professor titular, contra toda a legislação que considera esse trabalho equiparado a serviço docente. Assim vivam os actuais titulares que estiveram uma vida inteira numa biblioteca porque não gostavam de dar aulas, vivam! Vivam os que foram encarregados de serviços quase administrativo porque eram incapazes de manter a disciplina dentro da sala de aula, vivam. Vivam todos e viva a D. Lurdes que Deus lhe conserve a sagacidade política e o discernimento legal. Vivam que o povo é sereno !
Depois queixem-se que o ambiente é de cortar à faca! Se se incrementam desta forma as irregularidades e ilegalidades entre professores querem depois bom ambiente e interajuda? Querem melhorar assim a qualidade do ensino, promovendo a inépcia, a inexperiência quiçá a mediocridade?
Quem cá dera o mundo de Orson Wells, onde o Porco chefe organizava a quinta...
Parabéns, D. Lurdes, a senhora percebe disto, o ensino irá longe consigo. Vivam as telenovelas, e os Big Brothers deste país que distraem o povo e o mantêm sereno.
Puseram-nos lá...aturem-nos e amanhem-se que eu não percebo nada disto.
U.C.N.

Contributo para o Echelon: Electronic Surveillance, MI-17


Evolução ou evoluções?...

 

Os fósseis encontrados a leste do lago Turkana no Quénia colocaram dúvidas sobre teoria da evolução do homem. A conclusão está num artigo na revista científica " Nature " desta semana.

 

Os cientistas da equipa liderada por Fred Spoor , da University College de Londres consideram que a descoberta de uma mandíbula do Homo habilis , com 1,44 milhões de anos, e de um crânio do Homo erectus, curiosamente mais antigo, com 1,55 milhões de anos, afastam a possibilidade do habilis ser ‘pai’ do erectus, por estes terem vivido em simultâneo durante 500 mil anos.

 O cenário evolutivo mais aceite até agora costumava ver uma sucessão clara entre o H. habilis e o H . erectus. O primeiro teria surgido por volta de 2,3 milhões de anos atrás, no leste da África, e usado pela primeira vez ferramentas de pedra fabricadas por ele mesmo (daí o nome latino de "hábil"). Era um hominídeo pequeno, pouco maior que um chimpanzé moderno.

 Já o H. erectus, suposto descendente direto e substituto do H. habilis, teria surgido por volta de 1,9 milhão de anos atrás e desenvolvido um cérebro com dois terços do volume do nosso, assim como tamanho e proporções do corpo praticamente iguais ao do homem moderno.

“O fóssil da mandíbula indicia que o H. habilis não era a espécie-mãe do H . erectus. Eram sim espécies irmãs que viveram ao mesmo tempo”, sustentam os investigadores na revista Nature. A ideia do trabalho exclui totalmente é a ideia de uma única linhagem da evolução, sem 'galhos', na qual um se transforma no outro.

A posição dos cientistas no Quénia surge uma semana após uma equipa espanhola de paleontologia defender que os nossos antepassados serão originários não apenas de África mas também da Ásia.


O uso do DNA abalou a Evolução do homem e contrariou as teorias dominantes de há 30 anos ao afastar o Homem de Neandertal, como um nosso antepassado. A ligação entre o australopiteco e o Homo erectus também é polémica.

 Parece que mais um dogma cientifico poderá cair por terra... E esta descoberta poderá ter diversas implicações no próprio "tecido" da evolução. Evoluções paralelas e plurais poderão demonstrar que existe, de facto, um caminho convergente na evolução das espécies, o que alarga o horizonte até agora restrito da própria evolução.

 Sobre algo relacionado, também poderá encontrar um interessante no blog Quintus.


Blogosfera

  • Construções na Albufeira de Montargil: O Ponte de Sor reproduz artigo de João Pedro Amante, publicado na edição de Agosto do Jornal A Ponte. Aí se esclarece melhor alguns pontos despoletados pela reportagem do Semanário Económico de 18 de Julho. Com muitas fotos elucidativas.
  • Ecologistas de bolso, segundo Demétrio Alves: “ (…) A maior parte (...) até são cultos e cientificamente credenciados. Mas, de facto, eles não pretendem questionar as verdadeiras razões políticas e económicas que estão na base dos graves problemas que asfixiam os povos, porque, no essencial, estes ecologistas fazem parte do sistema. É por isso que os governos os utilizam como e quando querem, tirando-os do bolso sempre que necessário." Faço minhas as palavras do A-Sul quando se interroga se  o Partido Os Verdes não será uma mão cheia de ecologistas de bolso da CDU no parlamento?


Peru devolve lixo nuclear à Escócia


Barcelona, Portugal, Salvia e outros delírios absolutos em semelhança



Bem, isto é parte de Barcelona vista do Parc Guïnardo. À esquerda temos a Torre Agbar, ao centro a Sagrada Família, à direita Mont Juïc e o MNAC. Lá longe, estendendo-se muito azul temos o Mediterrâneo. A bem ou a mal, acabei por guardar o nascer-do-sol sobre o Mediterrâneo para depois, para outra companhia.



Viajar é estranho. Entrei num avião e, passada uma hora, estou do outro lado, 1500 quilómetros mais longe: outro ar, outra gente, outra cidade infinitamente maior e mais urbana. Fez-me bem ver o avião a levantar, a sobrevoar a cidade em que vivo e a afastar-se deixando para trás problemas, traições – a falsidade com que me encheram os olhos durante tanto tempo. ZUUMMMMMMMM – lá ia eu a caminho de algo diferente. Movido pelo incessante egoísmo que fecha os olhos das pessoas omito da parte inicial deste relato Jesus Rodriguez, meu companheiro de viagem. Enfrentou muito melhor o pânico inicial do voo: eu agarrei-me firmemente à cadeira na esperança de que ela amparasse a minha queda. Jesus já aparece novamente um pouco mais longe neste relato.

No aeroporto tivemos o nosso primeiro desaire: uma máquina telefónica manhosa comeu-nos a pasta com que iríamos ligar para Jone… Digo-vos, as cabines de “lá” são ainda mais manhosas do que as de cá. Parecem blindadas e têm um insaciável apetite. Jesus e o seu magnífico telemóvel ligaram e recebemos as nossas coordenadas: Entrar no bus, ir sempre e sair em Urgell; ele estaria lá à nossa espera. Primeiras impressões: bem, essas foram tiradas do ar e aquilo que vi foi uma cidade enorme atravessada por avenidas e perpendiculares; mar, muito mar; carros formigas a mexerem-se pelas ruas; um sol enorme e brilhante. Boas vibrações. Em terra foi o atravessar o trânsito num veículo com ar condicionado: túneis, motas, carros, tráfego a meio da tarde; vias rápidas, sinais em catalão; paragem súbita numa via elevada; conversas em francês e inglês e línguas bizarras e impronunciáveis; dois portugueses a olhar para tudo e a estabelecer o plano de jogo. Lá fora a vida dos “nativos” decorre normalmente entre bicicletas e motas e um delírio apressado pós siesta. Bom!



Reencontro. A casa é perto e precisamos de comprar comida. A comida nem é assim muito cara. Deixamos as coisas em casa e vamos comprar… assim lá para os lados do MACBA. Passear pela cidade à tarde. Ramblas, turistas, nativos, estranhos e estrangeiros; um cota de cerca sessenta anos vestindo unicamente uma daquelas palas verdes que usaria um notário americanos nos anos ’20 e um piercing enorme e refulgente na ponta da gaita a passear, a aproveitar o sol de fim de tarde para escurecer mais a sua t-shirt e calção tatuados… Estranho, mas faz todo o sentido. Niña’ guapa’ que olham e fixam o olhar e sorriem porque é belo sorrir e está calor e respira-se sexualidade no ar. Bom! somos jovens, para quê recear o julgamento? Homens estátua e estátuas de homens, gatos gigantes, olho para trás para ver melhor a rapariga que acaba de passar (e não, não és tu; aquela que eu procuro e secretamente gostava de ter aqui para partilhar da minha loucura contida) e que olhou para mim como quem não me via, mas eu sei que ela me viu pela forma como desviou o olhar, pracinhas pequenas e arejadas… árvores e sombras providenciais. Na Plaza Reial uma fonte, frescura, turistas em delírios fotográficos e eu e Jesus (perdoe-se a piada, mas estava mesmo bem acompanhado!), fugimos do ajuntamento deixando para trás a homenagem a Garibaldi e as palmeiras e a frescura da fonte.


Há muita coisa de que eu não vou falar. Talvez tenha chegado a idade em que prefiro guardar dentro de mim o que vejo penso e faço porque é demasiado real para transmitir aos outros. Mas vou escrever aqui as únicas linhas que escrevi em Barcelona, apesar de toda a minha boa vontade. Vou só explicar o que tinha acontecido no dia anterior: tínhamos ido visitar a Gracia, eu, Jesus, Jone e sua senhora. Quando vínhamos embora encontramos uma loja que estava em liquidação do stock de líquidos; enquanto eles se apaixonaram por vinho e cava eu vi do lado direito de quem entrava na penumbra várias garrafas de rum branco que diziam “Don Sorel” a 3 euros. Um sorriso iluminou-me a face! Após uma noite em que o rum deu cabo de mim depois de eu lhe ter esvaziado o corpo foram poucas as memórias "concretas" que restaram. Lembro-me de um bar manhoso e livre e barato numa casa ocupada, lembro-me também de andar pelas ruas descalço, cheio de calor a dizer coisas - ou a gritar, as versões variam. Acima de tudo precisava de um duche frio para aclarar as ideias. Ganzas e ganzas na praça do MACBA, cerveza/bier gelada, o primeiro gole entornado no chão para os amigos que não estão, ou se calhar não foi lá… Quando voltamos a casa sentei-me no sofá. No dia seguinte, domingo, dei por mim aterrado na sala, sem saber onde estava quando abri os olhos. Só reconheci e me recordei do que se passava e onde tudo se passava por causa dos cheiros, dos ruídos. Tentei ir para o quarto onde era suposto dormir, mas o meu fígado mal-tratado tinha outras ideias. Ainda para mais a vizinha fritava peixe e alguém de casa fritava carne… Os cheiros deixavam-me completamente nauseado. Passei grande parte da manhã a correr da cama, a evitar calcar Jesus que dormia na paz dos santos no chão do quarto e a enfiar a cabeça dentro da sanita para tirar de mim o que quer que estivesse a mais. Alminhas! Apesar de tudo, continuo a dizer que devia ter comprado duas garrafas daquele álcool açucarado – era um bom preço.

Portanto, é domingo, 19h40 minutos hora de Barcelona e estamos no Parc da Ciutadela a descansar, a respirar, a fumar umas brocas e a ver o que se passa.

“Avenidas ordenadas de árvores de todas as espécies, turistas, turistas e nativos circenses, pessoal a fazer ganzas discretamente enquanto os Mossos passam, música de todos os lados, pássaros verdes vindos de um qualquer deliro sul-americano, uma roda de capoeira, mulheres lindíssimas. Uma ressaca de rum monstruosa a pesar-me na cabeça e 5 dias passados em Barcelona. La vida loca (perdoem a citação de Ricky Martin, mas estava muito ressacado). No aeroporto nada fazia crer que fosse assim. Eu e Jesus saímos do avião suados e atrasados uma hora. Milhares de turistas de todos os tipos: “bifes” com camisolas de futebol, nórdicos já vermelhos e mal saíram do avião, alemãs grandes com cara de quem te esmaga a cabeça se não lhes deres o prazer suficiente na altura do orgasmo… não interessa.”

Foi isto tudo o que escrevi. Não havia tempo: tinha tanto para ver, tanto para esquecer. Além do mais, para meter Barcelona dentro de palavras teria de fazer uma enumeração enorme que iria desde o Bairro Gótico a Barceloneta, passaria pela Plaza Tripi (ou Plaza George Orwell, calmamente videovigilada), daria uma volta pelas praias, Champanharia (ai, que grande paulada de Cava e tapas), Ramblas, Raval e Donnër Raval (reconhecido internacionalmente), noites compridas e rápidas, duas turistas inglesas, uma alta e cheia de pinta a outra uma porquinha pequenina, com medo de serem violadas por um Paquistanês mal-intencionado e de olhar homicida que as seguia – correm na tua direcção com as suas mini-saias e maquilhagem e recusam a tua ajuda por receio que sejas um português sádico que lhe vá levantar as saias no átrio do hotel para as possuir à força no elevador (não fui eu que disse isto), Bairro da Inês, cheiro a absinto e putas baratas que te agarram e tentam convencer à força de que tens força na verga apesar de todo o álcool, turistas, agressões entre gritos e garrafas partidas, transsexuais encostados perto dos hóteis fixes e ingleses bêbedos que se enganam até ao momento em que metem a mão e lhes gritam “SURPRESA!”… Chavalos e chavalas a ler o Harry Potter e a chorar com a morte do herói… JK Rowling, os meus parabéns por teres ascendido de escrava de um ressacas a escravizadora de imaginações. Brutal.



Morreria de falta de ar antes de conseguir acabar esta enumeração, o que por si não diria nada ou talvez tudo sobre a cidade…



(No meio de toda esta grandeza libertadora, no vórtice do anonimato e apesar de todas as palavras que me enchiam a boca de libido, eras tu quem eu via nos suaves corpos com que me cruzava. Eram as pistas que me reconduziram a ti que eu procurava. Porque "nem sempre me incendeiam o acordar das ervas e a estrela despenhada de sua órbita viva. - Porém, tu sempre me incendeias".)

Ainda tive oportunidade de ver um ensaio de algo definido como chill-out psicadélico: cítara, guitarra e percussão… Catita! Jone tem sorte com a casa que encontrou. Agora só precisa de uma casa para dar largas ao desespero de quem quer viver tudo.

Ainda não compreendi muito bem o que me aconteceu por lá, mas algo aconteceu. Algo de importante. Isso só se tornou totalmente compreensível há bem pouco tempo, quando recebi uma mensagem para aparecer no Piolho. Rever um amigo, beber umas cucas, falar um coto na esplanada do 77. Nesta altura não fazia ideia de como a noite iria acabar: no Jardim de Soares dos Reis, com uma gigantesca paulada de salvia x20 e uma noite que arrefecia a cada momento que passava.

Quando se sente a pele aspirada do corpo e o mundo todo a fundir-se em sombras e luz que tomam forma num silêncio que sabes corrompido, compreendes a unidade de tudo; a beleza individual de cada partícula que compõe o universo visível e invisível que te rodeia e a necessidade de todas as partículas para a criação de algo tão belo como o mundo. É só saber aproveitar as coisas boas que este tem para oferecer.

Portugal parece-me mais pequeno e tacanho desde que voltei… mas não tem problema. Há sempre alguém a quem podemos ligar quando o mundo se aperta à nossa volta, right baby? E podemos sempre dar a fuga…

Gostaria de acrescentar aqui um abraço a Jesus porque me aturou vários dias e ninguém sabe como eu como isso é difícil; a Jone e a companheiros de casa pela hospitalidade; à sua senhora pelo jantar; à minha senhora pela confiança e por ter esperado; ao mundo por ser uma coisa bonita com a qual uma pessoa se consegue tornar mais sábia.

josé de arimateia, numa paz relativa muito, mas muito agradável

PS- agradeço ao meu alter ego "quase." a cedência de todas as fotos deste post


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